quarta-feira, 10 de abril de 2013
Pessoa e seus heterônimos
sábado, 25 de agosto de 2012
Fernando Pessoa: uma quase autobiografia
Fernando Pessoa morreu aos 47 anos e passou a maior parte deles em Lisboa. Sua vida, voltada inteiramente para a arte, despertou em Cavalcanti o desejo de reverberar versos como o de sua persona mais famosa, o poeta Álvaro de Campos: “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” E foi com essa determinação que o escritor pernambucano dedicou os últimos 10 anos à vida e obra do poeta.
José Paulo Cavalcanti conheceu a obra de Fernando Pessoa em 1966; o primeiro poema que leu foi Tabacaria. “Foi o começo de uma paixão que até hoje me encanta e oprime”, confessa. “Tenho inclusive a sensação de que gostava dele ainda mais naquele tempo. Talvez porque todo começo de paixão seja assim mesmo, depois arrefece; ou então, como o rio de sua aldeia, ele apenas pertencesse a menos gente.”
Segundo o autor, à medida que mergulhava na obra de Pessoa, suas inquietações foram crescendo. Quem foi o homem Fernando Pessoa, como ele vivia, com quem se relacionava, quem foram as personas que ganharam vida com ele, para citar apenas algumas delas. Uma das grandes revelações do livro refere-se justamente aos heterônimos, que, segundo José Paulo Cavalcanti, são 127 (e não 67, como se acreditava até agora).
Mergulhado na vida do poeta, Cavalcanti foi compreendendo melhor aquele homem inquieto, suas angústias e a dimensão de sua obra. Em Lisboa, conversou com pessoas que o conheceram, tocou papéis escritos por ele, visitou as casas onde morou e, em frente à escrivaninha do seu quarto, chegou a imaginar que o via escrevendo O guardador de rebanhos.
“Na verdade, o que fiz foi escrever a biografia de Fernando Pessoa que eu gostaria de ler”, sorri José Paulo Cavalcanti, diante do livro pronto, fruto de oito anos de trabalho e cinco horas diárias de escrita, “sem falhar um dia”.
“Desde que comecei a me aprofundar no universo de Pessoa, fui colecionando dúvidas que não conseguia solucionar. Então resolvi fazer isso eu mesmo. Ocorre que foi o próprio Fernando Pessoa quem escreveu praticamente o livro todo. É mesmo uma (quase) autobiografia, como diz o título”, brinca, referindo-se às centenas de frases e citações do poeta, compiladas e utilizadas no texto, sempre com aspas. “O resto foram depoimentos de pessoas que conviveram com ele e apenas algumas contribuições minhas.”
O advogado pernambucano foi atrás de cada detalhe da obra para revelar o biografado. “Ninguém imagina que possa encontrar na rua, por total acaso, alguém que conviveu com Fernando Pessoa. Pois não é que eu encontrei?”, conta o autor. “Eu lia e pesquisava, lia e pesquisava. Toda vez que encontrava num poema qualquer referência, ia procurar para saber se aquele lugar, ou aquela pessoa, existia de fato. E era batata: existia mesmo. Acabei chegando à conclusão de que Fernando Pessoa foi o escritor mais sem imaginação com quem tive contato em toda minha vida. Ele viveu tudo o que escreveu, não inventou nadinha!”
José Paulo seguiu todos os rastros possíveis de Pessoa, homem de vida metódica e circunscrita a uns poucos quarteirões de Lisboa - a casa, o trabalho, os cafés que freqüentava. Mesmo assim, a faina de compor os detalhes e encontrar as respostas que procurava levou o autor a fazer, em média, cinco viagens por ano a Portugal, onde contratou os serviços de pesquisadores, historiadores, consultores e de um jornalista, para verificação dos fatos.
Em paralelo às pesquisas, José Paulo foi reunindo documentos e peças do acervo de Pessoa, adquiridos de parentes e até mesmo de uma sobrinha de Ofélia Queirós, a grande paixão do poeta. O resultado é um acervo que será talvez o maior reunido sobre o poeta, fora de Portugal. Parte desse acervo estará em exposição na exposição “Fernando Pessoa: plural como o Universo”, cuja inauguração coincide com o lançamento do livro.
Ao longo de toda a obra, José Paulo Cavalcanti traduz e explica, para o leitor brasileiro, cada expressão portuguesa usada, tanto na obra de Pessoa como em depoimentos ou outros registros. “Tem gente que não concorda, mas eu acho essencial para que todo mundo possa entender exatamente o que Fernando Pessoa quis dizer, no caso dos poemas, e também o sentido exato de depoimentos e registros.”
Fernando Pessoa: uma quase autobiografia é o registro desse encontro de vida inteira, sob ângulos completamente novos, pessoais mesmo. Se é o livro que Cavalcanti gostaria de ter lido, é também o livro que Fernando Pessoa escreveu ao longo da vida, sem perceber - e que José Paulo recolheu, cuidadosamente, pelos caminhos do tempo.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Cartas de amor de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz
Meu Bebé pequenino:
Ainda talvez podia ir esperar-te lá acima, mas não me disseste onde, nem me dás a certeza das horas. Não quis telefonar-te por duas razões — a primeira porque é desagradável telefonar assim, mesmo dando um «recado» fingido, para uma casa onde é o teu primeiro dia; depois porque não tenho telefone, de onde fale sem me ouvirem, e não quero falar-te de modo que outros ouçam. Os três telefones, onde às vezes falo, são, um no Café Arcada, e aí falar é falar em público; outro, na Papelaria Vieira, que está nas mesmas condições; o terceiro num escritório onde vou e esse telefone é no meio do quarto principal, onde estão os empregados.
Aguardo, pois, combinação melhor e ocasião propícia para te falar e ir esperar para os lados da Av. Almirante Reis.
A empresa continua em organização. Eu estou mal de saúde e de nervos, mas isso não tem importância. Mal tenho tempo para escrever.
Amanhã passo na tua rua, vindo da Baixa, e portanto do lado do Conde Barão, entre o meio-dia e meia hora e a uma hora.
Adeus, minha Íbis. Além de tudo estou muito cansado.
Muitos beijos do teu, muito teu
Fernando
In, Cartas de Amor de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz
terça-feira, 24 de julho de 2012
Intervalo doloroso
domingo, 10 de junho de 2012
Containers poéticos
domingo, 3 de junho de 2012
Sobre Fernando Pessoa
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Viagem nunca feita
Foto: minha
E assim escondo-me atrás da porta, para que a realidade, quando entra, me não veja. Escondo-me debaixo da mesa, donde, subitamente, prego sustos à possibilidade. De modo que desligo de mim, como aos dois braços de um amplexo, os dois grandes tédios que me apertam – o tédio de poder viver só o real, e o tédio de poder conceber só o possível.
Triunfo assim de toda a realidade. Castelos de areia, os meus triunfos?... De que coisa essencialmente divina são os castelos que não são de areia?
Como sabeis que, viajando assim, não me rejuvenesço obscuramente?
Infantil de absurdo, revivo a minha meninice, e brinco com as idéias das coisas como com soldados de chumbo, com os quais eu, quando menino, fazia coisas que embirravam com a idéia de soldado.
Ébrio de erros, perco-me por momentos de sentir-me viver.
Fernando Pessoa , In O Livro do Desassossego.
sábado, 13 de junho de 2009
121 anos do nascimento de Fernando Pessoa
"Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas".
Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.I. Fernando Pessoa.
sábado, 10 de maio de 2008

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
O Tejo tem grandes navios
O Tejo desce de Espanha
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
Pelo Tejo vai-se para o mundo.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos
sábado, 26 de abril de 2008
Fernando Pessoa - Tribalistas
"Regra é da vida que podemos e devemos, aprender com toda a gente. Há coisas da seriedade da vida que podemos aprender com charlatães e bandidos, há filosofias que nos ministram os estúpidos, há lições de firmeza e de lei que vêm no acaso e nos que são do acaso. Tudo está em tudo.
Em certos momentos muito claros da meditação, como aquele em que, pelo princípio da tarde, vagueio observante pelas ruas, cada pessoa me traz uma notícia, cada casa me dá uma novidade, cada cartaz tem um aviso para mim.
Mas passeio calado é uma conversa contínua, e todos nós, homens, casas, pedras, cartazes e céu, somos uma grande multidão amiga, acotovelando-se de palavras na grande procissão do destino"










