O barbeador de papai
Ao entrar em uma farmácia
para comprar um “melhoral” meus olhos se fixaram em um pequeno estojo de
aparelho de barbear. Comprei-o e presenteei meu pai. Ele me deu um beijo,
agradeceu e guardou-o na gaveta da cômoda de seu quarto.
Não teve tempo de usar. Três
dias após ele partiu.
De repente me lembrei desse
pequeno objeto, guardado na minha caixinha de afetos durante tantos anos.
Convivi com meu pai apenas 21
anos, mas tempo suficiente para absorver sua ética, sua indignação diante das injustiças
sociais, seu carinho pelos desfavorecidos social e economicamente e sua maneira
delicada de presentear sempre acrescentando algo afetuoso ao objeto ofertado.
Saudade de você, pai.
Regina Coeli Carvalho em
Recanto das Letras 10/08/2013
Código do texto: T4428839
Classificação de conteúdo: seguro
Código do texto: T4428839
Classificação de conteúdo: seguro
