quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Como será daqui pra frente?

Image: http://www.editorial100.pt/100palavras.htm

Estive vendo as novas regras da ortografia.

Na verdade, já tinha esbarrado com elas trilhares de vezes, mas apenas hoje que as danadas receberam uma educada atenção de minha parte.

Devo confessar que não foi uma ação espontânea.

Que eu me lembre, desde o ano retrasado que uma amiga me enche o saco para escrever a respeito. Escrevo com a esperança de que diminua o volume de e-mails e torpedos que ela me envia. Em suma, que as novas regras ortográficas a mantenham sossegada por um bom tempo.

Cai o trema!

Aliás, não cai... Dá uma tombadinha.

Linguiça e pinguim ficam feios sem ele mas quantas pessoas conhecemos que utilizavam o trema a que eles tinham direito?

Essa espécie de "enfeiação" já vinha sendo adotada por 98% da população
brasileira. Resumindo, continua tudo como está.

Alfabeto com 26 letras? O K e o W são moleza para qualquer internauta,
que convive diariamente com Kb e Web-qualquercoisa. A terceira nova letra de nosso alfabeto tornou-se comum com os animes japoneses, que tem a maioria de seus personagens e termos começando com y. Esta regra tiraremos de letra.

O hífen é outro que tomba mas não cai.

Aquele tracinho no meio das vogais, provocando um divórcio entre elas, vai embora. As vogais agora convivem harmoniosamente na mesma palavra.

Auto-escola cansou da briga e passou a ser autoescola, auto-ajuda adotou autoajuda.

Agora pasmem!

O que era impossível tornou-se realidade.

Contra-indicação, semi-árido e infra-estrutura viraram amantes, mais inseparáveis que nunca. Só assinam contraindicação, semiárido e infraestrutura.
Quem será o estraga-prazer a querer afastá-los?

Epa! E estraga-prazer, como fica?

Deixa eu fazer umas pesquisas básicas pela Internet.

Huuummm... Achei!

Essas duas palavrinhas vivem ocupadíssimas, cada uma com suas próprias obrigações. Explicam que a sociedade entre elas não passa de uma simples parceria. Nem quiseram se prolongar no assunto. Para deixar isso bem claro, vão manter o traço.

Na contra-mão, chega um paraquedista trazendo um paralama, um parachoque e um parabrisa - todos sem tracinho.

Com alguns pontapés coloquei todos no porta-malas pra vender no ferro-velho. O paraquedista com cara de pão de mel ficou nervoso. Só acalmou quando o banhei com água-de-colônia numa banheira de hidromassagem.

Então os nomes compostos não usam mais hífen? Não é bem assim.

Os passarinhos continuam com seus nomes: bem-te-vi, beija-flor. As flores também permanecem como estão: bem-me-quer, amor-perfeito.

Por se achar a tal, a couve-flor recusou-se a retirar o tracinho e a delicada
erva-doce nem está sabendo do que acontece no mundo da Língua Portuguesa e vai continuar adotando o tracinho.

As cores apelaram com um papo estranho sobre estarem sofrendo discriminações sexuais e conseguiram na justiça, o direito de gozarem com o tracinho. Ficou tudo rosa-choque, vermelho-acobreado, lilás-médio... Porém, fique atento: cor de vinho, cor de burro quando foge.

As donas de casa quando souberam da vitória da comunidade GLS, criaram redes de novenas funcionando por 24h, para que a feira não se unisse sem cerimônia aos dias da semana. Foram atendidas pelo próprio arcanjo Gabriel que fez uma aparição
numa das reuniões, dando ordens ao estilo Tropa de Elite: - Deixe o traço!
Deu certo. As irmãs segunda-feira, terça-feira e as demais, mantiveram o hífen.

Os médicos e militares fizeram um lobby, gastaram uma nota preta pra manter o tracinho. Alegaram que sairia mais caro mudar os receituários e refazer as fardas:
médico-cirurgião, tenente-coronel, capitão-do-mar.

Uma pequena pausa para a cultura, ocasionada pelo trauma de ler muitas pérolas do Enem e Vestibular. Só por precaução...

Almirante Barroso não tem tracinho. Assim era chamado Francisco Manuel Barroso da Silva. Sim, o cara era militar da Marinha Imperial. Foi ele quem conduziu a Armada Brasileira à vitória na Batalha do Riachuelo, durante a Guerra da Tríplice Aliança.

No centro do Rio de Janeiro há uma avenida com seu nome (Av. Almirante Barroso). Na praia do Flamengo, há um monumento, obra do escultor Correia Lima, em cuja
base se encontram os seus restos mortais. Fim da pausa!

Acho que algumas regras pra este tracinho, até que simpático, foram criadas por algum carioca apaixonado. Será que Thiago Velloso e André Delacerda tiveram alguma participação no acordo?

O R no início das palavras vira RR na boca do carioca. Não pronunciamos R (como em papiro, aresta e arara), pronunciamos RR (como em ferro, arraso e arremate).

Falamos rroldana e não roldana, rrodopio e não rodopio, rrebola e não rebola.

Pois bem, numa das tombada do hífen, o R dobra e deixa algumas palavras com jeito carioca de ser: autorretrato, antirreligioso, suprarrenal. Será fácil lembrar desta regra. Se a palavra antes do tracinho (nem vou falar em prefixo) terminar com vogal e a palavra seguinte começar com R é só lembrar dos simpáticos e adoráveis cariocas.

Mais uma coisinha: a regra também vale para o S. Fico até sem graça de comentar isso, pois todos sabemos que o S é um invejoso que gosta de imitar o R em tudo. Ante-sala vira antessala, extra-seco vira extrasseco e por aí vai...

Quem segurou mesmo o hífen, sem deixá-lo cair, foram os sufixos terminados em R, que acompanham outra palavra iniciada com R, como em inter-regional e hiper-realista. Estes tracinhos continuarão a infernizar os cariocas.

O pré-natal esteve tão feliz, rindo o tempo todo com o pós-parto de uma camela pré-histórica que ninguém teve coragem de tocar no tracinho deles.

Já o pró - um chato por natureza, foi completamente ignorado. Só assim manteve o tracinho: pró-labore, pró-desmatamento.

A vogal e o h não chegaram a nenhum acordo, mesmo com anos de terapia. Permanecem de cara virada um pro outro: anti-higiênico, anti-herói, anti-horário. Estou começando a achar que as vogais são semi-hostis com as consoantes...

Ao contrário das demais, as vogais gemeas decidiram complicar e andar na contra-mão da simplificação. Daqui pra frente passarão a adotar hífen: arqui-inimigas, anti-inflacionária, micro-ondas, anti-ibérico, anti-inflamatório, micro-organismo. Sumiram todos os tracinhos, notaram? Quando não forem gêmeas, poderão sentar-se à mesma mesa: extraescolar, autoaprendizado, antiaéreo...

Uma inovação interessante: - Podem esquecer o mixto, ele foi sumariamente despedido. Puseram o misto no lugar dele.

Fiquei bolada com essa exceção: o prefixo co não usa mais hífen. Seguiu os exemplos de cooperação e coordenado, que sempre estiveram juntas.

Não estou me lembrando no momento, de nenhuma palavra que use co com tracinho. Será que sempre escrevi errado?

Quem diria que o créu suplantaria a ideia!? Teremos que nos acostumar com as ideias heroicas sem o acento agudo. Rasparam também o acento da pobre coitada da jiboia.

O acento do créu continua porque tem o U logo depois. Pelo menos a assembleia perdeu alguma coisa...

Vejo ao longe aproximar-se um bem-vindo amigo. Ele não é um bem-nascido mas foi bem-criado e tem bom-humor. Não vejo a hora de dar-lhe um abraço sem-cerimônia, mesmo que os passantes me considerem uma sem-vergonha.

Elida Kronig



Onda Verde vai ao HemoRio

Adoção, um ato de nobreza!



Assisti a poucos dias uma reportagem interessante com pessoas que foram adotadas e numa delas estava uma brasileirinha de São Paulo.

Ela estava indo ao Brasil pela primeira vez desde que fora adotada aos 4 anos por um casal alemão. Com a morte da esposa, o pai resolveu deixá-la num orfanato e dá-la para adoção. O caso é que ele tinha outros filhos maiores e nenhum parente por perto. Os pais adotivos, logo cedo, contaram para a menina que ela fora adotada. Ela cresceu sabendo logo a verdade.

Agora com 17 anos ela desejou conhecer o Brasil e os pais arranjaram até um interprete para ela. Ela queria saber do pai e dos seus outros irmãos. O interprete teve muito trabalho em achar o pai dela. Ela visitou o orfanato onde esteve e ficou ali brincando com algumas crianças enquanto esperava a responsável do orfanato localizar sua papelada. Depois de alguns dias de espera ela conseguiu saber onde morava sua família biológica. Vocês podem imaginar a emoção daquele pai? Dos irmãos que agora até filhos já tinham? E a emoção dela? Eu mesma não agüentei e chorei.

Ela os abraçou carinhosamente. Pediu uma foto da mãe e ela mesma creio eu, se viu ali naquele retrato, tão parecida com sua mãe. O pai tinha uma única foto dela, com 4 anos de idade. E ela trazia outras fotos que seus pais adotivos tinham tirado dela logo assim que eles a adotaram.

Ela quis saber onde a mãe havia sido enterrada. Foi até lá e ficou muito triste em ver que no lugar havia somente uma cruz com um número e nada mais. Ela chorou, levou flores e agradeceu por ela ter nascido. Não havia na voz dela nenhum rancor por ter sido adotada. Pelo contrário: Ela transmitia uma calma enorme, uma paz, uma felicidade.

Ao retornar à Alemanha ela resolveu aprender Português. Diz que quer voltar para visitá-los e se comunicar com a sua família.

Fiquei pensando nas crianças que o Brasil tem nos orfanatos esperando para ser adotadas. Não é nem por falta de pais não. Mas porque a burocracia é grande demais.

Adotar uma criança é um sentimento de nobreza e quem chega para adotar também já viveu parte de uma história muito triste ou pela perda de filhos ou por saber que uma das partes do cônjuge não pode ter filhos.


A fila de espera nos corredores da burocracia é enorme e apesar de vários sites e ONGs agirem na área, sei que há blogueiros que gostariam de tocar nesse assunto até mesmo por serem pais adotivos.

Dácio e eu estreitamos os nossos pensamentos e idéias. Ele no Brasil e eu aqui na Alemanha;)

Como já estou há uns bons anos fora, ele me enviou um link me colocando a par do mais recente projeto aprovado na câmara sobre Adoção que foi encaminhado ao Senado para revisão.

Geórgia, Saia Justa- Ano III

http://saia-justa-georgia.blogspot.com/2008/10/adocao-um-ato-de-nobreza.html


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Abençoada seja a paixão de ensinar


Conte-me, e eu vou esquecer.

Mostre-me, e eu vou lembrar.

Envolva-me, e eu vou entender. (Confúcio)


Vivemos tempos em que é permitido pisotear flores, ignorar pérolas, subjugar pessoas e a mãe natureza. Mas, em especial, também é um tempo em que é permitido menosprezar aquelas e aqueles que, heroicamente, tecem histórias suas, e de outros, construindo o mundo da vida e da sabedoria. Estes são tempos em que aqueles que cuidam, não são cuidados. Aqueles que educam, não são valorizados. Aqueles que amam, sofrem com o deboche e o desprezo daqueles que não acreditam mais no amor.


Somos movidos pelas nossas utopias e paixões. Mas a realidade cotidiana é sempre dura, reveladora e cheia de contradições. A vida daqueles que denominamos mestres, educadores, professores, infelizmente, também é triste e desmotivada. Sim, logo aqueles e aquelas dos quais a sociedade ainda espera muito (saber, sabor e sabedoria). Pouco valorizados e feridos em sua dignidade, mas resistem bravamente. A escola tornou-se lugar de onde se espera muitas soluções. Muitas delas estão muito além das demandas de ensino-aprendizagem e das competências a partir das quais a mesma se organiza.


Os professores não deveriam, mas já se acostumaram. Acostumaram a ganhar baixos salários. Acostumaram a ter de trabalhar 60 horas semanais para garantir mais dignidade à sua família. Acostumaram a aceitar todo o tipo de pressão que a sociedade e os governos exercem sobre seu ofício e sobre a escola. E agora, pasmem, alguns já estão se acostumando com a desesperança, que pode ser lida na expressão de seus rostos e de seus olhares. Uma constatação triste, pois sempre foram e são vistos pelos adolescentes e jovens como um alento da esperança.

Nossos professores e nossas professoras estão doentes e estressados. Cuidaram, encaminharam e salvaram vidas alheias, mas não dedicaram o devido tempo para cuidar de sua própria vida. Como contemporiza a escritora Marina Colasanti, “eu sei que a gente se acostuma, mas não devia. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. A gente se acostuma para poupar a vida, que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma”.


Apesar de já terem se acostumado com tantas coisas, a maioria mantém sua missão de semear esperanças. Converse com algum deles e você verá como resistem para não virarem meros números, como quer a burocracia estatal, nas mais recentes investidas, questionando tamanho das salas x número de alunos x carga horária de professores. Muitos deles já pensaram em desistir, mas não conseguiram. “Desistir... eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça” (Geraldo Estáquio de Souza). Ainda bem que são tomados por uma imensa paixão de ensinar.

Nei Alberto Pies, professor e militante de direitos humanos.

No dia do professor meu carinho a todos os mestres que contribuíram para o meu crescimento e um carinho especial a todos os meus alunos e ex-alunos que na nossa troca deixaram suas marquinhas em minha vida.






segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Prazeres pela metade

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido ? Uma só. Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação. O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco.

Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.

Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.

Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...

Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão..

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado' ? deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.. Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:

'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'..

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Clive Owen embrulhado pra presente. Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.

Leila Ferreira



domingo, 12 de outubro de 2008

Dia das Crianças


Balão Mágico - Depende de Nós

Chutando o Balde

Eu venho por meio desta comunicar oficialmente minha exoneração do cargo de adulto.

Eu declaro que quero aceitar as responsabilidades de alguém de 8 anos novamente.
Eu quero ir ao McDonald's e achar que estou num restaurante 5 estrelas.

Eu quero mergulhar em sanduíches, lambuzar-me todo e soprar no copo de refrigerante com o canudinho.

Eu quero pensar que biscoitos são melhores do que moedas porque eu posso come-los.

Eu quero me esticar debaixo de uma grande árvore e esgotar limonadas com amigos num dia de sol daqueles!

Eu quero voltar ao tempo em que a vida era mais simples.

Voltar ao tempo dos lápis de cor, das tabuadas, dos contos de crianças, das coisas que não me estressavam, que pouco me incomodavam.

Tempo em que tudo que eu sabia era ser feliz, sem todas aquelas coisas que dão preocupações e chateiam!

Eu quero pensar que o mundo é justo, que todas as pessoas são honestas e boas!

Eu quero acreditar que tudo é possível !

Eu quero largar as complexidades da vida e ficar tremendamente feliz com pequenas coisas.

Eu quero ser simples outra vez !

Eu não quero que meus dias sejam cheios de computadores travados, montanhas de papeladas e notícias deprimentes.

Não quero pensar em como sobreviver até o dia do pagamento nem calcular o quanto resta no banco.

Quero esquecer as pílulas do analista, as fofocas, as doenças e o medo de perder os meus queridos.

Eu quero acreditar no poder de sorrisos, dar muitos abraços, acreditar em justiça, em amáveis palavras, em verdades, em paz, em sonhos !

Eu quero acreditar no amor, na imaginação,na gentileza humana e quero desenhar anjos na areia !

Portanto ...

Aqui estão meu talão de cheques, minha carteira, as chaves do carro, meus cartões de crédito e meus 901KB de arquivos de preocupações !

Eu estou desertando oficialmente da minha condição de adulto !

E se você quiser discutir isso mais tarde, corre, vê se me acha e vem me pegar !
Eu já te peguei primeiro!

Silvia Schimidt

Largando a Lata

Conversão do Texto "Chutando o Balde"

Eu venho, por meio desta, comunicar minha exoneração de criança pobre.

Eu declaro que aceito as responsabilidades que me forem impostas como adulto de posses, o qual não tinha mais esperanças de ser.

Eu quero poder entrar num Mc Donald's, onde sempre vejo meninos menos pobres muito alegres, já que restaurantes 5 estrelas eu nem sei o que é.

Eu quero poder me lambuzar com um sanduíche inteiro, sozinho, pois os que comi eram restos que me deixaram, e beber um refrigerante cheinho, pois só consigo beber o pouco que deixam nas latinhas.

Eu quero poder comer biscoitos quando tiver vontade, pois as moedas que me dão têm pouco valor e não servem para ser comidas.

Eu quero poder entrar numa boa piscina para me refrescar e me divertir, e até deitar embaixo de uma árvore em uma bonita casa, pois árvores eu tenho lá no morro, mas às vezes nem sombra dão ...

Eu quero ter uma vida mais complexa e nunca voltar a esta mais simples.

Quero conhecer lápis de cores, saber o que é tabuada, pois conto de criança que eu conheço é de pai bêbado batendo em filho e na mulher ...

é de traficante herói do meu pedaço que mata traficante bandido do outro pedaço.
Quero esquecer destas coisas de minha infância que me estressam tanto.

Eu quero deixar de pensar que o mundo é injusto e que todas as pessoas são bandidos e desonestos.

Eu quero deixar de pensar que tudo é impossível.

Eu quero largar a complexidade desta infância, deixar de ficar tremendo de infelicidade.

Eu não sei o que é ser simples ... ou complexo ...

Só sei que tenho complexo por ser simples.

Eu não quero mais meus dias dependentes de armas destravadas para me manter vivo.

Mas vou adorar saber o que é computador travado de que tanto falam ...

Eu quero esquecer as latas de cola, os pedaços das calçadas onde durmo e o medo de ser morto a qualquer momento.

Eu quero acreditar, quando sorriem, que é sorriso de verdade, não medo do que sou: menino de rua.

Eu quero acreditar, também, na justiça, nas palavras de carinho, na ajuda sincera e verdadeira.

Quero ter sonhos ... Possibilidades.

Eu quero - mas não consigo - acreditar no amor, na imaginação, na gentileza humana,
imaginar só ir à praia para me divertir.

PORTANTO ...

Aqui estão minhas latas de cola, minhas roupas rasgadas e sujas e meu único brinquedo quebrado que encontrei no lixo.

Eu estou desertando definitivamente da minha condição de menino pobre e abandonado.

Se você quiser discutir isso agora, venha, senão poderá ser tarde demais.

Eu sou fácil de achar: estou em qualquer esquina, de madrugada .

Luiz M. Martan

Para aquelas crianças que perderam a infância tão cedo por irresponsabilidade de adultos que também não tiveram infância e por governos populistas que nada fazem para realmente darem uma infância digna a essas crianças.






sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Unamos os pés...


"Numa época em que dar as mãos já não é o suficiente ...unamos os pés.
Pode ser que dê resultado ! ! !"

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Adolescentes e Autonomia: a metáfora da pipa

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Quem já empinou pipa sabe que o segredo para o sucesso da brinca­deira está em aproveitar a força e a direção do vento para fazê-la subir e depois, quando já no ar, saber tensionar a linha, pois quando muito esti­cada rompe-se, fazendo com que a pipa solta se perca pelos ares, ou, ao contrário, quando muito frouxa, leva a pipa a rodopiar nas alturas e cair.

Temos o conhecimento de que o jovem adolescente, objetivando a au­tonomia adulta, vez por outra não apresenta ferramentas que lhe permitam um posicionamento autônomo. Assim, trata-se de um tempo de construção de autonomia, e não uma época de um comportamento autônomo.

Por esse motivo, recorro à representação da pipa. Ao “dar linha" , lança­mos nossos adolescentes para as escolhas e decisões que já são capazes de fazer. Não podemos cerceá-los, pois corremos o risco de estar possibilitando a formação de adultos irresponsáveis.

Todavia não podemos confundir autonomia com irresponsabilida­de. Os novos jovens precisam ser responsabilizados pelas suas ações, pois, se ser autônomo é "ser dono do próprio nariz", também significa saber cuidar, ser responsável pelo próprio nariz. O saber cuidar só se consolida quando ocorre um exercício de responsabilidade pelas esco­lhas realizadas e pelas conseqüências que delas possam advir.

Por outro lado, os pais não podem se esquecer de que, se tensão demais arrebenta a linha da pipa, tensão de menos faz com que ela perca a estabi­lidade e o sentido.

Deixar o adolescente solto, sem limite ou sem orientação, é uma omissão do papel educativo que deve ser exercido pelos pais. Há momentos em que, pressionados pela mídia e pelos pares, os adolescentes sentem-se oprimidos e incapazes de reações de enfrentamento a determinadas pressões. É hora de puxar e enrolar a linha para reconduzi-lo a uma postura de equilíbrio.

Pais e mães comprometidos com a educação de seus filhos não devem ter medo de dizer não. Devemos esclarecer que pais não são "coleguinhas" e que, algumas vezes, mesmo correndo o risco de sermos tomados como antipáticos, temos a responsabilidade de impor alguns limites.

Os pais, então, têm a árdua tarefa de "puxar" e "soltar" o filho, como possivelmente fizeram com a pipa, quando crianças, até que se atinja o obje­tivo da educação, ou seja, que ele saiba" gerenciar" a angústia das escolhas e vivê-las de forma intensa.

Francisca Paris, In Almanaque Saraiva, Outubro 2008.



Bom dia!!!!

Existe melhor presente que acordar e encontrar esse bilhetinho na geladeira?

Como sou abençoada......

Filha, Te amo!!!!!!!!!!!!



quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A Quem Educa


Recebi um e-mail de um amigo onde relatava a difícil tarefa de educar, de dar limites, de pais falarem a mesma linguagem, dos questionamentos de sua filha e as diferenças entre o “não” recebido na sua educação e o “não” questionado hoje pela nova geração.

Imediatamente lembrei-me deste texto que tantas vezes usei em sala de aula e embora tenha sido escrito há mais de 20 anos continua atual.

A Quem Educa...

Educa quem educará. E quem aprender a perder. Quem, ou cuja obra, permanecer muito depois do momento de educar. Educará quem for capaz de dar no presente, com decisão, coragem e sem culpas, tudo o que no futuro fizer lembrar - ainda que com dor mas se possível com muita alegria - o momento da educação.

Educar é perder sempre as batalhas do imediato. Menos o amor de quem percebe o quanto ele preside o gesto do educador. É perder qualquer pretensão do reconhecimento e saber que quando ele vier - se vier - já tempo não haverá para receber o agasalho de sua manifestação, nem como reparar as injustiças feitas, o silêncio, a falta do "muito obrigado". É perder porque é aceitar perdurar apenas na lembrança. É perder porque em qualquer sistema, em qualquer estrutura, em qualquer institucionalização de qualquer coisa sobre a face da terra, o verdadeiro educador estará ameaçando algo até mesmo tudo aquilo em que ele próprio acredita, porque o verdadeiro educador é aquele que acompanha as mutações da vida, dos tempos, dos comportamentos. É quem logo vê o abismo de imperfeições implícito no seu próprio ato de educar. Porque educar é educar-se a cada dia. E é ser capaz de eqüidistância de esquemas, sistemas ou fórmulas infalíveis e donas da verdade última das coisas.

Eu educo hoje com valores que recebi ontem para pessoas que são o amanhã. Os valores de ontem, os conheço. Os de hoje, percebo alguns. Dos de amanhã, não sei. Educo com os de ontem (os da minha formação)? Perderei os hojes e os amanhãs. Educo com os de hoje? Perderei o que havia de sólido nos de ontem e nada farei pelos de amanhã, que já serão outros. Educo com os de amanhã? Em nome do que? De adivinhações? Da minha precária maneira de conceber um amanha?

Se só uso os de ontem, não educo: condiciono. Se só uso os de hoje, não educo: complico. Se só uso os de amanhã, não educo: faço experiências à custa das crianças. Se uso os três, sofro. Mas educo.

Por isso educar é perder sem perder-se. Sempre. É ameaçar o estabelecido. Sempre. Mas é tudo isso sendo, também, integrar. Viver as perplexidades das mutações; conviver honradamente com angústias e incertezas; ir dormir cravado de dúvidas, mas ter sensibilidade para distinguir o que muda do que é apenas efêmero, o que é permanente do que é retardatário. É dormir assim e acordar no dia seguinte renovado pelo trabalho interior e poder devolver ao aluno, ao filho, a segurança, a fé, a confiança; formas éticas de comportamento, seu verdadeiro sentido de independência e de liberdade, seus deveres sociais consigo mesmo, com o próximo e com a sociedade, a parte que lhe cabe no esforço comum.

Educa quem educará. Quem for capaz de fundir ontens, hojes e amanhãs, transformando-os num presente onde o amor e o livre arbítrio sejam as bases. Educa quem educará porque capaz de dotar os seres dos elementos de interpretação dos vários 'presentes" que lhes surgirão repletos de "passados" e de "futuros".

O ser humano não é naturalmente bom nem é naturalmente mau. O ser humano é um feixe de emoções em conflitos, de poderes em confronto. Mas há alicerces básicos em seu comportamento, comuns a qualquer latitude ou longitude do terráqueo. Educa quem os fortalece, quem é capaz de dar proteínas, vigor e confiança ao lado humano do amor, mais forte que o do ódio, tanto que permite a vida do homem sobre a face da terra. E só quem educa transforma, por mais que as pessoas se iludam com o resto.

Educa a velha professora de quem nos lembramos, sabe Deus porque milênios depois num momento em que sua lembrança não tinha razões aparentes para vir à tona, como o velho tio, o amigo, o pai e mãe que voltam do passado com aquele olhar, aquela observação sobre a vida, à época julgados absurdo por nós. Educa aquele que só entendemos muitos anos depois e quando entendemos o espírito se liberta de antiga pressão, também chamada de remorso enrustido.

Educa o que nos exigiu forças que nos julgávamos desprovidos. Esforços de que nos acreditávamos incapazes. Confrontos conosco mesmos de que tanto fugimos e tantas desculpas menores encontramos para nos defrontar. Educa quem integra sempre e sempre pedaços de uma realidade eternamente mais ampla do que nós. E só quem educa, em qualquer nível ou atividade, merece viver integralmente as paradoxais intensidades de que é feita a vida.

Artur da Távola , In Mevitevendo.

*Os grifos são meus.


Vida....


Quando vem ao mundo,
o homem é frágil e sem força.
E, uma vez morto,
fica duro e rígido.
As roseiras e as grandes árvores,
quando ainda são pequenas,
vergam e são frágeis.
Quando morrem,
ficam secas e quebradiças.
É que a força e a rigidez
são companheiras da morte.
E a docilidade e a flexibilidade
são amigas da vida.
A força, definitivamente
nunca conquistou nada.


Lao Tse, citado por Frédérick Leboyer no livro "Nascer Sorrindo".


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Saudações Gabeirenses


“Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança. “

Artigo III , Os Estatutos do Homem, Thiago de Mello

Na esperança de dias melhores para o Rio de Janeiro........


Novo Homem


“Não é possível dizer-te sempre coisas novas, nem te é necessário ouvi-las. O que importa é que sejas sempre novo, que te desprendas cada dia do homem-velho, e que cada dia tornes a nascer."

Santo Agostinho


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Passando dos Cinqüenta



Meu pescoço se enruga.
Imagino que seja
de mover a cabeça
para observar a vida.
E se enrugam as mãos
cansadas dos seus gestos.
E as pálpebras
apertadas no sol.
Só da boca não sei
o sentido das rugas
se dos sorrisos tantos
ou de trancar os dentes
sobre caladas coisas.

Marina Colasanti

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A educação de berço: onde a coisa se perdeu?

Botero: família



A dúvida geral que paira na formação juvenil no mundo de hoje é a pergunta aí de cima. Poderíamos juntar milhares de respostas e, com a mais absoluta certeza, um excesso de culpa dos outros: todos os outros que não nós, pais e mães desta geração. Gostamos muito do nosso rostinho lindo e nos acreditamos bons. Alguns louvam os tapas que levaram do pai ou da mãe dizendo "no meu tempo..." e nos perguntamos "que tempo é esse?". São imagens conservadoras da formação dos humanos. Criança aprende por imitação, pelo exemplo e se hoje os jovens nos tiranizam foi porque ensinamos e permitimos isso. Bater em mulher é normal e se for empregada doméstica ou professora, mais normal ainda. Sempre agimos assim em casa e depois nos assustamos.

" O mundo está cheio de pais perplexos e, quando encontramos culturas onde a figura paterna ainda é fonte de interdição, dizemos que é uma cultura autoritária, ultrapassada e conservadora "

O mundo está cheio de pais perplexos e, quando encontramos culturas onde a figura paterna ainda é fonte de interdição, dizemos que é uma cultura autoritária, ultrapassada e conservadora. É preciso tomar cuidado com os extremos: criticamos um extremo sem admitir que estamos na outra ponta. Mas ficam aqui três questões que precisamos buscar respostas (ou atitudes). O debate está aberto.

1) Onde a coisa se perdeu, se é que se perdeu? Temos as maiores dificuldades em lidar com nossos meninos e meninas na medida que esquecemos o que fomos. Aprendemos a ser o que somos hoje por imitação. Imitamos nossos pais naquilo que eles têm de melhor e de pior. O ser humano é um imitador nato. Quando tem interesse em aprender, repete várias vezes uma ação até atingir o que considera uma perfeição. Tanto melhor se somos estimulados a isso. Lembro-me de D. Hélder Câmara, que respondia que a crise não era da juventude, mas dos velhos.

Desde pequenas as crianças aprendem o "não" como resposta. Enganamos as crianças na hora da comida dizendo-lhes que isso ou aquilo é gostoso. Criamos desde cedo uma cultura da mentira e seguimos dando este exemplo até a adolescência, quando afirmamos que sexo é pecado. (Pasmem: até hoje encontro pais com esta afirmação). Poderia citar vários exemplos, mas faça um exame no seu relacionamento com seus filhos e identifique, ao longo de sua vida, quantas vezes mentiu para eles ou perto deles. Como não os quer mentirosos hoje? Impossível: aprenderam a mentir, furar fila, desejar e consumir aquilo que não têm condições ou não podem consumir conosco, a geração mais velha.

Portanto, a coisa não se perdeu. Ela se manteve. As crianças, os adolescentes e jovens de hoje são apenas a continuidade de nossos atos. Seguem naturalmente os exemplos que nossa geração deu a eles diretamente. Ou por omissão, quando os abandonamos.

" Nas classes média e alta, foi a demissão voluntária dos pais que desmantelou as famílias. De uma forma ou de outra, criamos os menores abandonados em casa pela classe média e na rua pelos pobres "

2) Por que a coisa se perdeu, se é que se perdeu? Nas classes pobres perdeu-se na necessidade de sobreviver. Essa necessidade levou ao desmantelamento das famílias e ao abandono das crianças pelos pais numa tentativa sofrida de comprar a comida diária. Na classe média, pela necessidade das mães de colocarem-se na rua de forma honrada, como se a outra forma não o fosse. É bonito quando falamos da emancipação feminina e o quanto o trabalho contribuiu para isso. Esta beleza vale para a classe média, pois ela emancipa-se não pela necessidade biológica. Para os pobres, a necessidade de colocar mais alimentos na mesa levou pais e mães para o trabalho, distanciando-os dos filhos. Nas classes média e alta, foi a demissão voluntária dos pais que desmantelou as famílias. De uma forma ou de outra, criamos os menores abandonados em casa pela classe média e na rua pelos pobres. Qual o exemplo seguido por estes meninos e meninas abandonados?

Essa infância deseja e usa toda a tecnologia disponível no mundo sem a mediação dos pais. Aprende-se na rua muita coisa que vale a pena e que deve ser preservada. Mas aprende-se muita coisa ruim também. O que temos é uma nova cultura infanto-juvenil que não surgiu espontaneamente, mas foi sendo criada a partir de outros códigos morais e uma outra ética. A ética da rua: competitiva, selvagem, guerreira, machista. Os meninos e meninas que chegam à escola são hoje formados pela ausência paterna. Não há na formação a interdição paterna.

Naturalmente, esses jovens parecem inseminados artificialmente. Quando nascem da mãe, são amparados pela avó. Crescem cuidados pela tia ou irmã mais velha. Iniciam sua educação escolar nas mãos da professora (que chamou de tia na falta daquela). Ou seja: esta criança só vai ter um homem que vai interferir diretamente na sua formação se tiver sorte de ter um professor - em geral de educação física -, aos 11 anos de idade. Até então, cresceu sem esta interdição natural e necessária à sua formação.

" A atitude dos adultos deve sair da culpa do outro para a ação responsável. Não adianta sonhar com uma educação de berço: não existe mais berço, é preciso reconstruí-lo "

3) É possível retomar um velho projeto ou criar um novo para nossa sociedade? Sim. Sou um otimista. Um saudosista diria que devemos refazer a família como ela era. Não, a família nunca mais será a mesma. A família monoparental feminina ainda durará muito tempo. É preciso refazer o homem - o macho adulto branco de Caetano Veloso - para que ele compreenda o seu novo lugar na família, participando ativamente não apenas na concepção, mas na formação ética e moral do filho. E rever nossos meios de comunicação de massa para que invistam num novo modelo permeado por uma ética não-violenta e recheado de uma comunicabilidade educativa proporcionando lazer e prazer às novas gerações.

A atitude dos adultos deve sair da culpa do outro para a ação responsável. O que chamo de ação responsável? Estar presente no mundo, além de ser um ato de prazer é também de muita responsabilidade. Responsabilidade para com a nova geração. Falo de uma paternidade responsável que precisa ser construída na adolescência e juventude de hoje, com pena de se perder mais uma geração.

Não adianta sonhar com uma educação de berço: não existe mais berço, é preciso reconstruí-lo. É preciso reconstruir a infância enquanto direito e fato. Significa resgatar a capacidade de brincar e divertir de nossas crianças. Significa construir uma mídia que, acessada durante o dia, proporcione educação, lazer e aprendizagem significativa para as crianças e adolescentes.

Quanto ao poder público, apenas três sugestões: investir nas famílias de forma a exigir dos pais o seu efetivo papel na educação dos filhos, não os abandonando como vêm fazendo rotineiramente; investir no professor desde a primeira escola, dividindo a tarefa educativa com as professoras de forma a criar um mínimo de interdição e limites na vida das crianças; e, por último, criar espaços de convivência que caibam toda a família, e não apenas parte delas.

Dalvit Greiner ,Publicada em 14/03/2008 no Globo On line