Olá!! Como é do conhecimento de muitos, Luis e eu somos fãs da natureza, e, em especial, das aves. Das aves livres, como foram criadas para ser. Cantando e encantando nossos dias. Admiramos as maravilhas q nos cercam, e temos tentado participar do movimento de preservação da natureza, mostrando, através da fotografia, as pequenas grandes maravilhas q temos ao redor (http://cachabacha.multiply.com/photos) . E, felizmente, não somos os únicos nessa luta. Muitos - independente da idade, profissão, situação econômica, posição social, credo, cor, visão política - estão fazendo, ou tentando fazer, a sua parte. E hoje quero compartilhar a alegria de ver o trabalho de um desses apaixonados, começar a ser reconhecido. Luciano Breves mora em Morretes/PR e mantém uma câmera ligada td o tempo mostrando ao mundo as maravilhas de seu quintal. Para conferir clique: http://www.ornithos.com.br/ Recentemente, a RPC TV Paranaense fez uma matéria sobre o trabalho do Luciano. Vale à pena gastar alguns minutos, veja só: http://portal.rpc.com.br/tv/paranaense/video.phtml?Video_ID=38546&Programa=meuparana&tipo=
"Houve o tempo do sonho. No escuro das noites, todos sonharam palavras. Houve o tempo do acordar. Na luz das manhãs, todos acordaram palavras. Depois veio a coragem de presentear. Em cartas lacradas viajaram secretas palavras".
como vejo que gostas de PALAVRAS como eu, de uma olhada neste blog:
http://blogconciso.blogspot.com/
Detesto quando fazem esses convites nos meus blogs, mas neste caso não havia como deixar de convida-la.
Bjs.
Já fui lá e o blog promete. Blog Conciso: um blog sem siso.
E por falar em palavras disse Tio Freud:"Por meio das palavras uma pessoa pode tornar outra jubilosamente feliz ou levá-la ao desespero. Palavras suscitam afetos e são de modo geral o meio de mútua influência entre os homens." Sigmund Freud
"Para que serve um poema? Talvez para insistir que há sempre restos, equívocos, lapsos, fraturas na sintonia do homem com o real." Antônio Carlos Secchin,
"Poesia exige sensibilidade. Se você não tem sensibilidade, preparo algum adianta. "Manoel de Barros
"Mas, afinal, para que interpretar um poema? Um poema já é uma interpretação." Mario Quintana
"Cada leitor procura algo no poema. E não é insólito que o encontre: já o trazia dentro de si." Octávio Paz
Só existe um presente que pode ser dado a qualquer pessoa, em qualquer ocasião e ser sempre bem recebido. Só existe um presente que não se desvaloriza com o tempo, que jamais fica largo, apertado, fora de moda. Um presente cuja importância é tão grande que jamais é considerado por quem recebe como caro ou barato, mas sempre é visto como algo de muito valor. Só existe um presente que oferece um tipo de riqueza que crise nenhuma pode diminuir, ladrão nenhum pode roubar, situação alguma pode desvalorizar. Esse presente é o livro. Quem dá um livro dá um mundo. Dá viagens, aventuras, sorrisos e lágrimas. Dá conhecimento, horizontes, esperanças. Ensina a ganhar dinheiro, investir melhor, progredir na carreira ou desprezar tudo isso e ser feliz. Por tudo isso, não existe um presente que tenha o mesmo significado e a mesma dimensão que um livro. Quem dá um livro está, no fundo, fazendo uma homenagem.
Machado de Assis, para os dias que passam mais devagar, Drummond para início de outono, onde há uma brisa anunciando que dias mais frios estão por vir, poesia de Elisa Lucinda para as tardes de folga, crônicas de Lya Luft, para qualquer hora, Rubem Alves para feriado prolongado, Clarice Lispector para minhas noites de insônia, Érico Veríssimo para saudades da infância, Fernando Sabino para relaxar, Piaget e Paulo Freire para trabalhar, Gabriel Garcia Marquez para aprofundar, Maurício de Souza para viagens de férias e segundo caderno de um bom jornal para o banheiro. Para cada momento da vida, a leitura é companheira fiel e prazerosa. Quais são seus companheiros nesse sentido?
Todos os dias ela acorda e não reconhece a própria casa, não reconhece os filhos, não reconhece os netos. Quando olha no espelho, enxerga uma menina. O espelho é o único que não mente. Flávio Machado
Hoje passei a tarde revisitando Chico Buarque. Umas e Outras é uma das músicas que mais gosto, embora pouco conhecida., traça um paralelo entre a vida de uma freira e de uma prostituta.
Umas e Outras
Chico Buarque
Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar
A vida é feita de um rosário
Que custa tanto a se acabar
Por isso às vezes ela pára
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Nossa, pra que tanta conta
Já perdi a conta de tanto rezar
Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância, não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança
Aonde não se escolhe o par
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Puxa, que vida danada
Tem tanta calçada pra se caminhar
Mas toda santa madrugada
Quando uma já sonhou com Deus
E a outra, triste namorada
Coitada, já deitou com os seus
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor
Que dia! Cruzes, que vida comprida
Pra que tanta vida pra gente desanimar
De acordo com o Novo Dicionário Aurélio encontramos as seguintes definições de choque [s.m]: 1.Embate, encontro de dois corpos em movimento ou de um corpo em movimento e um em repouso; 2.Embate, encontrão; 3.Querela violenta, briga; 4. Oposição, conflito.
Como fazer de uma ação política algo que suplante um mero 'choque', pontual e reversível? Como transformar um 'encontrão' em uma ferramenta de análise de algumas práticas coletivas? Quais problemas são, enfim, colocados para nós? "As pessoas não aprendem", talvez seja este o argumento. Mas como aprender se ainda utilizamos o 'choque' como metodologia de 'ensino'?
Como tornar o verbo ensinar, na política, um verbo transitivo, que de fato transite, um verbo compreendido dentro da trama histórico-social? E a pergunta que não podemos deixar de nos fazer: de que ordem está se demandando de nossos governantes? E que tipo de ordem está sendo proposta para nós?
Quem ensina, ensina algo. Quem ensina algo, ensina algo a alguém. Ou com alguém. E esse alguém ensina algo a quem ensina. Ou com quem ensina. Ensinar: verbo que transita. Nisto reside, em última análise, a grande importância política do ato de ensinar.
Como, enfim, colocar o problema da relação entre choques de ordem e aprendizagem coletiva? A educação permite ao homem descobrir-se como sujeito instaurador de sua experiência, implicando e responsabilizando-se com sua própria história, não simplesmente para conhecê-la, mas sobretudo produzir novos modos de ver, sentir e estar, portanto novas subjetividades.
Quando nos utilizamos da metodologia do choque e do aprendizado como ordem, observa-se nestas formalizações uma menção sempre presente à rejeição social, como que atribuindo ao fenômeno da 'falta de ordem' a idéia de algo maligno que deva ser exterminado das vistas da sociedade.
Toda prática atende (e produz) interesses políticos, econômicos e sociais. No entanto, de uma forma hegemônica, tem-se construído fazeres e dizeres sem questionar criticamente a que interesses políticos têm-se atendido, contribuindo assim para a legitimação de lugares de segregação, na medida em que se atesta através de instrumentos ‘de ordem’ que algumas práticas podem ser classificadas como sãs e, portanto, autorizadas à interação social, e outras, criminalizadas e recomendadas à reclusão.
O autoritarismo dos ‘pontos de vista’ funda-se no esvaziamento da implicação coletiva, restando o preconceito - remetido a uma questão pessoal - como eficácia política na manutenção e na desqualificação dos modos de existir.
Deste modo, endereçamos nossos choques àqueles que são a todo o momento entendidos como potencialmente perigosos, objetos de decisões políticas com o objetivo de assepsia àqueles que não eram e não são bem-vindos aos ideais ainda higienistas, presentes em nossos desejos de ordem no país. São políticas públicas e produções de subjetividades que propuseram e propõem intervenções para a eliminação destes, além de um fortalecimento do conceito de classes perigosas. Perigosas porque pobres, por desafiarem as políticas de controle social no meio urbano e, deste modo, mobilizam os mais diferentes setores da sociedade, como a família, a escola, o trabalho e a polícia, que indicam e orientam como todos deveriam se comportar, trabalhar, viver e morrer.
A modernidade exige cidades limpas, assépticas, onde a miséria – já que não pode mais ser escondida e/ou administrada – deve ser eliminada. Eliminação não por sua superação, mas pelo extermínio daqueles que a expõem incomodando os 'olhos, ouvidos e narizes' das classes mais abastadas. Encerro com João Cabral de Melo Neto, que em 'Morte e Vida Severina' nos pergunta: qual parte nos cabe nesse latifúndio?
Que lugar é esse que nós estamos ocupando? E que parte nos cabe em tudo isso? Antes de perguntarmos por que 'eles' não aprendem, poderíamos indagar por que 'nós' insistimos em tentar ensinar.
Pedro Paulo Gastalho de Bicalho, Professor da UFRJ e Doutor em Psicologia, JB, 04 de Fevereiro de 2009
Quando o novo prefeito do Rio anunciou que faria um choque de ordem na cidade, muitos de nós, os moradores daqui, gostaram da idéia. Ninguém pode negar que o Rio esteve abandonado nos últimos anos em questões urbanas básicas: saúde, educação, transito caótico, vendedores de ruas em excesso etc.
No caso dos ambulantes, o que eu imaginava, no entanto, seria uma ação mais inteligente, mais humanitária, que levasse em conta não apenas a imagem das ruas vazias, mas a situação social em que estes trabalhadores ficariam após o anunciado choque.
Todos os dias, fala-se de crise econômica, de desemprego, de pessoas vivendo à margem da sociedade. Com a fachada de melhorar a imagem da cidade, o que os agentes da Prefeitura têm feito é um verdadeiro assalto a milhares de pessoas que vivem vendendo pelas calçadas.
Não foi feito qualquer levantamento anterior, um mapeamento por bairro para saber quem poderia continuar vendendo ou quem não poderia. Não foi dado um prazo e criado facilidades burocráticas para que alguns desses camelôs regularizassem sua situação. Ninguém perguntou aos moradores dos bairros se eles querem que todos os ambulantes saiam de seus pontos. Aqui no Flamengo, por exemplo, tem alguns que vendem seus produtos há dezenas de anos e são queridos pelos moradores. Por que devem ser simplesmente varridos da paisagem?
Foi mais simples para a Prefeitura empurrar todas essas pessoas para uma situação de crise social mais aguda.
Caberia uma pergunta aos idealizadores destas ações: que alternativa o governo municipal oferece a esses trabalhadores depois de tomar os seus produtos? Que novos postos de trabalhos serão abertos para absorver essa mão de obra? Porque é lógico imaginar que eles querem trabalhar, pois era isso que faziam antes da nova tropa de choque jogar a sua fonte de renda em cima de um caminhão da empresa de limpeza, como se fosse lixo.
Seria interessante saber se as forças políticas que se dizem ligadas aos interesses do povo e que apoiaram a eleição do novo prefeito concordam com as ações na forma que vêm acontecendo. E saber se as entidades que normalmente se pronunciam sobre questões sociais estão acompanhando a ação dos agentes policiais.
Para colocar ordem na cidade, não basta agir como se faz em um cemitério ou em um quartel (até porque, no quartel, o soldo e o rancho estão garantidos). É preciso levar em conta as necessidades e possibilidades de sobrevivência digna dos que habitam o espaço público, muitas vezes por falta de outras opções.
Aldo Cordeiro, Rio de Janeiro, 09 de janeiro de 2009
“Histórias no corpo. Onde moram os segredos? Em mim descobri que a lembrança de meus pais mora em meus pulmões. Os sonhos habitam meus pés. O lugar dos desejos é na coluna. E eles chegam à pele. Afloram como brotoejas. As saudades vivem em meu estômago e fígado. Os medos, nos meus intestinos. O amor, no meu sangue. Os rancores, também. Meus segredos enfeitam meu corpo inteiro. São pingentes de madrepérola.
Não diria que envelhecer seja gostoso ou excitante. A sábia natureza vai nos furtando hormônios responsáveis pelos pulsos e impulsos juvenis; cuidando, assim, de adequar a alma às limitações do corpo em declínio.
Se, por um lado, é madrasta que apaga o viço da pele e dos olhos, nos quais pincela linhas e riscos sulcados, madrasta que faz arquear os ombros, deixa o andar duvidoso e impossíveis os saltos de outrora; por outro, é mãe cuidadora. Nesse papel, da vista que teme o degrau da escada, faz olhos de olhar longe. Dá ouvidos que aprenderam a escutar além das palavras. Mãe que coloca sua mão em nosso peito e faz mais fácil o perdão - o perdão à vida, aos outros e a nós mesmos. Um perdão que é só o entender.