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terça-feira, 11 de setembro de 2012

A vida gritando nos cantos


“Outro dia, uma amiga se queixou ao telefone: ‘Tenho vinte e sete anos e descobri que, até agora, tenho me alimentado de migalhas’. Falei qualquer coisa banal & consoladora, como ‘a vida é assim mesmo, paciência’ — e desliguei. Só não desliguei a cabeça: a frase ficou dias dando voltas dentro dela. Até que, não lembro bem como, de algum lugar de dentro de mim veio a resposta que não cheguei a dar à minha amiga: ‘Mas será que isso que você chama de migalhas não será, afinal, o próprio pão?’”


A vida gritando nos cantos
Caio Fernando Abreu, Editora Nova Fronteira
 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Carta para o Caio


Querido Caio,
Hoje é seu aniversário.
De repente, senti uma vontade imensa de escrever pra você.
Tenho o maior orgulho de ser sua contemporânea. Quando li “Limite branco” e “O ovo apunhalado”, ainda adolescente, confesso que não entendi muito bem - estava na fase romântica, sua ironia em alguns trechos não foram bem captadas por mim. Mas algo ficou no ar. A vontade de ler posteriormente com mais tempo e disposição (acredito que nascia, ainda que inconsciente, uma vontade de o conhecer melhor).
Mais madura, percebi outro Caio, diferente daquele que minha percepção foi capaz de absorver inicialmente.
Desde então li tudo que você escreveu: tenho na minha estante o “Cantinho do Caio”, logo abaixo do “Cantinho do Pessoa” - os outros autores estão juntos e misturados.
No exercício do magistério, incentivei muitos jovens a ler a  sua obra, embora não seja professora de Literatura, acredito que os significados psicológicos que sua escrita contém são caminhos indispensáveis para ajudar no olhar para o outro.
Em 2009, quando do lançamento do livro da Paula Dip, estava de viagem marcada para Portugal. Sem poder esperar para ler “Para sempre teu, Caio F.", dei uma escapa na Livraria da Travessa, a única onde o poderia comprar num domingo de manhã.
Não senti as horas de viagem. A leitura de suas cartas me fizeram viajar para outro mundo: o das pessoas sensíveis, delicadas, gentis, irônicas, que estão sempre prontas para o outro e abertas para o amor. Assim é (era?) você.
Você afirmou: “Queria tanto que alguém me amasse por alguma coisa que escrevi”. Hoje há uma geração que nem era nascida quando você começou a escrever e que lhe venera; trechos de sua obra nas redes sociais, nos blogs, nas dedicatórias e por ai afora.
Se você ainda estivesse entre nós sofreria muito com tanta violência, corrupção, hipocrisia, injustiças, discriminações. Talvez, sua sensibilidade o levaria para outro caminho da escrita: o das denúncias.
Não sei.
Como você, "Ando bem, mas um pouco aos trancos. Como costumo dizer, um dia de salto 7, outro de sandália havaiana".
Com todos os tropeços, continuo seguindo a sua máxima: “Um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele...Guardei a minha no bolso. E fui.”
Fique bem.
"Vai um cheirinho de alecrim e muito carinho",
Regina Coeli Carvalho

“Tenho pena das pessoas que não escrevem cartas.”
“A gente não deve permitir que as cartas se tornem obsoletas, mesmo que, talvez, já tenham se tornado.”
Caio Fernando Abreu

Dedico essa homenagem ao Paulo César, meu ex-aluno, filho do coração, que de Berlim me envia cartas. Quando o presenteei com "Para sempre teu". Caio F., livro da Paula Dib, publicação das cartas trocadas entre eles, meu lindinho falou: "Vamos guardar nossas cartas, quem sabe publicaremos um livro." Estou em débito, ele escreve mais do que eu.

Regina Coeli Carvalho
Publicado no Recanto das Letras em 12/09/2011
Código do texto: T3216079

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Caio Fernando Abreu

Foto retirada do Google de autoria desconhecida

Tenho o maior orgulho de ser contemporânea de Caio Fernando Abreu.
Comecei a ler seus contos ainda adolescente e o encanto foi de imediato. Li todos os seus livros e o último escrito pela Paula Dip, li quase que a metade durante uma viagem para Portugal. Não conseguia parar a leitura embora o sono se fizesse presente.

Hoje, 12 de Setembro, Caio faria 62 anos.

Deixo minha saudade neste trecho de sua obra:
“(...) há pequenos agostos embutidos no entremeio dos doidos setembros.”
Caio Fernando Abreu

*Programei a postagem para o dia 12 e só hoje observei que havia colocado o ano de 2011, por isso não foi publicada no dia.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Nossa papética fragilidade...

Porque o amor, como a morte, também existe - e da mesma forma dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte - pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) - nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade."


Caio Fernando Abreu, Em memória de Lílian, In Pequenas Epifanias

sábado, 16 de maio de 2009

Um carinho para os amigos...

Tenho estado muito ocupada sem muito tempo para responder e-mails, visitar blogs amigos e retribuir as visitinhas

Deixo as palavras de Caio para o nosso sábado e quando as urgências aparecem a gente coloca tudo no bolso e dá um colinho.

Meu carinho procês.







terça-feira, 21 de abril de 2009

Hoje Caio fala por mim

Arte do amigo Paschoal Ambrosio, criador do “Com o grilo na cuca” lá pelos anos 80. Saudade de você!


"Não me mande coisas assim raivosas. Eu não tenho anticorpos para esse tipo de coisa." Caio Fernando Abreu


"Não, não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto - se tomada com cuidado, verto água límpida sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto mas, se tocada por dedos bruscos num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada." Caio Fernando Abreu, In Morangos mofados


“Aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia, e mesmo assim insisto.” Caio Fernando Abreu



sexta-feira, 8 de agosto de 2008

"Tive vontade de sentar na calçada da rua Augusta e chorar, mas preferi entrar numa livraria, comprar um caderno lindo e anotar sonhos"

Caio Fernando Abreu

Imagem enviada pelo amigo Max

segunda-feira, 9 de junho de 2008

...O meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus...como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando! Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 25 de abril de 2008


Foto: Anna Clara Carvalho

"Pensamentos, como cabelos, também acordam despenteados."

(Caio Fernando Abreu, Pequenas Epifanias, Lição para pentear pensamentos matinais)

Meus pensamentos amanheceram desgrenhados após ler essa reportagem:

DO_MAL.COM

Juliana Tiraboschi


Nas últimas semanas, fui uma jovem deprimida à beira do suicídio. Também fui um pedófilo buscando pornografia infantil, uma menina ingênua assediada por homens mais velhos em chats e uma garota anoréxica procurando dicas para emagrecer. Não, leitor, não estou sofrendo de múltipla personalidade. Esses personagens fictícios me acompanharam durante uma investigação sobre o que acontece de pior nas redes de relacionamento da internet.

Ninguém nega que sites como Orkut, Myspace e Facebook, além de fóruns e listas de discussão, são ferramentas sensacionais de comunicação. Mas há quem use esses sites para aprender a construir bombas e violar mercadorias. Para disseminar intolerância e violência. Ou incentivar comportamentos perigosos como anorexia e suicídio. A facilidade para discutir em grupo coisas sombrias levanta uma questão: onde termina a liberdade de expressão e onde começa o crime? Além da lei, outra questão: o que fazer?

(....) Leia a reportagem na íntegra:

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG82628-7855-201,00-DOMALCOM.html

Onde estão os valores éticos?