quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Doutor? Só quem tem Doutorado!!!!!



Embora o assunto esteja um pouco passado, sempre é bom relembrar.

Há algum tempo um Juiz de Niterói entrou na Justiça contra o condomínio em que mora, por causa do tratamento de “você” dado a ele pelo porteiro, exigindo ser chamado de doutor. Pedia indenização de mais de 100 salários mínimos.

Eis a sentença:


PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

COMARCA DE NITERÓI - NONA VARA CÍVEL - Processo n° 2005.002.003424-4


S E N T E N Ç A


Cuidam-se os autos de ação de obrigação de fazer manejada por ANTONIO
MARREIROS DA SILVA MELO NETO contra o CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO LUÍZA VILLAGE e JEANETTE GRANATO, alegando o autor fatos recendentes ocorridos no interior do prédio que o levaram a pedir que fosse tratado formalmente de 'senhor'.
Disse o requerente que sofreu danos, e que esperava a procedência do pedido
inicial para dar a ele autor e suas visitas o tratamento de 'Doutor', 'senhor' Doutora', 'senhora', sob pena de multa diária a ser fixada judicialmente, bem como requereu a condenação dos réus em dano moral não inferior a 100 salários-mínimos. (...)


DECIDO:

'O problema do fundamento de um direito apresenta-se diferentemente conforme
se trate de buscar o fundamento de um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter.'(Noberto Bobbio in 'A Era dos Direitos', Editora Campus, pg. 15).


Trata-se o autor de Juiz digno, merecendo todo o respeito deste sentenciante e de todas as demais pessoas da sociedade, não se justificando tamanha publicidade que tomou este processo. Agiu o requerente como jurisdicionado, na crença de seu direito.

Plausível sua conduta, na medida em que atribuiu ao Estado a solução do conflito. Não deseja o ilustre Juiz tola bajulice, nem esta ação pode ter conotação de incompreensível futilidade. O cerne do inconformismo é de cunho eminentemente subjetivo, e ninguém, a não ser o próprio autor, sente tal dor e este sentenciante bem compreende o que tanto incomoda o probo Requerente.

Está claro que não quer, nem nunca quis o autor, impor medo de autoridade, ou que lhe dediquem cumprimento laudatório, posto que é homem de notada grandeza e virtude.

Entretanto, entendo que não lhe assiste razão jurídica na pretensão deduzida. 'Doutor' não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. Emprega-se apenas às pessoas que tenham tal grau, e mesmo assim no meio universitário.

Constitui-se mera tradição referir-se a outras pessoas de 'doutor', sem o ser, e fora do meio acadêmico. Daí a expressão doutor honoris causa - para a honra -, que se trata de
título conferido por uma universidade à guisa de homenagem a determinada pessoa, sem submete-la a exame. Por outro lado, vale lembrar que 'professor' e 'mestre' são títulos exclusivos dos que se dedicam ao magistério, após concluído o curso de mestrado.

Embora a expressão 'senhor' confira a desejada formalidade às comunicações - não é pronome -, e possa até o autor aspirar distanciamento em relação a qualquer pessoa, afastando intimidades, não existe regra legal que imponha obrigação ao empregado do condomínio a ele assim se referir. O empregado que se refere ao autor por 'você', pode estar sendo cortês, posto que 'você' não é pronome depreciativo. Isso é
formalidade, decorrente do estilo de fala, sem quebra de hierarquia ou incidência de insubordinação. Fala-se segundo sua classe social.

O brasileiro tem tendência na variedade coloquial relaxada, em especial a classe 'semi-culta', que sequer se importa com isso. Na verdade 'você' é variante - contração da alocução - do tratamento respeitoso 'Vossa Mercê'. A professora de lingüística Eliana Pitombo Teixeira ensina que os textos literários que apresentam altas freqüências do
pronome 'você', devem ser classificados como formais. Em qualquer lugar desse país, é usual as pessoas serem chamadas de 'seu' ou 'dona', e isso é tratamento formal. Em recente pesquisa universitária, constatou-se que o simples uso do nome da pessoa substitui o senhor/a senhora e você quando usados como prenome, isso porque soa como pejorativo tratamento diferente.

Na edição promovida por Jorge Amado 'Crônica de Viver Baiano Seiscentista', nos poemas de Gregório de Matos, destacou o escritor que Miércio Táti anotara que 'você' é tratamento cerimonioso. (Rio de Janeiro/São Paulo, Record, 1999).

Urge ressaltar que tratamento cerimonioso é reservado a círculos fechados da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico, como já se disse. A própria Presidência da República fez publicar Manual de Redação instituindo o protocolo interno entre os demais Poderes. Mas na relação social não há ritual litúrgico a ser obedecido. Por isso que se diz que a alternância de você' e 'senhor' traduz-se numa questão sociolingüística, de difícil equação num país como o Brasil de várias influências regionais. Ao Judiciário não compete decidir sobre a relação de educação, etiqueta, cortesia ou coisas do gênero, a ser estabelecida entre o empregado do condomínio e o condômino, posto que isso é tema interna corpore daquela própria comunidade. Isto posto por estar convicto de que inexiste direito a ser agasalhado, mesmo que lamentando o incômodo pessoal experimentado pelo ilustre autor, julgo improcedente o pedido inicial, condenando o postulante no pagamento de custas e honorários de 10% sobre o valor da causa.


P.R.I. ALEXANDRE EDUARDO SCISINIO

Juiz de Direito

In Corde Jesu, semper, Neli

03/9/2008 16:13

Acrescento um versinho do poeta português, António Aleixo, para nossa reflexão:
“Uma mosca sem valor
poisa c’o a mesma alegria
na careca de um doutor

como em qualquer porcaria.”

Gaza quer paz!!!!!!

Recebi o e-mail abaixo reproduzido, da Avaaz.org que é uma organização independente sem fins lucrativos que visa garantir a representação dos valores da sociedade civil global na política internacional em questões que vão desde o aquecimento global até a guerra no Iraque e direitos humanos. Avaaz não recebe dinheiro de governos ou empresas e é composta por uma equipe global sediada em Londres, Nova York, Paris, Washington DC, Genebra e Rio de Janeiro. Avaaz significa "voz" em várias línguas européias e asiáticas.Quem quiser se mobilizar, assinar o manifesto e repassar aos amigos os links estão ai.

Façamos a nossa parte.

Abraços a todos.

Car@s amig@s,

O derramamento de sangue em Gaza está escalando – o número de mortos já chegou a 600 pessoas sendo quase metade civis, entre eles mais de 100 crianças. Os tanques, aviões e artilharia Israelense estão bombardeando áreas densamente povoadas, incluindo escolas da ONU. Milhares estão feridos e 1.5 milhões de civis aterrorizados não têm para onde escapar mantidos como prisioneiros dentro de fronteiras fechadas. Enquanto isso o Hamas continua e lutar e lançar foguetes contra o sul de Israel, 11 israelenses foram mortos incluindo por “fogo amigo”.

O nosso chamado global por um cessar-fogo começou a ressoar alto e claro, ganhando o apoio de líderes da Europa, Oriente Médio e além, definindo assim os termos para um acordo. Porém Israel continua a rejeitar uma trégua e o Presidente dos EUA, George Bush, está barrando um cessar-fogo negociado na ONU pressionando por uma alternativa que pretende legitimar o isolamento sufocante de Israel em Gaza.


Precisamos dizer: BASTA. Não podemos deixar os EUA e companhia bloquear um cessar-fogo justo e negociado. 250.000 pessoas assinaram a petição pelo cessar-fogo, vamos mostrar que podemos conseguir meio milhão. Esta petição, com o número de assinaturas, será publicada num anúncio forte no Washington Post direcionado aos líderes americanos e será também entregue em reuniões com os membros do Conselho de Segurança da ONU. Clique no link abaixo para ver o anúncio, assinar a petição e encaminhar esta mensagem para todos os seus amigos e familiares:

http://www.avaaz.org/po/gaza_time_for_peace/

Nossos esforços podem realmente fazer a diferença – o próprio Ministro das Relações Externas de Israel admitiu que se a pressão internacional for forte o suficiente, ela pode garantir um cessar-fogo. Enquanto a comunidade internacional continua a debater demoradamente, mais civis morrem todos os dias. Os oficiais da ONU em Gaza dizem: “Não há lugar seguro em Gaza. Todos aqui estão aterrorizados e traumatizados”. Ao bloquear a resolução da ONU, o Bush pretende excluir o Hamas de qualquer acordo de cessar-fogo dando carta branca para Israel continuar com a violência. Por isso estamos direcionando o nosso apelo ao novo Presidente Obama e o Congresso Americano, assim como a União Européia e outros líderes internacionais. Só assim conseguiremos uma resolução justa e estável.

Para ser duradouro, um cessar-fogo deve proteger os civis e parar os ataques a ambos os lados – tanto o bombardeio e incursão israelense quanto os foguetes palestinos lançados ao sul de Israel. Uma supervisão internacional é crucialmente necessária para que a fronteira de Gaza possa ser reaberta deixando entrar alimentos, combustíveis, medicamentos e outros produtos, e impedindo a entrada de armamentos ilegais que só tem aumentado desde que as fronteiras foram bloqueadas. A supervisão internacional também é essencial para monitorar e garantir o cessar-fogo em ambos os lados.


O Hamas, que ganhou as eleições em 2006 e agora governa Gaza, diz que irá concordar com o cessar-fogo. Eles devem cumprir sua promessa assim como Israel. Não há uma solução militar para a situação, em nenhum dos lados. Chegou a hora dos poderes globais intervirem dando avanço a um acordo justo para proteger civis em ambos os lados para que eles possam viver suas vidas com paz e segurança. Assine a petição agora no link abaixo, se você já assinou, envie esta mensagem para todos que você conhece – ela será publicada no Washington Post e outros meios, e será entregue em reuniões pessoais com a equipe do Obama, o Conselho de Segurança da ONU e lideranças européias:

http://www.avaaz.org/po/gaza_time_for_peace/

Com esperança e determinação,

With hope and determination,

Paul, Graziela, Ricken, Pascal, Luis, Alice, Brett, Ben, Iain, Paula, Veronique, Milena e o resto da equipe da Avaaz




terça-feira, 6 de janeiro de 2009

06 de Janeiro - Dia Mundial da Gratidão

Minha gratidão

Desde pequena ouvia minha mãe dizer da importância de sermos gratos à vida. Cresci com esse sentimento de gratidão aflorado. E diariamente agradeço a vida que tenho, as pessoas que me cercam, as oportunidades que tive ao longo dos anos.

Hoje, especialmente, penso em algumas pessoas que tornaram minha vida melhor.

Meus pais, onde tudo começou, que transmitiram-me valores que carrego no meu caminhar.

Minha dinda Ruth, aquela fadinha que estava sempre por perto.

Meus irmãos e em especial meu irmão Sergio pela sua dignidade e coerência nas suas posturas.

Minha filha que ensinou-me a vivenciar, sem máscaras, minhas emoções. A maternidade tornou-me uma pessoa bem melhor.

Meu marido, companheiro e cúmplice, sempre estimulando meu crescimento profissional e pessoal.

Minha comadre Georgete que quando tinha tudo para desesperar, disse Sim! para a vida e está aí dando lições de fé e coragem para todos nós.

Minha amiga Mônica, companheira de idéias pedagógicas e irmã do coração.

Meus alunos que nestes 32 anos de magistério nas nossas “ trocas de saberes“ contribuíram para o meu crescimento. E em especial para Claudia que partiu tão cedo, Daiana, Tâmara, Janaina Arruda, Daniele, Paulo César, Carlin, Lucy, Milene, Rita Martins, Jairo, Valmir, dos quais sempre me recordo com muito carinho.

Meus amigos “tribalistas” que tornaram as noites na internet bem mais produtivas e prazerosas.

Maria Thereza e Vânia, duas amigas virtuais por quem tenho um carinho especial.

Minha gratidão e meu carinho procês.



sábado, 3 de janeiro de 2009

Amada Amanda

Por ocasião da postagem “Um anjo que por mim passou”, recebi um e-mail da Solange, mãe da Amanda, que reproduzo abaixo, com sua autorização.

Olá Regina,

Recebi uma mensagem muita linda com o título Um anjo que por mim passou do Médico Oncologista Rogério Brandão, pesquisei na internet e achei o seu blog.

Bem sei o que esta menina viveu, abaixo narro a história de minha filha que foi publicada na Revista UMA edição janeiro de 2007, de minha autoria por Gisela Rao.

Tomara Regina que este médico oncologista não tenha a mesma prepotência dos médicos que cuidaram de minha filha Amanda, que os levou ao orgulho ao ponto de não reconhecerem uma recaída de leucemia de alto risco, com consequências graves que deixou minha filha tetraplégica aos oito anos. Vivenciamos tudo isto diariamente nos hospitais de câncer infantil, as crianças são muito mais fortes do que os adultos, nos ensinando a não desistir diante de tribulações que parece não ter fim. Se você tiver o contato deste médico, se possível, me informe por favor.

Um Feliz 2009 com muita saúde e Paz!!!

Solange e Amanda

Brasília-DF

É difícil atravessar esta vida sem alguns dissabores.....esse é o custo de viver*. Analisando a passagem do tempo, fico relembrando quando minha filha, Amanda, tão linda, foi diagnosticada com leucemia aos cinco anos. Isso aconteceu em fevereiro de 2000 e ouvir a notícia causou um grande choque. Eu não entendia o porquê de uma enfermidade tão grande em uma criança que nada fez de mal para ninguém. *O importante não é o que acontece, mas como você reage, você cresce...quando não perde a esperança, nem diminui a vontade e nem perde a fé*. Meu marido e eu choramos, nos lamentamos por tudo aquilo, fiz promessas, novenas, mas tenho a certeza de que DEUS curou a minha filha nessa época, não por merecimento nosso, mas por misericórdia, era uma chance para a gente virar pessoas ainda melhores. Em fevereiro de 2002, perdi meu marido num terrível acidente. Outro desvio de uma vida que não estava nos planos que tínhamos feito, o de "envelhecermos juntos", ver nossos filhos crescerem, nossos netos, etc. Amanda já com sete anos, retornando para a escola com mais saúde, uma alegria no meio dessa turbulência que tive que viver. Um ano e cinco meses se passaram e quando tudo voltava ao "normal" minha filha teve uma recaída, e a leucemia, de estado grave passou a gravíssimo por causa do diagnóstico tardio. Ela contraiu infecção hospitalar, que afetou os pulmões, e foi transferida para a UTI de outro hospital, mas infelizmente tudo se complicou. Por erro médico (aguardando reparação e comprovação na Justiça), ela sofreu uma parada cardiorespiratória de 30 minutos, lesando seu cérebro por completo. Eu questionava o porquê de DEUS permitir novamente tudo isso em minha vida, na vida de minha filha, que já tinha feito a lista de Natal com a relação de brinquedos que ela desejava ganhar, que fazia planos para sua festa de aniversário de nove anos....Sua infância foi tolhida, mas estamos crescendo na fé, olhar para trás com saudades, não com amargura no coração, buscando o perdão para aqueles que involuntariamente e/ou descaso não cumpriram com o seu papel que DEUS designou para cada um. Quando foi diagnosticada realmente a tetraplegia eu me recordava daquele filme - Uma Janela para o Céu-, baseado em fatos reais, em que a personagem fica tetraplégica. Sua mãe teria que realizar tudo por ela, até mesmo algo simples como pentear os cabelos. Ali estava eu fazendo tudo igualzinho àquele filme. Deixamos para trás os deveres escolares, as brincadeiras de apostar corrida, as conversas na hora das refeições..., mas não deixamos para trás a certeza que crescemos quando superamos e valorizamos os caminhos que estão por vir. Acreditar que existe milagres, e que este DEUS maravilhoso nos sonda diariamente e deixar que Ele nos use e dizer eis aqui a minha vida Senhor - usa-me, Transforma-me Senhor. *Fazemos disso um degrau de fé para subir mais na vida.

Sei agora que minha filha Amanda, hoje com treze anos, veio para mudar a minha vida e a vida de todos que passariam por nós. Aprender com essa imensa dor, com as grandes perdas, que o valor da saúde é muito mais importante, aprendi também que devo agradecer mais do que pedir. Hoje Amanda é minha força diária, não é fácil vê-la assim, mas sei que tudo isso passará, não olhar para trás, não desistir é a meta, viver o presente com sabedoria e louvar por tudo isto em nossas vidas, as promessas de DEUS serão cumpridas e o futuro pertence a ELE, e um dia ela estará escrevendo seu próprio testemunho dizendo "EU SOU AMANDA, DIGNA DE SER AMADA.

Solange Maria Barbosa de Souza




Amanda em 2003


Amanda na sua 1ª comunhão em 2006 já tetraplégica



Espelhos


Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos nos lembram.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, eles se vão?

Este livro foi escrito para que não partam.
Nestas páginas unem-se o passado e o presente.
Renascem os mortos, os anônimos têm nome:
os homens que ergueram os palácios e os templos de seus amos;
as mulheres, ignoradas por aqueles que ignoram o que temem;
o sul e o oriente do mundo, desprezados por aqueles que
desprezam o que ignoram;
os muitos mundos que o mundo contém e esconde;
os pensadores e os que sentem;
os curiosos, condenados por perguntar, e os rebeldes e
os perdedores e os lindos loucos que foram e são o
sal da terra

Eduardo Galeano, In Espelhos.

Em 'Espelhos - uma história quase universal', Eduardo Galeano analisa a história da humanidade sob a ótica dos desvalidos, dos esquecidos da história oficial. Em tom de crônica poética, o livro traz um panorama de acontecimentos e de transformações do mundo, misturando o passado e o presente.


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Para 2009.....

Ano Novo



Neste Ano-Novo, faz-te novo, reduz a tua ansiedade, cultiva flores no canteiro da alma, rega de ternura teus sentimentos mais profundos.

Não te mires nos outros; a inveja é um cancro que mina a auto-estima,fomenta a revolta e abre, no centro do coração, o buraco no qual se precipita o próprio invejoso.

Mira-te em ti mesmo, assume teus talentos, acredita em tua criatividade, abraça com amor tua singularidade.

Evita, porém, o olhar narciso.

Sê solidário; ao estender aos outros as tuas mãos estarás oxigenando a própria vida. Não sejas refém de teu egoísmo.

Cuida da língua. Não professes difamações e injúrias.

O ódio destrói quem odeia, não o odiado. Troca a maledicência pela benevolência. Compromete-te a expressar ao menos cinco elogios por dia.

Tua saúde espiritual agradecerá.

Não deixes que a espetacularização da mídia anule tua capacidade de sonhar e te transforme em consumista compulsivo.

A publicidade sugere felicidade e, no entanto, nada oferece senão prazeres
momentâneos.

Centra tua vida em bens infinitos, nunca nos finitos.

Lê muito, reflete, ousa buscar o silêncio neste mundo ruidoso.

Lá encontrarás a ti mesmo e, com certeza, um Outro que vive em ti e quase nunca é escutado.

Cuida da saúde. Caminha, pratica exercícios aeróbicos, sem descuidar de acarinhar tuas rugas e não teme as marcas do tempo em teu corpo.

Freqüenta também uma academia de malhar o espírito. E passa nele os cremes revitalizadores da generosidade e da compaixão.

Não dês importância ao que é fugaz, nem confundas o urgente com o prioritário. Não te deixes guiar pelos modismos.

Faz como Sócrates, observa quantas coisas são oferecidas nas lojas que tu não precisas para ser feliz.

Jamais deixe passar um dia sem um momento de oração. Se não tens fé, mergulha-te em tua vida interior, ainda que por apenas cinco minutos.

Não te deixes desiludir pelo mundo que te cerca. Assim o fizeram seres semelhantes a nós. Saiba que és chamado a transformá-lo.

Em 2009 celebraremos o 61º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pratica-a em tua casa, com teus filhos e tua (teu) parceira(o).

Não trate tua faxineira como uma semi-escrava. Remunera-a com um salário digno e propicia-lhe melhoria da qualidade de vida.

Arranca de tua mente todos os preconceitos e, de tuas atitudes, todas as discriminações.
Sê tolerante, coloca-te no lugar do outro. Todo ser humano é o centro do Universo e morada viva de Deus.

Antes, indaga a ti mesmo por que provocas em outrem antipatia, rejeição, desgosto. Reveste-te de alegria e descontração.

A vida é breve e, de definitivo, só conhece a morte.

Faz algo para preservar o meio ambiente, despoluir o ar e a água, reduzir o aquecimento global.

Não utilizes material não-biodegradável. Trata a natureza como aquilo que ela é de fato: tua mãe.

Guarda um espaço em teu dia-a-dia para conectar-te com o Transcendente. Deixa que Deus acampe em tua subjetividade. Aprende a fechar os olhos para ver melhor.

Feliz 2009 !!!.


Frei Betto

Inspiração para o pipi....

Fotos: Regina Coeli Carvalho

Portas dos banheiros de Señor Tango, casa de show em Buenos Aires.



domingo, 28 de dezembro de 2008

Um anjo que por mim passou



Médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional, com toda vivencia e experiência que o exercício da medicina nos traz, posso afirmar que cresci e me modifiquei com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. Dizem que a dor é quem ensina a gemer.


No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil. Tinha, e tenho ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. Elas nos enternecem e nos surpreendem como suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades.


Nós médicos somos treinados para nos sentirmos "deuses". Só que não o somos! Não acho o sentimento de onipotência de todo ruim, se bem dosado. É este sentimento que nos impulsiona, que nos ajuda a vencer desafios, a se rebelar contra a morte e a tentar ir sempre mais além. Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e prepotência, o que não é bom. Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos impõe e entendemos que não somos deuses. Somos forçados a reconhecer nossos limites!


Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a freqüentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria. Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes, particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta terrível doença que é o câncer.


Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por mim.


Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames, manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia.

Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano! Mas via confiança e determinação. Ela entregava o bracinho à enfermeira, e com uma lágrima nos olhos dizia: faça tia, é preciso para eu ficar boa.

Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.


Meu anjo respondeu:


- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:


- E o que a morte representa para você, minha querida?


- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é?


(Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)


- É isso mesmo, e então?


- Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?


- É isso mesmo querida, você é muito esperta!



- Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!


Fiquei "entupigaitado". Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem ação.


- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.


Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo: - E o que a saudade significa para você, minha querida?


- Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica!


Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica!



Um anjo passou por mim...


Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência.


Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas me deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.

Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo "meu anjo, que brilha e resplandece no céu. Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa.


Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que ensinastes, pela ajuda que me destes.


Que bom que existe saudades! O amor que ficou é eterno.



Rogério Brandão, Médico oncologista clinico.




Outdoor Buenos Aires

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

101º Aniversário de Oscar Niemeyer


"Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida". Oscar Niemeyer


Pensamento do dia...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Interlúdio com Florbela

“Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder… pra me encontrar…”

Florbela Espanca in Amar!

Blogagem Coletiva, organizada pela Flor, daqui, 8 de dezembro, aniversário de nascimento da Florbela.