terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Eu acuso...


Os professores deixaram de ser heróis de seus alunos para tornarem-se vítimas. Eu também ACUSO!

Recebi da amiga Ana Campelo e compartilho com vocês o tributo/desabafo.


J’ACUSE !!!
(Eu acuso !)

(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

 "Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice".
("Meu dever é falar, não quero ser cúmplice”)
(Émile Zola)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de  convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e  do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

EU ACUSO os  “cabeça-boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição;

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor  universitário.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bulimia...

Charge de Dominho

Bulimia
Engulo todos os dias
mediocridades
vaidades
hipocrisias!
Pessoinhas fúteis
palavrinhas vãs!
Esperando o final da tarde
quando vomito
toda essa comidinha inútil!!!
Tâmara Rossene


domingo, 2 de janeiro de 2011

O Buraco no muro



"Não quero fazer especulações sobre o que a cultura computacional pode vir a fazer pelas crianças, mas apenas dizer que se o ciberespaço for considerado um lugar, então há pessoas que estão nele, e pessoas que não estão. E parece haver um consenso geral de que tal segregação entre 'cibernéticos' e 'não cibernéticos' é nociva e poderia causar uma divisão. Se for assim, então eu acho que o Buraco no Muro é um método para criar uma porta, por assim dizer, através da qual, um grande número de crianças possa irromper para essa nova conjuntura. E quando isso ocorrer poderemos ter mudado nossa sociedade para sempre." Dr. Sugata Mitra

sábado, 1 de janeiro de 2011

O ano passou?

Revisitando o baú

Passou
O ano passou. Não sei se vós, leitor amigo, ou vós, distinta leitora, o passastes bem. Eu, como já passei muitos, os tenho passado de todo jeito, e ainda hoje esse segundo que vem depois da meia-noite me perturba.
Já passei ano só, em terra estranha, ou – o que é mais amargo – na minha; ou andando como um tonto na rua ou afundado num canto de bar ruidoso; ou tentando inutilmente telefonar; dormindo; com dor de dente. E quando digo de todo jeito estou dizendo também de jeito feliz, entre gente irmã ou nos braços de algum amor eterno – braços que depois dobraram a esquina do mês e da vida, e se foram, oh! provavelmente sem sequer a mais leve mágoa nos cotovelos, apenas indo para outros braços.
Passam os anos, passam os braços; mas fica sempre, quando a terra dá outra volta em si mesma, essa emoção confusa de um instante. Conheço pessoas que fogem a esse segundo de consciência cósmica, afetando indiferença, indo dormir cedo – como se não estivessem interessadas em saber se esta piorra velha deste planeta resolveu continuar girando ou não. É singular que entre tantas festas religiosas e cívicas nenhuma chegue a ser tão emocionante e perturbe tanto a humanidade como esta, que é a Festa do Tempo. É como se todos estivéssemos fazendo anos juntos; é o Aniversário da Terra.
Se a alma estremece diante do Destino, o espírito se confunde; reina uma tendência à filosofia barata; vejam como eu começo a escrever algumas palavras com maiúsculas, eu que levo o ano inteiro proseando em tom menor, e mesmo o nome de Deus só escrevo assim para não aborrecer os outros, ou para que eles não me aborreçam..
Já ao nome do diabo, não; a esse sempre dei, e dou, o 'd' pequeno, que outra coisa não merece a sua danação. A ele encomendamos o ano que passou - e a Deus, o Novo. Que vá com maiúscula também esse Novo; fica mais bonito, e levanta nosso moral.
E se entre meus leitores há alguma pessoa que na passagem do ano teve apenas um amargo encontro consigo mesmo, e viveu esse instante na solidão, na tristeza, na desesperança, no sofrimento, ou apenas no odioso tédio, que a esse alguém me seja permitido dizer: "Vinde. Vamos tocar janeiro, vamos por fevereiro e março e abril e maio, e tudo que vier; durante o ano a gente o esquece, e se esquece; é menos mal. E às vezes, ao dobrar uma semana ou quinzena, ás vezes dá uma aragem. Dá, sim; dá, e com sombra e água fresca. E quem vo-lo diz é quem já pegou muito sol nos desertos e muito mormaço nas charnecas da existência. Coragem, a Terra está rodando; vosso mal terá cura. E se não tiver, refleti que no fim todos passam e tudo passa; o fim é um grande sossego e um imenso perdão.
Rio, janeiro de 1952
Rubem Braga, A borboleta amarela

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sobre o Natal


A memória dos meus dias de criança
bate mansa hoje à minha porta.

Já não me importa mais ganhar brinquedos:
embora creia ainda ser um menino
(pois tenho medo de crescer sozinho),
não perco o sono, nem acordo cedo
na manhã de Natal, à busca do rastro
de um improvável Papai Noel.

Tudo de que eu preciso pra ser feliz
é ter as mãos sempre sujas de giz,
cuidar da minha família e dos meus amigos
(na terra e no céu)
e poder brincar com o lápis
num pedaço de papel.

Filipe Couto

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Flavia vivendo em coma


Resumo da história de Flavia




Registro minha admiração a Odele, mulher guerreira e envio meu abraço carinhoso a mãe e filha.

Ao lado você encontra o selinho para assinar a petição “Por uma lei federal para a segurança nas piscinas”.



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Eu viajante e o Natal


“Na minha opinião, existem dois tipos de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar”. Érico Veríssimo

Li esse pensamento do Veríssimo ontem pela manhã e não pude deixar de fazer uma relação com o meu momento atual.

Esse ano escolhi passar o Natal em Gramado, é um sonho antigo conhecer o Natal Luz.

Fujo da saudade dos meus pais, dos meus irmãos que já partiram, da família toda reunida enquanto a mãe estava entre nós.  Mãe é um elo firme que agrega todos os outros elos, transformando-os numa corrente forte.  Depois que ela se foi, não conseguimos mais a proeza de estar todos reunidos nessa data. Cada um tem sua família, sua vida e atualmente há algumas divergências que afastaram uns dos outros. Esse é um motivo da minha fuga.

Viajo para buscar: novos conhecimentos, nova luz para acender as chamas que andam apagadas e talvez começar um novo ano mais iluminada.

Desejo que todos tenham um Natal iluminado, que haja força suficiente para mover as montanhas da generosidade, repartindo com o próximo a felicidade do pão, do acolhimento e da ternura.

Meu carinho.
Regina Coeli Carvalho

Publicado no Recanto das Letras em 18/12/2010
Código do texto: T2679786

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Amigo Secreto


Chegou meu presente do Amigo Secreto organizado pela Beta do Mix Cultural.
A amiga que me tirou foi a da Cynthia do Amica Philosophiae.
Já nos conhecíamos do encontro de blogueiras ocorrido na Confeitaria Colombo.
Obrigada Cynthia pelo livro e pelo cartão carinhoso que chegou junto dele.
Meu carinho para você.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Design Formaturas – sinônimo de incompetência II

Após a reclamação postada no site recebi um telefonema de uma pessoa da Design Formaturas se identificando como responsável pelo setor de marketing da empresa, me informando que iria enviar pelo correio a foto de minha filha e solicitando que após o recebimento eu desativasse a minha reclamação. Retruquei que a reclamação continuaria no site sendo o problema resolvido ou não.
Hoje, recebi telefonema do site Reclame Aqui me informando que eu não poderia fazer a reclamação, pois o contrato com a empresa foi assinado pela minha filha, ou seja, a Design Formaturas entrou em contato com eles informando esse detalhe.
Sem problemas, a Clara antes de ser formada em Comunicação Social é formada em CIDADANIA, portanto fez sua reclamação, acrescentando outras falhas cometidas pela empresa.

Confira aqui: “Reclame aqui”

Comentário feito hoje, 29 de Agosto de 2012 pela Anna Clara no site Reclame Aqui:

 "É a presente para comunicar a quem interessar, que mediante acordo celebrado na Justiça (10º Juizado Especial Cível), em razão de ação proposta pela Reclamante, a empresa pagou a importãncia de R$ 1.950,00 a título de indenização, como compensação pelos problemas ocorridos por ocasião da formatura"

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Design Formaturas – sinônimo de incompetência


Gostaria de registrar meu descontentamento com a falta de respeito com os formandos e seus familiares, conforme relato abaixo:
A empresa Design Formaturas foi contratada pelo grupo de formandos em Comunicação Social 2007-1 da Universidade Federal do Rio de Janeiro para prestação de serviços referente à colação de grau realizada em 03 de Dezembro do corrente.
No dia 29 de agosto foi feita a foto individual e de grupo dos formandos para confecção dos convites, compromisso que minha filha não pode comparecer por estar se apresentando no Festival de Esquetes em Cabo Frio, sabedora de que não constaria na foto do grupo.
Posteriormente foi feito um contato com a empresa para que fosse marcada uma nova data para a foto individual.
Recebeu o comunicado que fariam fotos de outros grupos e que ela comparecesse no dia 6 de novembro às 14h na Câmara Municipal dos Vereadores. Chegando ao lugar e horário marcados lá não encontrou ninguém, o compromisso havia sido transferido para a manhã do mesmo dia sem que ela tivesse sido avisada. Assim, teve que se programar novamente para outra tentativa no dia seguinte. Sem conseguir contatar alguém da empresa que pudesse confirmar o horário, compareceu na FIOCRUZ no dia 7 de novembro às 8h. Com sorte, fez sua foto individual – pois o grupo que faria a foto naquele dia tinha cancelado a foto em grupo, mas a equipe de fotografia comparecera ao local, pois não havia sido informada com antecedência pela própria empresa a respeito do desfalque. Lá, foi informada de que deveria entrar em contato com a Sra. Ana Paula, da equipe de foto, para confirmar que estivera na FIOCRUZ para fotografar. No dia seguinte, o fez.
No dia 23 de novembro, ao receber os convites, não recebeu como os outros a plaquinha individual que consta no contrato. Explicou novamente a situação à menina que distribuía os convites e esta anotou as informações da formanda para regularizar a situação e providenciar foto e placa.
Dia da formatura, adentramos ao salão de recepção – onde faziam fotos extras, para posterior cobrança – local onde estavam expostos cavaletes com cartolina e a foto do formando para que seus amigos e familiares escrevessem suas dedicatórias. Fomos de imediato avisados pelos amigos de minha filha que seu cavalete com foto não estava no local.
Procurei uma pessoa que acompanhava os fotógrafos a fim de que me informasse quem era o responsável pelo evento. Sua resposta foi de que não sabia se tinha alguém lá, mas iria averiguar. Após um tempo, procurei-a novamente tendo como resposta que a responsável estava “se arrumando” e depois iria me procurar. Pelo tempo decorrido, pensei até que a moça estava se arrumando para casar. “Responsável” encontrado, questionei o porquê da foto da minha filha não constar no cavalete junto com os demais. A “responsável” proferiu a seguinte pérola: “Infelizmente, a desorganização teve algumas falhas”, ao que retruquei: “a organização teve muitas falhas, a desorganização muitos excessos”.
Solicitei que pelo menos fosse colocado um cavalete com uma cartolina em branco a fim de que seus familiares pudessem deixar uma mensagem.  Depois de alguma insistência, por parte da comissão de formatura, o cavalete foi colocado com uma folha rasgada na lateral, conforme foto tirada no local e em meu poder.
Nesse ínterim a fotografaram e quando os convidados já estavam se posicionando no auditório a foto foi colada, diferente das dos demais.
Todos os formandos receberam um envelope com sua foto individual, mais uma vez, outra falha constatada, a minha filha não recebeu. Quando perguntou por que sua foto não estava junto com os demais, foi informada que procurasse a empresa e fosse pegar lá. O mínimo que a empresa deve fazer é entregar no meu endereço, já que a falha foi deles.
Outra falha: os formandos recebiam um “kit festivo” para o momento da colação, o número não foi suficiente para todos.  Que organização é essa? Havia um nº certo de formandos, poderia sobrar, nunca faltar.
Felizmente a apresentação do evento foi feita pelos formandos e desta forma a cerimônia se tornou agradável e divertida.
Ressalto também dois momentos desagradáveis ocorridos na cerimônia que não são condizentes com uma empresa que se presta a organizar um evento.
1-      Uma aluna ao ser chamada para receber seu diploma, tinha como fundo musical a canção “Coisinha do pai”, que acredito estar relacionada  com sua relação afetiva com seu pai. Momento que o pai emocionado, correu e subiu as escadas para abraçar sua filha. Imediatamente, dois seguranças truculentos o retiraram dali como se o senhor fosse um criminoso.
2-      Momento de homenagem aos ausentes – Enquanto a aluna fazia uma homenagem emocionada aos ausentes, as recepcionistas começam a distribuir taças de champanhe(?) para os formandos, tirando toda a concentração da homenagem.

Gostaria de um pronunciamento da empresa sobre o que devo fazer. Susto os dois cheques referentes aos boletos de dezembro e janeiro? Faço uma reclamação junto ao Juizado de pequenas causas? Pedidos de desculpas, na altura dos acontecimentos não serão aceitos. O momento passou!
Lembrando o velho ditado: “Quem não tem competência, não se estabelece”, sugiro a Design Formaturas que procure o SEBRAE que oferece excelentes cursos e dicas sobre organização de eventos.
De minha parte não contrataria essa empresa nem para organizar a festa junina do meu prédio.
Minha indignação,
Regina Coeli de Jesus de Carvalho,
mãe da formanda Anna Clara de Jesus de Carvalho.

*Reclamação feita hoje através do site Reclame Aqui
 
Comentário feito hoje, 29 de Agosto de 2012, pela Anna Clara no site Reclame Aqui:

 "É a presente para comunicar a quem interessar, que mediante acordo celebrado na Justiça (10º Juizado Especial Cível), em razão de ação proposta pela Reclamante, a empresa pagou a importância de R$ 1.950,00 a título de indenização, como compensação pelos problemas ocorridos por ocasião da formatura"

Carta ao Pai



Somou-se agonia à aflição, meu pai, quando não te vi no estádio. Nos grandes momentos do Fluminense, você nunca falta, faz-se sempre presente, sempre ao lado de Nelson, ectoplasmas bonachões, ora atrás do gol, ora na tribuna da imprensa, ora sentados nas marquises, com as pernas balançando relaxadas sobre o abismo - os mortos não correm risco de vida. Mas, naquele Engenhão iluminado, incendiado pelo grená, verde e branco, naquela festa como só a melhor torcida do mundo sabe fazer, procurei em todo canto, não te encontrei. E olha que o único caminho fácil até o Engenhão é descer pela escadaria de nuvens. O jogo começou, e não tinha encontrado você. Me senti mais órfão do que sempre.

E foi o que nunca se viu: a torcida parecia mais calma e paciente do que o time. Nossos guerreiros moviam-se como nervos crispados pelo gramado, o Guarani se agigantava, parecia um Barcelona moral, movido pela mais poderosa das "malas brancas", a dignidade. O Fluminense, fidalgo, honrado, todas as garras afiadas, toda a garra, a determinação, a organização admirável que tem nome: Muricy Ramalho. Nem assim. Não saía o gol, e mais, o gol se recusava a sair. Depois, entendi: tínhamos tornado a ocasião solene demais, o gol tornara-se totem, quase tabu. Futebol só é solene até o apito inicial, depois mesmo decisão de Copa do Mundo tem de ser jogada com a alegria e a irreverência que se bate uma pelada. O Fluminense, no primeiro tempo, tornara-se prisioneiro da solenidade da ocasião.

E me faltava você, pai. Muricy ocupava a posição de figura paterna para todos os tricolores, com sobras de mérito e dom. Extraordinário ser humano, de inteligência refinada e aplicada, este ano deu aula de futebol e ética ao Brasil. Não sei se Telê te contou o que aprontou com seu mais dileto discípulo na véspera da decisão. Apareceu em sonho, "sorridente e vivinho", para a benção definitiva e consagradora. Benção que ficou adormecida no inconsciente de Muricy até o fim da tremenda peleja, quando ao mirar um torcedor fantasiado de papa, lembrou: "Sonhei com Telê!". Vocês devem estar dando risada até agora, entre goles de néctar e tascos de ambrosia...

Mas me faltava você, pai. Como acontece no futebol, quando o resultado não nos agrada, o tempo voava e eu não conseguia localizar você. Ai, ai, ai, gemiam minhas tripas, porém minha boca não emitia som. Mudo, via a beleza da luta entre o desespero e a esperança.

Na arrancada final para o título, Ricardo Berna encarnou Félix, o "Papel"; Mariano despontou para o futuro do futebol brasileiro; os olhos tristes de Gum fabricaram alegria; Leandro Euzébio fez em um ano a transição entre o anonimato e a glória; Carlinhos, bom, de Carlinhos falo depois...

Na sua ausência, pai, fiquei imaginando que jogadores te agradariam e com quais implicaria. Sim, pois você sempre teve aqueles que amava odiar. Neste time, certamente você entraria em rota de colisão com seus netos e maldiria Diguinho, que os garotos adoram pelo estilo malandro. Você teria queimado a língua na partida final, depois de criticar à exaustão Valencia e vê-lo ser o melhor da equipe no primeiro tempo.

Claro que amaríamos juntos o melhor jogador do Brasil, Conca, Conquita, amigo de seu neto Theo. Se o nome de batismo do título de 2010 é Muricy, o sobrenome é Conca. Quanto mais alto voa, mais humilde se curva e agradece. Só os grandes, os maiores, fazem isso. Isso não se ensina, nasce-se assim.

Júlio César, o operário em construção, estourou de tanta tensão - tinha que ser desse jeito, para que Washington entrasse e escrevesse uma palavra crucial na história da conquista.

Pois, a esta altura, sem enxergar você e Nelson, já tinha certeza: nada estava escrito. Cada letra da História se desenhava no minuto urgente, rabiscada no ar, riscada na grama, aos garranchos; os profetas não ousavam sussurrar.

Só a torcida parecia vislumbrar o futuro, clarividente de paixão, sem esmorecer ou duvidar um só segundo. Entre tantas glórias, orgulhos, vergonhas e sacrifícios, o que faz o Fluminense ser único, ímpar, diferente de todos, é sua torcida. Charmosa, elegante, rica de caráter e repleta de favelados e desdentados. Ao envergar o uniforme tricolor, tornamo-nos todos aristocratas, na segunda acepção do termo: "aquele que tem atitudes nobres, distintas". Sim, somos elite, "o que há mais de mais valorizado e de melhor qualidade", os eleitos! Porém, nem todos os verbetes de dicionários poderiam explicar o que tomou conta dos quarenta mil tricolores, contando só os vivos, presentes ao Engenhão, no domingo, 5 de dezembro de 2010. Quando a partida engastalhou, a massa tricolor desfez o nó.

Aproximava-se o intervalo, eu olhava minha filha biológica mais velha, espiava meu caçula, um de cada lado - o filho adolescente estava na arquibancada com os amigos - e continuava a procurar você, pai. E nada. Pensava que você seria um apaixonado pelo brilhante Emerson, como eu, e que entenderia a autoridade de Fred, a necessidade de sua presença em campo, como um condão motivador que faz todo o time ganhar confiança e coragem. E, claro, como eu, você teria um xodó todo especial por Fernando Bob, garoto maduro, pronto para o porvir. Sem esquecer de Tartá, outra paixão...

No intervalo, saí do camarote. Vaguei a te procurar, meu pai. Nada.

Será possível? Será que fiquei cego? Será que não vejo mais gente morta? Será que acabou o pacto sobrenatural firmado e selado pelo amor ao tricolor? Será possível?

Você acharia Carlinhos um jogador talvez irresponsável. Pois foi a certa inconsequência que sempre me agradou nele. Joga qualquer jogo como se estivesse batendo uma bolinha no Aterro. Portanto, só poderia começar com ele a jogada. Perdeu a bola, insistiu, recuperou o lance, cruzou. Nesse instante, o tempo parou, para que o improvável acontecesse, mais de uma vez. Washington consegue, num reflexo de rapidez impossível, ou melhor, improvável, desviar a bola, com um roçar de cabeça. Caprichosamente, a pelota ainda esbarra na mão do zagueiro. Com o marcador colado, Emerson emenda de primeira. A bola bate em cima da lesão no tornozelo inchado, furado de agulhas das injeções de analgésicos, passa por baixo das pernas do beque, debaixo das pernas do goleiro. A bola quis entrar, o gol se autodecretou, contrariando todas as probabilidades.

Um de cada lado, minha filha e meu filho me abraçam, aos beijos, e eu desabo em prantos. Só aí, só então, entendo por que não te vi, pai. Porque você estava dentro de mim, eu era você, eram suas lágrimas que caíam de meus olhos, era sua euforia que me prostrava. E, liberto por meu pranto, lá se foi você, meu pai, dar a volta olímpica com Nelson, antes de subir de novo, renovado, depressinha para coroar o Campeão Brasileiro de 2010, com o nome certo.

Está lá, no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa: Flume, flúmen: do latim "massa de água que corre, rio, curso de água; quantidade de lágrimas, de pessoas, etc; abundância, riqueza (de estilo)". Fluminense; "relativo a rio, a curso de água, emprega-se principalmente em relação à cidade do Rio de Janeiro".

Neste 2010 histórico para o Rio de Janeiro, não poderia ter sido outro o campeão, não é, pai?

P.S.: Nosso TRI, sacramentado pela justiça dos deuses, será reconhecido pela justiça dos homens, em janeiro. A fonte é quente.

Pedro Bial, O Globo, Esportes, 08/12/2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Pequena Abelha

Você também teve problemas, Sarah. Está enganada se pensa que isso não é comum. Vou lhe dizer: os problemas são como o oceano - cobrem dois terços do mundo. Chris Cleave, In Pequena Abelha


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O abraço sem fronteiras


Recebi, por e-mail, do amigo Aldo Cordeiro, a proposta do grande abraço. Aderi à ideia e convido você para aderir também.

Um grande abraço

Gosto do natal.  De uma data onde se cultua o nascimento, a colheita, o fruto da terra, do ventre, a renovação da vida.   Quando eu era criança, ficava ansioso pelo presente que o menino Jesus trazia na noite do dia 24. Lá no Cariri cearense, não tínhamos chaminé, nem neve, nada que lembrasse o pólo Norte.

Mas, na terra onde Cristo nasceu também não havia neve, essas coisas de natal. Minha mãe sempre nos trouxe as imagens do nascimento de Cristo e todo aquela história bonita de imaginar.  É uma bela história, que transborda de poesia, de um forte simbolismo que vai além da crença de cada um.

Depois houve uma época em que ficava triste nesta época e fugia das musiquinhas de "jingle bell" e muito mais dos shopping centers, da frenética busca por presentes.   

Depois que conheci a família materna da minha filha, no entanto, mudei o conceito de festa de natal.  Uma casa no subúrbio, portas sempre acolhedoras, uma mesa com "milhões" de guloseimas, rabanadas (ai, ai, ai... um dia passei mal de tanto que comi...conheci rabanada aos 42 anos), o pessoal jogando cartas, cantando, crianças por tudo quanto é lado e mais e mais comidas...  e muitas risadas pela noite a dentro, muitas brincadeiras.   Muita farra e muita paz nos últimos 18 anos. 

Durante quatro anos fui, junto com outras pessoas, alguns dias antes do dia de natal, a alguma comunidade carente, levar presentes e cestas básicas.  Uma grata experiência.  Milhões de crianças em nossas cidades vivem à espera de algum presépio.

No próximo natal, no entanto, gostaria de propor uma coisa aos meus amigos.  Um abraço simbólico.

Nosso abraço teria dois momentos: um, que poderíamos chamar de mental ou espiritual ou afetivo ou tudo isso junto, em que por algum tempo a gente pensaria nos amigos e desejaríamos que todos estivessem em paz, que a força do renascimento trazido por esta data nos iluminasse o caminho, tornasse nossos corações mais solidários e serenos.
            
O segundo momento seria um gesto de solidariedade real.  Minha ideia é que cada um de nós depositasse na conta de alguma instituição que gostaríamos de ajudar um mínimo de R$ 5,00.

Pensei em sugerir os Médicos Sem Fronteiras. Porque sempre que acontece uma grande tragédia, eles estão presentes. E tragédias são o cotidiano de muitos povos. Necessitam de recursos sempre.

Sendo uma organização internacional, é conhecida pelos amigos espalhados pelo mundo.

Sei que muitos de nós se empenham em ajudar a alguém em todos os natais e outras épocas do ano. O que estou propondo é que, junto com qualquer trabalho, convívio, doação, tenhamos a idéia de que somos um grupo maior, que formamos uma corrente de solidariedade, que, mesmo que os amigos de uns nunca conheçam os amigos de outros, em um momento poderemos estar "juntos".     

Um abraço de conhecidos e anônimos. 

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Parei de escrever um pouco e fiquei curtindo a ideia de fazer alguma coisa juntos, virtualmente. Imaginei amigos indo a uma agência bancária, preenchendo a guia de depósito com seus cinco reais e pensando: não estou sozinho. Este gesto, tão simples, estou compartilhando com outros amigos, muitos que nem conheço.   Solidariedade é isso: uma energia. Mesmo que seja um "encontro" invisível: a pessoa ao meu lado, no transporte diário, pode ter o mesmo sentimento que eu a este respeito.

Não importa se estamos acompanhados ou não no Universo.  Aqui na Terra, não estamos sozinhos.  É aqui que transcorre a nossa curta viagem.  

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Estas são apenas ideias de um maluco-beleza antecipando o frio e a alegria do Natal ou o fogo da fraternidade pega nesta palha? 
             
Se você leu até aqui, já pegou, mesmo que não queira participar, pois quando a semente é boa e o coração é fértil, alguma nova planta floresce.
             
Um abraço antecipado.
Aldo Cordeiro.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Amigo Secreto


A Beta do Mix Cultural promoveu um amigo secreto entre suas leitoras, embora sem muito tempo disponível, resolvi aceitar, pois essa menina é tão fofa que a gente tem vontade de carregar para casa.
Conheci a Beta no encontro promovido pelo O que elas estão lendo, tarde gostosa que passamos na Confeitaria Colombo aqui no Rio de Janeiro.
Preciso falar um pouquinho da minha amiga oculta. Não a conheço pessoalmente, portanto, tornar-se difícil citar algumas características dela. Fui até seu blog para caçar algumas dicas. É sonhadora, fala pelos cotovelos, gosta de música, pelo jeito gosta da cor  rosa, gosta de escrever e acredita ser possível acariciar as pessoas com palavras.

Agora é que são elas......
Ela é Elisabete Lacerda Paulo e pode ser encontrada no Blogando com a Bebeth.


Seu presente chegará via submarino em até 7 dias úteis.
Meu carinho para  Beta,  Bebeth e todas as meninas participantes da brincadeira.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dia Mundial de Combate a AIDS


Símbolo do lacinho



O laço vermelho é visto como símbolo de solidariedade e de comprometimento na luta contra a Aids. O projeto do laço foi criado, em 1991, pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de Nova York, que queriam homenagear amigos e colegas que haviam morrido ou estavam morrendo de Aids. A Atriz Elizabeth Taylor patrocinou a confecção do símbolo.O Visual Aids tem como objetivos conscientizar as pessoas para a transmissão do vírus, divulgar as necessidades dos que vivem com o HIV/Aids e angariar fundos para promover prestação de serviços e pesquisas.O laço vermelho foi escolhido pela sua ligação ao sangue e à idéia de paixão, afirma Frank Moore, do grupo Visual Aids, e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.Foi usado publicamente, pela primeira vez, pelo ator Jeremy Irons, na cerimônia de entrega do prêmio Tony Awards, em 1991.Ele se tornou símbolo popular entre as celebridades nas cerimônias de entrega de outros prêmios e virou moda. Por sua popularidade, alguns ativistas ficaram preocupados com a possibilidade de o laço se tornar apenas um instrumento de marketing e perdesse sua força, seu significado. Mas, ao contrário disso, a imagem do laço continua sendo um forte símbolo na luta contra a Aids, reforçando a necessidade de ações, pesquisas e, principalmente, de solidariedade aos que convivem com o HIV/Aids.
 
 
 
 Minha amiga Marlucia, meu amigo André Filho, e todas as crianças que partiram vitimadas por esse vírus e em especial ao Dante que no início do meu trabalho como voluntária me deu uma das maiores lições de vida, minha saudade.
 
 Meu carinho a amiga Elizabeth Martins que iniciou o trabalho voluntário junto às crianças soropositivas do Hospital Infantil do Fundão.

domingo, 28 de novembro de 2010

Minhas emoções...

Minhas emoções afloram
ao ver meninos idosos
na infância desconhecida.
Regina Coeli Carvalho

*Para o menino que foi baleado ao se recusar a incendiar uma moto.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Abrace essa causa!

 






Leia a crônica da amiga Lenapena:  Hoje dançamos no shopping!


“O trabalho voluntário não alegra apenas quem o recebe, mas é fonte de ternura e crescimento também para quem o oferece.”

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Documentário: Clarita

Documentário: Clarita
Narrado na primeira pessoa, e baseado na história da mãe da diretora, portadora da Doença de Alzheimer, o documentário apresenta reflexões e questionamentos sobre o sentido da vida e a convivência com a morte. O documentário alterna imagens filmadas com sua mãe e reconstituições feitas com a atriz Laura Cardoso.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Botox na alma


Li que um grupo de alunos da Universidade Estadual de São Paulo organizou uma competição batizada de “rodeio das gordas”, cujo objetivo era o ataque às colegas obesas durante um evento esportivo com cerca de 15 mil universitários.
Os nossos futuros profissionais se organizaram através de uma comunidade do Orkut com regras pré-estabelecidas para o ataque: o “peão” se aproximaria das mais gordas e as agarraria como nas arenas. Em competições futuras, essas performances seriam premiadas: aquele que ficasse mais tempo em cima das meninas ganharia uma caneca e um abadá.
Uso muito uma frase do Padre Zezinho quando participo de encontros com pais: “Há muitos jovens vazios, porque há poucos adultos transbordando.”.
Que formação tiveram esses universitários nas suas famílias? Estamos falando de uma elite que freqüenta uma Universidade Estadual - já que sabemos que pobre vai mesmo para as particulares. 

Estar acima do peso padrão estabelecido pela sociedade de “normais” não é politicamente correto.
Leio, hoje, que o Conselho do MEC quer censurar Monteiro Lobato. Segundo a coordenadora de ações afirmativas da UFMG, o livro “Caçadas de Pedrinho” é preconceituoso com Tia Nastácia. Um historiador afirma que a recomendação para não distribuir “Caçadas de Pedrinho” é fruto de uma interpretação politicamente correta.
Ora, todos nós sabemos que Lobato reproduzia uma sociedade da época, onde empregados eram negros e que expressões usadas naquele período eram de uso corriqueiro na sociedade.

O que é então o politicamente correto?
A caça às gordas?
Os dólares na cueca?
Um deputado federal eleito (que deverá elaborar leis e fiscalizar atos do Poder Executivo) pedir “auxílio” a mulher para redigir um texto para provar que sabe escrever?
Será que esse mesmo conselho foi que indicou o filme “Lula, o filho do Brasil” para concorrer ao Oscar como filme estrangeiro?
Millôr Fernandes é que tem razão quando afirma com seu constante bom humor: “Tanta plástica no rosto, no seio, na bunda e ninguém aí pra inventar uma plástica no caráter”.
É disso que nossa sociedade precisa: botox na alma.
Regina Coeli Carvalho
Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2010
Código do texto: T2587803

Alguns esclarecimentos....


Ando meio afastada do mundo dos blogs. Estive durante algum tempo passando por um problema nas duas mãos que me impedia de digitar com freqüência.
Durante esse período visitava alguns blogs, mas nem sempre com condições de postar comentários.
Aos poucos fui retornando minhas postagens, pois esse é um espaço onde reúno textos, poesias, notícias que me agradam. Funciona, para mim, como um arquivo.
Não faço social em blog. Deixar um comentário qualquer para receber a visita de volta não faz parte dos meus princípios.
Estive pensando em dar um tempo nesse espaço. Porém, em respeito aos meus poucos leitores, porém fiéis, que nem sempre deixam comentários por aqui, mas geralmente me retornam por e-mail, resolvi continuar com o mesmo, mas sem o compromisso de datas para escrever.
Agradeço aqueles que me ajudaram a divulgar o Caso da Joanna Marcenal. A corrente foi grande e juntamente com o blog do caso chamamos atenção da mídia e a justiça resolveu comparecer.
Aos que ignoraram o pedido agradeço também, pois me deixaram  livre para não atender aos pedidos de votar em livros, votar em poesias e coisas do gênero.
O Canteiro Terapêutico continua por lá, fornecendo pensamentos para alguns que deixam passar um tempo para posta-los em seus blogs.
E a vida continua....

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Para Helena, no seu aniversário

 Hoje é aniversário da minha mãe. Embora ela não esteja fisicamente mais aqui, continuam comigo, nas minhas lembranças, seu cheiro, seu carinho, sua maneira de me olhar, seu cuidado, nossa sintonia, nossas afinidades, nosso bem querer.
Houve um momento que você, mãe, se tornou minha filha, e eu cuidei de você como você cuidou de mim. Por esta razão você nunca partiu, carrego você comigo e hoje lhe agradeço por tudo que me fez ser.
Minha saudade.

Os que nunca partem
Eu me lembro que quando era muito jovem, ouvia os adultos comentarem: fulano partiu. Esta era a forma que eles achavam menos sofrida de falar que alguém havia morrido, principalmente quando estavam perto de crianças. Era um jeito delicado que eles tinham de citar a morte sem que ela parecesse tão chocante.
Cresci e comecei também a falar assim - fulano partiu - acabei achando menos dolorido, menos violento se referir à morte dessa maneira.
Quando se diz que alguém morreu, dá a impressão que se acabou, desapareceu e imaginar que alguém que queremos bem acabou ou desapareceu pra sempre é terrível. Dói mil vezes mais do que precisar enfrentar a sua própria ausência.
Partiu já é diferente, dá uma sensação de que em algum ponto da vida nos reencontraremos com essa pessoa querida novamente. Fica mais fácil imaginar que ela viajou, uma viagem sem data pra voltar, mas com retorno garantido.
Enfim, descobri recentemente, que existe uma outra categoria dentro desse universo. São aqueles que nunca morrem e, portanto, jamais partem. São aqueles que embora desapareçam de nossas vistas, eternamente se fazem presentes em nossa memória e nosso coração.
Os que nunca partem são as pessoas que nortearam nossos dias, colocaram um significado importante neles e deixaram uma marca tão profunda em nós que não importa onde estejam, porque ao nosso lado, de alguma forma, sempre estarão.
Morrer, partir, são coisas simples, coisas do dia-a-dia. Acontece toda hora, em todo lugar, com todas as pessoas.
Os que nunca partem e os que nunca passam pela dor de assistir alguém querido partir são os felizardos dessa vida.
Dores momentâneas, saudades e ausências à parte, felizes daqueles que amaram alguém nessa vida a ponto de jamais deixá-los partir de seus corações.
Se quando eu me for, por desígnio de Deus, uma única pessoa não me deixar partir me guardando dentro do seu peito, eu direi que valeu a pena ter passado por aqui e que minha estada nessa vida não foi em vão.
Mas enquanto ainda estou por aqui, só tenho a dizer que dentro de mim moram pessoas que nunca deixei que partissem verdadeiramente, assim, como não deixarei que partam, jamais, algumas que ainda estão por aqui.
Os que nunca partem são aqueles que descobriram o segredo de brilhar na terra, mesmo antes de chegarem ao céu e se tornarem estrela.
Silvana Duboc