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segunda-feira, 8 de julho de 2013

O andarilho leitor


Ilustração: Homem lendo, André Deymonaz

 
Pela manhã um engarrafamento monstruoso, trânsito desviado, motoristas desavisados, o caos na cidade. O bom humor dá lugar à indignação por tantas obras maquiadas e nenhum respeito pelo povo.
Voltando para casa, agora à noite, encontro o andarilho leitor. Sentado embaixo da banca de jornal aproveitando a iluminação do supermercado com um livro aberto e uma caneta o que sugere que faz marcações durante a leitura.
Em Laranjeiras ele transita sempre arrumadinho com uma mochila, colchonete enrolado, guarda-chuva e sempre acompanhado de um livro.
Desci do carro, dei boa noite e perguntei-lhe que tipo de leitura ele gostava. Com a fala mansa respondeu-me:
-Qualquer uma.
Perguntei seu nome.
-Daniel.
-Eu me chamo Regina e vou trazer uns livros para o senhor.
Um sorriso tímido iluminou seu rosto negro.
Amanhã vou ao seu encontro retribuir o presente que ele me deu.
Sim, voltei para casa com o sentimento de que há esperanças....

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Gigantes da Lira, o bloco poético



Em criança, criada no subúrbio, freqüentava junto a minha família o bloco do Boizinho. Reunião de famílias que levavam suas crianças a pular ao som de marchinhas acompanhando os passos do boi.
Na adolescência, trabalhando e estudando, passei a preferir os bailes dos clubes.
Quando do nascimento da Clara passamos a viajar no período de carnaval.
Em 2002 meu irmão, Sergio, fundou o bloco “A Toca de Don Ratão” que desfilava pelas ruas do Condomínio Palm Beach em Praia Seca.
Acompanhei o bloco durante 6 anos, posteriormente não me motivei mais a pegar estrada, enfrentar engarrafamentos, conviver com os espertinhos que furam as filas para trafegar pelos acostamentos.
Em 2008 acompanhei pela primeira vez o Gigantes da Lira, bloco fundado 1m 1999 pela Sra. Yeda  Dantas que dá voz ao personagem Dr. Giramundo.
Escusado de dizer do meu encantamento. O verdadeiro carnaval de “antigamente”,
Famílias reunidas, crianças fantasiadas, músicas lúdicas, algumas marchinhas antigas, sem contar a famosa homenagem a Dona Elizabeth, momento que a Banda toca Carinhoso em serenata abaixo de sua janela. Momento de lágrimas que rolam ao meio de purpurinas, confetes e serpentinas.
Este ano dona Elizabeth não estava lá e sua janela vazia foi motivo de carinhas tristes e perguntas que ficaram no ar.
Esse é o carnaval que precisa ser resgatado.
Como disse a Yeda, na abertura do desfile, o Gigantes da Lira é poesia, é lúdico é encantamento.
Que nossas crianças possam conviver durantes muitos anos com essa alegria que resgata o valor das famílias na participação das atividades lúdicas de seus filhos.
Parabéns Yeda por ter contribuído com a alegria do carnaval de Laranjeiras.
Parabéns aos integrantes e organizações do bloco pelo espírito de solidariedade e organização.
Parabéns para nós que ficamos um pouco mais esperançosos que algo nesse país pode ser saudável sem que nossos governantes dêem seus palpites com o objetivo a curto ou longo prazo de privatizar também o carnaval de ruas.