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terça-feira, 13 de agosto de 2013

3 anos sem Joanna Marcenal


“Talvez fosse bom que os titulares de altos postos da Justiça nunca se esquecessem de que são juízes, cônscios da sacralidade da missão. O que os faz respeitáveis não são as reverências, excelências ou eminências, mas a retidão das decisões que profiram.”
João Baptista Herkenhoff, in Questões angustiantes de Justiça.

Aguardamos o Tribunal do Júri.
-Homicídio Qualificado (Art. 121, § 2º - CP)
-Crimes de Tortura (Art. 1º - Lei 9.455/97)
-Crime Continuado (Art. 71 - CP)

Há uma família que enterrou uma criança de 5 anos e não consegue terminar seu luto.
Há uma família que sofre diariamente a morte da criança, enquanto seus algozes desfilam serelepes por aí.
Há um sujeito acusado dos crimes acima citados que se prepara para prestar concurso para Juiz.
As palavras morte e saudade para a maioria das crianças são situações abstratas. Para Catarina e João Ricardo, de 5 anos, irmãos de Joanninha, as situações são concretas. Desde muito cedo, convivem com o sentimento do nunca mais.

"Felizes são os homens e as mulheres que não aceitam passivamente os malefícios dos governos e dos indivíduos. A indiferença nos faz menos humanos. A resignação pode nos tornar cúmplices." Ruth de Aquino

HÁ UMA SOCIEDADE QUE CLAMA POR JUSTIÇA.


Movimento do Processo:

terça-feira, 7 de maio de 2013

Dignidade não pode ter CEP


Confesso que ao ler ontem o pronunciamento do Marcelo Freixo sobre a operação que matou o traficante Matemático a minha emoção falou mais alto e pensei que ele estava defendendo um bandido. Porém, quando a razão entrou na história entendi seu posicionamento. Não estava defendendo o traficante e sim a forma como a operação foi realizada.
Convivi durante muitos anos com alunos que moravam em comunidades constantemente vítimas de tiroteios entre polícia e bandidos.
Quando lecionava à noite cansamos de liberar alunos mais cedo, pois os pais ligavam para a escola solicitando que seus filhos voltassem para casa porque “o tiro ia comer solto”.
Precisamos sair um pouquinho da nossa zona de conforto e lançar um olhar generoso para aqueles que são reféns dessa guerra que atinge em maior proporção quem vive nas zonas norte e oeste.
Transcrevo parte do discurso do Freixo entendendo que a dignidade não pode ter CEP.


"O que estamos defendendo é que se tenha controle legal sobre as ações de quem responde pelo Estado. Que aja conforme o interesse público. Porque hoje se mata um traficante e a amanhã pode matar qualquer pessoa. Não se trata de uma defesa de um traficante ou outro. O tráfico é cruel, é violento e massacra a vida dessas comunidades, mas o Estado não pode competir com o tráfico de quem tem mais capacidade de ser violento. Tem algo que diferencia o Estado e o crime, que é a nossa necessidade de cumprirmos a lei. E esse episódio precisa ser investigado. Por que o helicóptero estava sozinho, já que não tinha operação por terra? Por que os tiros são dados colocando a vida de terceiros em risco? Não podemos permitir isso. Uma operação como essa jamais aconteceria em outro território que não fosse uma favela da Zona Norte ou Zona Oeste do Rio. A dignidade das pessoas não pode ter CEP. O tráfico é bárbaro, tem que ser enfrentado, mas o Estado não pode abrir mão do seu papel legal. Nós queremos uma política de segurança pública eficaz, que os policiais sejam valorizados, mas que garanta direitos e, acima de tudo, seja comprometida com a dignidade humana", afirmou Marcelo Freixo.

sábado, 20 de outubro de 2012

Joanna Marcenal


Joanninha,
Infelizmente não a conheci em vida, mas aprendi a lhe amar através das suas fotos, das histórias contadas pela sua mamãe. Pela sua garra em permanecer em coma durante 26 dias para que a verdade pudesse vir à tona.
Mundo cruel esse em que você viveu durante cinco anos, onde pessoas maltratam crianças para se vingarem da rejeição.
Falsos profetas pregam a paz, mas seus comportamentos diabólicos denunciam suas mentes perversas.
Pessoas que se acham poderosas são cúmplices de crimes hediondos, porém todos trazem na testa a marca da tortura.
Hoje é seu aniversário - uso o presente, pois você permanece VIVA no coração de todos que lhe amam! Faz 8 anos que você nasceu para trazer alegria para família Marcenal.
Nessa cartinha, segue meu compromisso em lutar por JUSTIÇA independente de qualquer ameaça ou dificuldade que surja no caminho.
Joanna Marcenal, hoje você é a filha de todos que querem acreditar na imparcialidade dos que fizeram o juramento de exercer com dignidade e independência defendendo a Constituição, os direitos humanos, a justiça social e a boa aplicação das leis.
Nós continuamos a lutar por um mundo mais digno e humano, por uma sociedade ética e um poder judiciário que sacie a fome e a sede de justiça.


*Das 8 faixas colocadas no Rio de Janeiro essa eles não conseguiram arrancar.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Joanna Marcenal e o esquecimento da imprensa brasileira


Milton Cunha,
Impecável sua coluna no “O Dia” de ontem.
Lamento somente não ter citado o Caso Joanna Marcenal que se arrasta há quase dois anos  no vai e vem da Justiça e no esquecimento de grande parte da imprensa brasileira.

Fadas, reis e madrastas aqui e agora

Os contos de fadas nos revelam todo o mistério da alma humana. A psicanálise interpreta esses personagens como metáforas, símbolos de fases e acontecimentos importantes na vida de todos nós. Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, seria o grande momento em que a menina vira mocinha (sangue, menstruação, cor vermelha). E o desejo sexual da menina tem no caçador o grande objeto.

Mas Branca de Neve é a maior de todas as histórias, porque primeiro ela nos coloca de frente com o perigo que toda criança corre: o ódio de alguns adultos. E tem vindo de algumas madrastas os atos tresloucados que tanto nos comovem. Claro que tem madrasta que é melhor que mãe e mãe que é pior que madrasta. Mas não é dessas que estamos tratando aqui. E segundo: a criança pode ser interpretada pelo algoz como prova de que existe amor verdadeiro, e isso ser insuportável para o doente que a matará. Por exemplo: no caso Nardoni, a menina Isabela era amadíssima pela mãe e, em sua doçura, despertou a cruela que não podia conviver com o fruto de um amor. Era preciso destruí-la e, mais que isso, convencer o pai de que isso era imprescindível.

Tem também a amante que sequestrou a filha do casamento de seu homem, levou para o motel e matou a menina. Essa deve ter sacado que feriria mais o pai matando a filha que matando a esposa. E, mais que isso, achou que destruiria o casamento deles de forma definitiva, colocando entre eles o cadáver de sua filhinha. Nunca menosprezem essas doidas. Elas raciocinam para o golpe ser certeiro.

E agora o pequeno negrinho da têmpora roxa, da perna quebrada, dos olhinhos fechados em silêncio profundo de indagação: o que eu fiz? Por que eu? Pois o pequeno anjo todo amassado, que tanto resistiu até não mais poder, é ele quem de novo nos joga na cara a figura que nem os contos de fadas ousaram imaginar: o pai biológico, que, enredado pela madrasta, avança contra a carne de suas carnes, pedaços dele mesmo, para aniquilar, destruir, fazer perecer.

Madrastas não pariram, não fecundaram, não têm a relação misteriosa da maternidade e da paternidade, energia gigantesca que desperta a proteção do lobo e da leoa. Mais que isso: a criança é a prova de que pelo menos desse ato elas estão fora, que sobre aquilo elas não têm ingerência. Para mim, a incógnita ainda mais insondável de todas é o momento final em que os pais, convencidos por veneno ou feitiço que desconheço, avançam contra o sangue de seu sangue e matam a semente de beleza que plantaram. Não se quebra osso de um filho sem o punhal cravado no próprio peito.

Milton Cunha, O Dia 24-07-2012

domingo, 15 de julho de 2012

O julgamento do Pum e o Caso Joanna Marcenal


Recebi do amigo Sergio Affonso, por e-mail, o relato do Desembargador Paulo Rangel sobre a pior audiência de sua vida.
Durante a leitura pensei ser uma piada, mas ao ler a autoria fui pesquisar no google, encontrando a postagem aqui, inclusive com comentários do autor.
Se todos pensassem e agissem como o Desembargador o Caso Joanna Marcenal não se arrastaria por quase dois anos.
Enquanto a Justiça se preocupar com o pum alheio as torturas e os homicídios vão sendo jogados para debaixo do tapete.

Meu aplauso ao Desembargador Paulo Rangel.

A pior audiência da minha vida

A minha carreira de Promotor de Justiça foi pautada sempre pelo princípio da importância (inventei agora esse princípio), isto é, priorizava aquilo que realmente era significante diante da quantidade de fatos graves que ocorriam na Comarca em que trabalhava. Até porque eu era o único promotor da cidade e só havia um único juiz. Se nós fôssemos nos preocupar com furto de galinha do vizinho; briga no botequim de bêbado sem lesão grave e noivo que largou a noiva na porta da igreja nós não iríamos dar conta de tudo de mais importante que havia para fazer e como havia (crimes violentos, graves, como estupros, homicídios, roubos, etc).

Era simples. Não há outro meio de você conseguir fazer justiça se você não priorizar aquilo que, efetivamente, interessa à sociedade. Talvez esteja aí um dos males do Judiciário quando se trata de “emperramento da máquina judiciária”. Pois bem. O Procurador Geral de Justiça (Chefe do Ministério Público) da época me ligou e pediu para eu colaborar com uma colega da comarca vizinha que estava enrolada com os processos e audiências dela. Lá fui eu prestar solidariedade à colega. Cheguei, me identifiquei a ela (não a conhecia) e combinamos que eu ficaria com os processos criminais e ela faria as audiências e os processos cíveis. Foi quando ela pediu para, naquele dia, eu fazer as audiências, aproveitando que já estava ali. Tudo bem. Fui à sala de audiências e me sentei no lugar reservado aos membros do Ministério Público: ao lado direito do juiz.

E eis que veio a primeira audiência do dia: um crime de ato obsceno cuja lei diz:
Ato obsceno
Art. 233 – Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público:
Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa.

O detalhe era: qual foi o ato obsceno que o cidadão praticou para estar ali, sentado no banco dos réus? Para que o Estado movimentasse toda a sua estrutura burocrática para fazer valer a lei? Para que todo aquele dinheiro gasto com ar condicionado, luz, papel, salário do juiz, do promotor, do defensor, dos policiais que estão de plantão, dos oficiais de justiça e demais funcionários justificasse aquela audiência? Ele, literalmente, cometeu uma ventosidade intestinal em local público, ou em palavras mais populares, soltou um pum, dentro de uma agência bancária e o guarda de segurança que estava lá para tomar conta do patrimônio da empresa, incomodado, deu voz de prisão em flagrante ao cliente peidão porque entendeu que ele fez aquilo como forma de deboche da figura do segurança, de sua autoridade, ou seja, lá estava eu, assoberbado de trabalho na minha comarca, trabalhando com o princípio inventado agora da importância, tendo que fazer audiência por causa de um peidão e de um guarda que não tinha o que fazer. E mais grave ainda: de uma promotora e um juiz que acharam que isso fosse algo relevante que pudesse autorizar o Poder Judiciário a gastar rios de dinheiro com um processo para que aquele peidão, quando muito mal educado, pudesse ser punido nas “penas da lei”.

Ponderei com o juiz que aquilo não seria um problema do Direito Penal, mas sim, quando muito, de saúde, de educação, de urbanidade, enfim… Ponderei, ponderei, mas bom senso não se compra na esquina, nem na padaria, não é mesmo? Não se aprende na faculdade. Ou você tem, ou não tem. E nem o juiz, nem a promotora tinham ao permitir que um pum se transformasse num litígio a ser resolvido pelo Poder Judiciário.
Imagina se todo pum do mundo se transformasse num processo? O cheiro dos fóruns seria insuportável.
O problema é que a audiência foi feita e eu tive que ficar ali ouvindo tudo aquilo que, óbvio, passou a ser engraçado. Já que ali estava, eu iria me divertir. Aprendi a me divertir com as coisas que não tem mais jeito. Aquela era uma delas. Afinal o que não tem remédio, remediado está.
O réu era um homem simples, humilde, mas do tipo forte, do campo, mas com idade avançada, aproximadamente, uns 70 anos.
Eis a audiência:

Juiz – Consta aqui da denúncia oferecida pelo Ministério Público que o senhor no dia x, do mês e ano tal, a tantas horas, no bairro h, dentro da agência bancária Y, o senhor, com vontade livre e consciente de ultrajar o pudor público, praticou ventosidade intestinal, depois de olhar para o guarda de forma debochada, causando odor insuportável a todas as pessoas daquela agência bancária, fato, que, por si só, impediu que pessoas pudessem ficar na fila, passando o senhor a ser o primeiro da fila.
Esses fatos são verdadeiros?

Réu – Não entendi essa parte da ventosidade…. o que mesmo?

Juiz – Ventosidade intestinal.

Réu – Ah sim, ventosidade intestinal. Então, essa parte é que eu queria que o senhor me explicasse direitinho.

Juiz – Quem tem que me explicar aqui é o senhor que é réu. Não eu. Eu cobro explicações. E então.. São verdadeiros ou não os fatos?

O juiz se sentiu ameaçado em sua autoridade. Como se o réu estivesse desafiando o juiz e mandando ele se explicar. Não percebeu que, em verdade, o réu não estava entendendo nada do que ele estava dizendo.

Réu – O guarda estava lá, eu estava na agência, me lembro que ninguém mais ficou na fila, mas eu não roubei ventosidade de ninguém não senhor. Eu sou um homem honesto e trabalhador, doutor juiz “meretrício”.

Na altura da audiência eu já estava rindo por dentro porque era claro e óbvio que o homem por ser um homem simples ele não sabia o que era ventosidade intestinal e o juiz por pertencer a outra camada da sociedade não entendia algo óbvio: para o povo o que ele chamava de ventosidade intestinal aquele homem simples do povo chama de PEIDO. E mais: o juiz se ofendeu de ser chamado de meretrício. E continuou a audiência.

Juiz – Em primeiro lugar, eu não sou meretrício, mas sim meritíssimo. Em segundo, ninguém está dizendo que o senhor roubou no banco, mas que soltou uma ventosidade intestinal. O senhor está me entendendo?

Réu  -  Ahh, agora sim. Entendi sim. Pensei que o senhor estivesse me chamando de ladrão. Nunca roubei nada de ninguém. Sou trabalhador.
E puxou do bolso uma carteira de trabalho velha e amassada para fazer prova de trabalho.

Juiz – E então, são verdadeiros ou não esses fatos.

Réu – Quais fatos?

O juiz nervoso como que perdendo a paciência e alterando a voz repetiu.

Juiz – Esses que eu acabei de narrar para o senhor. O senhor não está me ouvindo?

Réu – To ouvindo sim, mas o senhor pode repetir, por favor. Eu não prestei bem atenção.

O juiz, visivelmente irritado, repetiu a leitura da denúncia e insistiu na tal da ventosidade intestinal, mas o réu não alcançava o que ele queria dizer. Resolvi ajudar, embora não devesse, pois não fui eu quem ofereci aquela denúncia estapafúrdia e descabida. Típica de quem não tinha o que fazer.

EU – Excelência, pela ordem. Permite uma observação?

O juiz educado, do tipo que soltou pipa no ventilador de casa e jogou bola de gude no tapete persa do seu apartamento, permitiu, prontamente, minha manifestação.

Juiz – Pois não, doutor promotor. Pode falar. À vontade.

Eu – É só para dizer para o réu que ventosidade intestinal é um peido. Ele não esta entendendo o significado da palavra técnica daquilo que todos nós fazemos: soltar um pum. É disso que a promotora que fez essa denúncia está acusando o senhor.
O juiz ficou constrangido com minhas palavras diretas e objetivas, mas deu aquele riso de canto de boca e reiterou o que eu disse e perguntou, de novo, ao réu se tudo aquilo era verdade e eis que veio a confissão.

Réu – Ahhh, agora sim que eu entendi o que o senhor “meretrício” quer dizer.

O juiz o interrompeu e corrigiu na hora.

Juiz – Meretrício não, meritíssimo.

Pensei comigo: o cara não sabe o que é um peido vai saber o que é um adjetivo (meritíssimo)? Não dá. É muita falta de sensibilidade, mas vamos fazer a audiência. Vamos ver onde isso vai parar. E continuou o juiz.

Juiz – Muito bem. Agora que o doutor Promotor já explicou para o senhor de que o senhor é acusado o que o senhor tem para me dizer sobre esses fatos? São verdadeiros ou não?

Juiz adora esse negócio de verdade real. Ele quer porque quer saber da verdade, sei lá do que.

Réu – Ué, só porque eu soltei um pum o senhor quer me condenar? Vai dizer que o meretrício nunca peidou? Que o Promotor nunca soltou um pum? Que a dona moça aí do seu lado nunca peidou? (ele se referia a secretária do juiz que naquela altura já estava peidando de tanto rir como todos os presentes à audiência).

O juiz, constrangido, pediu a ele que o respeitasse e as pessoas que ali estavam, mas ele insistiu em confessar seu crime.

Réu – Quando eu tentei entrar no banco o segurança pediu para eu abrir minha bolsa quando a porta giratória travou, eu abri. A porta continuou travada e ele pediu para eu levantar a minha blusa, eu levantei. A porta continuou travada. Ele pediu para eu tirar os sapatos eu tirei, mas a porta continuou travada. Aí ele pediu para eu tirar o cinto da calça, eu tirei, mas a porta não abriu. Por último, ele pediu para eu tirar todos os metais que tinha no bolso e a porta continuou não abrindo. O gerente veio e disse que ele podia abrir a porta, mas que ele me revistasse. Eu não sou bandido. Protestei e eles disseram que eu só entraria na agência se fosse revistado e aí eu fingi que deixaria só para poder entrar. Quando ele veio botar a mão em cima de mim me revistando, passando a mão pelo meu corpo, eu fiquei nervoso e, sem querer, soltei um pum na cara dele e ele ficou possesso de raiva e me prendeu. Por isso que estou aqui, mas não fiz de propósito e sim de nervoso. Passei mal com todo aquele constrangimento das pessoas ficarem me olhando como seu eu fosse um bandido e eu não sou. Sou um trabalhador. Peidão sim, mas trabalhador e honesto.

O réu prestou o depoimento constrangido e emocionado e o juiz encerrou o interrogatório. Olhei para o defensor público e percebi que o réu foi muito bem orientado. Tipo: “assume o que fez e joga o peido no ventilador. Conta toda a verdade”. O juiz quis passar a oitiva das testemunhas de acusação e eu alertei que estava satisfeito com a prova produzida até então. Em outras palavras: eu não iria ficar ali sentado ouvindo testemunhas falando sobre um cara peidão e um segurança maluco que não tinha o que fazer junto com um gerente despreparado que gosta de constranger os clientes e um juiz que gosta de ouvir sobre o peido alheio. Eu tinha mais o que fazer. Aliás, eu estava até com vontade de soltar um pum, mas precisava ir ao banheiro porque meu pum as vezes pesa e aí já viu, né?

No fundo eu já estava me solidarizando com o pum do réu, tamanho foi o abuso do segurança e do gerente e pior: por colocarem no banco dos réus um homem simples porque praticou uma ventosidade intestinal.

É o cúmulo da falta do que fazer e da burocracia forense, além da distorção do Direito Penal sendo usado como instrumento de coação moral. Nunca imaginei fazer uma audiência por causa de uma, como disse a denúncia, ventosidade intestinal. Até pum neste País está sendo tratado como crime com tanto bandido, corrupto, ladrão andando pelas ruas o judiciário parou para julgar um pum.

Resultado: pedi a absolvição do réu alegando que o fato não era crime, sob pena de termos que ser todos, processados, criminalmente, neste País, inclusive, o juiz que recebeu a denúncia e a promotora que a fez. O juiz, constrangido, absolveu o réu, mas ainda quis fazer discurso chamando a atenção dele, dizendo que não fazia aquilo em público, ou seja, ele é o único ser humano que está nas ruas e quando quer peidar vai em casa rápido, peida e volta para audiência, por exemplo.
É um cara politicamente correto. É o tipo do peidão covarde, ou seja, o que tem medo de peidar. Só peida no banheiro e se não tem banheiro ele se contorce, engole o peido, cruza as perninhas e continua a fazer o que estava fazendo como se nada tivesse acontecido. Afinal, juiz é juiz.

Moral da história: perdemos 3 horas do dia com um processo por causa de um peido. Se contar isso na Inglaterra, com certeza, a Rainha jamais irá acreditar porque ela também, mesmo sendo Rainha… Você sabe.

Rio de Janeiro, 10 de maio de 2012.
Paulo Rangel, Desembargador do Tribunal de Justica do Rio de Janeiro

terça-feira, 10 de julho de 2012

Júri popular para os assassinos de Joanna Marcenal


“Talvez fosse bom que os titulares de altos postos da Justiça nunca se esquecessem de que são juízes, cônscios da sacralidade da missão. O que os faz respeitáveis não são as reverências, excelências ou eminências, mas a retidão das decisões que profiram.”
João Baptista Herkenhoff, In Questões angustiantes de Justiça.

A sociedade respira aliviada.

Homicídio Qualificado (Art. 121, § 2º - CP)

Crimes de Tortura (Art. 1º - Lei 9.455/97)

Crime Continuado (Art. 71 - CP)

E TRIBUNAL DO JÚRI!!! 


"Eles são grandes, porque nós estamos de joelhos." Tolstoi
 Nunca estivemos de joelhos diante das ameaças, carteiradas e afins.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A sociedade clama por Juri Popular no Caso Joanna Marcenal


3ª feira, 10 de Julho de 2012, será julgado o Caso Joanna Marcenal que se arrasta há quase dois anos.
O relator do processo, Desembargador Dr. José Muiños Piñeiro Filho, decidirá se o casal, pai e madrasta da menina vão a júri popular.
O caso comoveu e comove o Brasil inteiro sem que nós, pobres mortais, consigamos entender como o pai torturador confesso continua dando expediente no Tribunal de Justiça.
Dr. José Muiños Piñeiro Filho , precisamos voltar a acreditar que a faixa que cobre os olhos de Têmis – Símbolo da Justiça – signifique realmente a imparcialidade.

Processo No: 0048175-40.2011.8.19.0000

TJ/RJ - 9/7/2012 10:26 - Segunda Instância - Autuado em 14/9/2011


Classe:                      MANDADO DE SEGURANCA
Assunto:    Homicídio Qualificado (Art. 121, § 2º - CP)

Crimes de Tortura (Art. 1º - Lei 9.455/97)

Crime Continuado (Art. 71 - Cp)

  
Órgão Julgador:        SEGUNDA CAMARA CRIMINAL
Relator:                     DES. JOSE MUINOS PINEIRO FILHO
Processo originário:  0336128-89.2010.8.19.0001
. CAPITAL 3 VARA CRIMINAL
  
FASE ATUAL:            Publicação Pauta de julgamento ID: 1368922 Pág. 134
Data do Movimento: 06/07/2012 00:00
Complemento 1:       Pauta de julgamento
Local Responsável:   DGJUR - SECRETARIA DA 2 CAMARA CRIMINAL
Data de Publicação:  06/07/2012
Data da Sessão:       10/07/2012 13:01
Nro do Expediente:   PAUTA/2012.000043
ID no DJE:                 1368922

  

Leia também: 
 













sábado, 26 de maio de 2012

Joanna Marcenal - 2 anos de setença de morte


Hoje, 26 de Maio, dois anos que Joanna Marcenal foi retirada do convívio de sua mãe para ser entregue somente um corpo torturado e sem vida.

Transcrevo o GRITO DE SOCORRO dessa mãe que há dois anos sofre e busca por JUSTIÇA.


Hoje, 26 de maio, faz 2 anos que entreguei minha filha por ORDEM JUDICIAL à guarda do próprio assassino, seu pai torturador confesso.

As suas vidas continuam e seus projetos idem. Juíza e psicólogas responsáveis pela inversão da guarda, ainda que provisória, trafegam livre por suas vidas sem sentido, creio eu, exceção se o objetivo era mesmo dar fim à vida da Joanna.

O pai e madrasta zombam de nós ao continuar livres e impunes na condição de guardiões de crianças  mesmo tendo dado, sob tortura continuada, morte à própria filha.  Mastigaram a cria como fazem animais odiosos famintos de raiva, ódio, ciúme, desprezo e horror.

Hoje imagino, como médica que sou, e não posso deixar minha essência, que nem corpo mais há naquele esquife. Na sepultura apenas grama cobre o túmulo e alguns cataventos e cartazes com desenhos feitos e deixados por crianças vez por outra. Acabou-se até o corpo.

Dilacerada em vida minha filhinha lutou por 26 dias para denunciar sua saga de destruição em vida. Era valente! Sabia que Deus não dormia. Pedia-me que orasse quando os irmãos ficavam doente. Ia à escola cantando; ”te amo, mãe, você é da hora, mas é que agora tá na hora de ir pra escola.”

Amava a bicicleta que já estava sem rodinhas. Sabia ler e escrever. Andava na ponta do pé como bailarina. Nunca dizia não aos irmãos. Era doce, amável e confiante. Consolou-me antes de partir e deixou-me uma missão: Cuidar de seus irmãos.

Quem cuidará dela?

Porque tanta demora em fazer Justiça?

Por quais pessoas se faz Justiça nesta Terra?

Eu te amarei minha filhinha por toda vida.

“Agora pois permanecem estes três : A fé , a esperança e o amor, mas o maior destes é o amor”.

Cristiane Cardoso Marcenal Ferraz

Mais detalhes sobre o Caso Joanna MarcenaL:

Caso Joanna Marcenal I – ALERJ - Depoimento Cristiane Marcenal


Caso Joanna Marcenal II – ALERJ - Depoimento Cristiane Marcenal


Caso Joanna Marcenal III – ALERJ - Depoimento Cristiane Marcenal

Torturar pode? – Deputada Cidinha Campos


Caso Joanna Marcenal


Obs: O processo encontra-se PARADO desde Outubro.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Igualdade Já!


Alô bacharéis e “bacharelas”,

Vamos iniciar uma campanha para que nossa polícia apure os crimes pendentes com a mesma rapidez que descobriu e prendeu os hackers daquela atriz global. #naoaquentomaisnoticiasosbreoassunto

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Desembarga-Dor


Há algum tempo venho questionando determinadas decisões judiciais, que me fazem desesperançosa  na imparcialidade da justiça.

Através de um amigo conheci alguns artigos do Professor João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado, escritor, autor de 39 livros que relata sua vivência jurídica com os olhos da ética, da generosidade e da solidariedade. Acendeu em mim a esperança de um novo tempo.

Há alguns meses  recebi por e-mail a decisão de um desembargador que me deixou orgulhosa de ser contemporânea do Dr. José Luiz Palma Bisson.

Com referência ao caso em questão deixo para reflexão um pensamento de Anatole France: “Os seres humanos estão sempre se matando por causa da palavra, ao passo que, se tivessem compreendido o que elas queriam dizer, ter-se-iam abraçado uns aos outros”.

Regina Coeli Carvalho
s.d

Desembargador do TJ/SP dá verdadeira aula de humanismo

Abaixo, a decisão do desembargador José Luiz Palma Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida num recurso de agravo de instrumento ajuizado contra despacho de um magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da justiça gratuita a um menor, filho de um marceneiro que morreu depois de atropelado por uma motocicleta.

O menor ajuizou uma ação de indenização contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário-mínimo, mais danos morais decorrentes do falecimento do pai. Por não ter condições financeiras para pagar custas do processo, o menor pediu a gratuidade prevista na Lei 1060/50. O juiz, porém, negou-lhe o direito, argumentando que ele não apresentara prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por "advogado particular".
Eis o relatório de desembargador:
"Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem ele , com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.
Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em pau-brasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.
Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.
O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.
Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.
Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d?água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.
Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos?
Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.
Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal.
É como marceneiro que voto.
José Luiz Palma Bisson - relator sorteado"
Fonte: http://www.oab-rj.org.br/index.jsp?conteudo=15197

sábado, 24 de março de 2012

Joanna Marcenal e Lavínia Azeredo


Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, era uma menina linda, feliz, cheia de saúde e vida. Teve a vida e os sonhos destruídos pela tortura e crueldade, na casa de seu pai, o funcionário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, André Rodrigues Marins, e sua mulher, Vanessa Maia Furtado Marins.
Faleceu em 13 de Agosto de 2010. *

A menina Lavínia Azeredo foi morta por asfixia com o cadarço do próprio tênis, assassinada pela ex-amante de seu pai, Luciene Reis Santana, em 28 de fevereiro de 2011.**

A Justiça do Rio de Janeiro condenou, no final da noite de quinta-feira, Luciene Reis Santana a 43 anos de prisão pelo assassinato da menina Lavínia Azeredo, 6 anos. ***

Enquanto isso o Caso Joanna Marcenal continua parado....

A assassina da menina Lavínia é negra e pobre.

Tirem suas conclusões.



Fontes:



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Carta para Joanna Marcenal

Joanninha,
Infelizmente não a conheci em vida, mas aprendi a lhe amar através das suas fotos, das histórias contadas pela sua mamãe. Pela sua garra em permanecer em coma durante 26 dias para que a verdade pudesse vir à tona.
Mundo cruel esse em que você viveu durante cinco anos, onde pessoas maltratam crianças para se vingarem da rejeição.
Falsos profetas pregam a paz, mas seus comportamentos diabólicos denunciam suas mentes perversas.
Pessoas que se acham poderosas são cúmplices de crimes hediondos, porém todos trazem na testa a marca da tortura.
Hoje é seu aniversário - uso o presente, pois você permanece VIVA no coração de todos que lhe amam! Faz 7 anos que você nasceu para trazer alegria para família Marcenal.
Nessa cartinha, segue meu compromisso em lutar por JUSTIÇA independente de qualquer ameaça ou dificuldade que surja no caminho.
Joanna Marcenal, hoje você é a filha de todos que querem acreditar na imparcialidade dos que fizeram o juramento de exercer com dignidade e independência defendendo a Constituição, os direitos humanos, a justiça social e a boa aplicação das leis.
Nós continuamos a lutar por um mundo mais digno e humano, por uma sociedade ética e um poder judiciário que sacie a fome e a sede de justiça.


Leia também:




Regina Coeli Carvalho
Publicado no Recanto das Letras  em 20/10/2011
Código do texto: T3287119

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Poeta e o Juiz

Em Cachoeiro de Itapemirim (ES) o povo ergueu na praça principal o busto de um poeta. E esculpiu nesse busto versos do poeta. O poeta chama-se Newton Braga, tão universal e humano quanto seu irmão, o cronista Rubem Braga, embora menos conhecido do que este porque escolheu residir na sua terra natal.

O primeiro aspecto a realçar é que a homenagem máxima da cidade foi fruto de uma subscrição popular. Centenas de pessoas assinaram a lista de doações tendo havido contribuições minúsculas, algumas destas sumamente expressivas porque os signatários colocaram toda a força da alma ao assinar. Destaque-se ainda que não se tributava honra a um homem de poder, como é bem mais comum ocorrer.

Os versos esculpidos no granito são os versos finais do poema “Fraternidade”:

 Esta sensibilidade, que é uma antena delicadíssima,
 captando pedaços de todas as dores do mundo,
 e que me fará morrer de dores que não são minhas.

Vejo uma identidade entre o juiz e o poeta. O juiz também morre de dores que não são suas. Deve ser capaz de viver o drama dos processos, descer às pessoas que julga, incorporar na alma a fome de Justiça do povo a que serve.

O juiz haverá de ser um misto de juiz e poeta, não com o sentido pejorativo que se desse a essa fusão. Mas com o verdadeiro sentido que há em ver como atributos da Justiça a construção da Beleza, obra do artista, e a construção do Bem, obra do homem que procura trilhar o caminho da virtude.
  
Diverso e oposto desse paradigma de juiz seria o juiz distante, distante e equidistante, cuja pena se torna para ele um peso, não por sentir as dores que não suas, mas pelo enfado de julgar, pela carência do idealismo e da paixão que tornariam seu ofício uma aventura digna da dedicação de uma existência.
  
A lei como instrumento de limitação do poder é um avanço da cultura humana, caracteriza o Estado de Direito.

Mas a tábua de valores de um povo não está apenas na lei. Está sobretudo no estofo moral dos aplicadores da lei. Não há arquitetura política, sistema de freios do poder, concepção de instâncias superpostas a permitir a utilização de recursos, não há enfim engenharia processual que assegure a um povo tranquilidade e Justiça se os juízes forem corruptos, preguiçosos, egoístas, estreitos, sem abertura para o social, ciosos apenas de suas vaidades.

O juiz-poeta será aberto ao universal porque a Poesia descortina os horizontes do mundo e rompe com as estreitezas.
  
Aberto ao universal, terá do Direito uma visão sistêmica, percebendo a relação do Direito com os outros saberes humanos. Portador de cultura ampla, impulsionado pela Poesia a ver sempre além, terá consciência de seu papel social, mediador de culturas num Brasil plural.
  
O juiz-poeta cultivará o estudo, o trabalho intelectual, os livros. Seguirá o conselho de Olavo Bilac: “Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino escreve! No aconchego do claustro, na paciência e no sossego, trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

O juiz-poeta não se fechará no estreito mundo do jurídico e menos ainda no estreito mundo de códigos e leis interpretados literalmente. Abrirá as janelas para enxergar toda a complexidade dos problemas humanos, pensará sempre nas consequências sociais de suas decisões. Nunca lavará as mãos, como Pilatos, jogando sobre o legislador a culpa por sentenças que, a seu próprio critério, sejam profundamente injustas, sem o esforço de buscar caminhos de interpretação para que prevaleçam, nos julgados, os valores éticos que a própria Constituição Federal coloca como parâmetros da organização social brasileira, como muito bem analisou em livro o jurista gaúcho Juarez Freitas.
  
Um juiz e uma Justiça que participem do esforço de superação das injustiças estruturais, isto é o que se espera como programa de ação de um Judiciário sensível e vigilante. Em síntese: juízes-poetas que se desdobrem para fazer da Justiça uma obra de Poesia e de Grandeza.



HERKENHOFF, João Baptista. O poeta e o juiz. Disponível em http://www.lfg.com.br - 01 de dezembro de 2010.

*Os grifos são meus.

Dedicado à Juíza Paula Fernandes Machado de Freitas


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

1 ano sem Joanna Marcenal


Sua presença é muito importante!
Será na véspera do dia dos pais, dia que nos traz recordações de nossa infância, do carinho recebido e não podemos ficar imune ao sofrimento dessa criança vítima de maus tratos da madrasta e de seu pai biológico, que se encontram livres e debochando daqueles que clamam por justiça.
Saiba mais sobreo caso e assine a petição públuca clicando nos links abaixo.







sexta-feira, 8 de julho de 2011

Juan e Joanna e a indignação da sociedade



PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS

 NOTA PÚBLICA

Sobre a confirmação do assassinato do menino Juan Moraes, no Rio de Janeiro, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República vem a público manifestar:

1 – É inaceitável o homicídio bárbaro de uma criança em qualquer situação. A evidência do envolvimento direto de agentes públicos, que têm a obrigação de zelar pela segurança da população, torna o episódio ainda mais revoltante.

2 – Desde que foi notificada do caso, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República vem cumprindo com o seu papel, acompanhando a investigação e oferecendo proteção à vida dos familiares de Juan. Estes permanecerão sob proteção federal enquanto houver risco à sua integridade física.

3 – O governo brasileiro não tolera esse tipo de crime contra qualquer ser humano. A situação se agrava por se tratar de uma criança que é, segundo a Constituição Federal, prioridade absoluta, que implica primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias.

4 – A expectativa da sociedade brasileira é que sejam tomadas todas as medidas para que os responsáveis não fiquem impunes. Nesse sentido, é fundamental que o governo do estado do Rio de Janeiro atue de forma firme e competente para identificar os responsáveis, a exemplo do que fez no afastamento do delegado que acompanhava o caso e agiu inadequadamente diante dos fatos. O governo federal acompanhará de perto os desdobramentos para garantir justiça e evitar a impunidade.

Brasília/DF, 6 de julho de 2011.


Maria do Rosário Nunes
Ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e Presidenta da Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente




A população do Rio de Janeiro se solidariza com a família do menino Juan e implora a Senhora Ministra a mesma indignação com o Caso Joanna Marcenal.


"A sociedade brasileira não tolera mais a impunidade."
Antonio Carlos Biscaia
Fonte: http://www.biscaia.com.br/site/, acessado em 08 de Julho de 2011 as 16.57.





domingo, 26 de junho de 2011

Eu digo NÃO!

“Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.“
Manuel Alegre

 Joanna Marcenal no seu aniversário de 5 anos

Como o poeta eu continuo a dizer NÃO para a injustiça que reina no Rio de Janeiro. Além do nariz de palhaço agora nos oferecem orelhas de burros.
Diga NÃO ao corporativismo, aos desmandos, a liberdade dos assassinos de Joanna Marcenal.
Assine a petição e se puder compartilhe o link.


Mais informações: Blog Caso Joanna Marcenal

Veja também:
Passividade

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Disse meu anjo...

Disse meu anjo...

Quando eu nasci não apareceu um anjo torto como o de Drummond que dissesse: “Vai, Regina! Ser gauche na vida”.

Sequer apareceu o anjo safado do Chico para decretar que eu estava predestinada a ser de todo ruim.

O anjo muito louco, protetor do Torquato Neto, também não se fez presente para dizer que eu deveria desafinar o coro dos contentes.

O meu anjo, um maluco beleza, parceiro do anjo esbelto da Adélia Prado também me disse que mulher é desdobrável.

E acrescentou:
Vai, Regina,
Vai aprender o prazer de ser alegre,
Vai aprender o poder do afeto,
Vai aprender a ter um olhar generoso com aqueles que sofrem,
Vai aprender com seus alunos e pacientes,
Vai aprender a ser solidária,
Vai aprender a ser amiga, parceira e companheira,
Vai aprender com a sabedoria dos mais velhos e dos mais novos,
Vai aprender a ser mãe,
Vai aprender a gostar de poesias, mesmo que não seja poeta,
Vai aprender a respeitar as diferenças.
Vai lutar por JUSTIÇA!

Vai, Regina.
Vai aprender a ser gente!
Regina Coeli Carvalho


Esclarecimento necessário: Nunca ativei moderação de comentários, pois as pessoas que visitam meus blogs são pessoas de bem e de um modo geral comungamos das mesmas idéias poéticas.
Não aceito que alguém leia um comentário meu em outro blog sobre um caso de justiça e, querendo aparecer, faça comentários dispensáveis e inconvenientes sobre o que escrevi. Quer dar sua opinião, dê então por lá.
Continuarei a lutar por Justiça no Caso Joanna Marcenal e aqueles que querem ser defensores dos assassinos, que o façam com argumentos, pois meu embasamento se encontra nos laudos do IML e no processo judicial.