Mostrando postagens com marcador Ana Cristina Cesar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ana Cristina Cesar. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de agosto de 2010

Antigos e Soltos, poemas e prosas da pasta rosa


























O livro 'Antigos e soltos' reúne escritos da carioca Ana Cristina Cesar. A publicação é o testemunho do processo criativo da escritora, que se tornou ícone da poesia nos anos 1970/1980, e apresenta textos de diversos gêneros, poemas, fragmentos de diário, anotações íntimas em cadernos de aula, relatos de viagem, bilhetes e cartas nunca enviadas. O material foi preservado pela mãe da poeta, Maria Luiza, e doado pela família ao Instituto Moreira Salles, onde se encontram todos seus originais. Posteriormente, foi catalogado por Manoela Daudt d'Oliveira e reorganizado para a presente edição por Viviana Bosi. *


Por Enquanto
Quando
então
sentada na cama de casal
lembro que nela te perdes de
beijos
estou sem ar
no ar mexo as mãos
olhos
força nos ombros no nariz;
a garganta solapa; via
estreita,
nossa conversa amena;
nossa amizade;
até o previsto e casto
adeus;
o tempo se poupa;
nos economiza;
e teu ouvido
mouco;
e o troco;
e enquanto isso,
fora,
o real constrói o poema,
imbatível.

Ana Cristina César

*O livro tem 475 páginas, já estou na metade.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Samba-canção

"Tantos poemas que perdi.

Tantos que ouvi, de graça,

pelo telefone – taí,,

eu fiz tudo pra você gostar,

fui mulher vulgar,

meia-bruxa, meia-fera,

risinho modernista

arranhando na garganta,

malandra, bicha,

bem viada, vândala,

talvez maquiavélica,

e um dia emburrei-me,

vali-me de mesuras

(era comércio, avara,

embora um pouco burra,

porque inteligente me punha

logo rubra, ou ao contrário, cara

pálida que desconhece

o próprio cor-de-rosa,

e tantas fiz, talvez

querendo a glória, a outra

cena à luz de spots,

talvez apenas teu carinho,

mas tantas, tantas fiz..."

Ana Cristina César