domingo, 28 de novembro de 2010

Minhas emoções...

Minhas emoções afloram
ao ver meninos idosos
na infância desconhecida.
Regina Coeli Carvalho

*Para o menino que foi baleado ao se recusar a incendiar uma moto.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Abrace essa causa!

 






Leia a crônica da amiga Lenapena:  Hoje dançamos no shopping!


“O trabalho voluntário não alegra apenas quem o recebe, mas é fonte de ternura e crescimento também para quem o oferece.”

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Documentário: Clarita

Documentário: Clarita
Narrado na primeira pessoa, e baseado na história da mãe da diretora, portadora da Doença de Alzheimer, o documentário apresenta reflexões e questionamentos sobre o sentido da vida e a convivência com a morte. O documentário alterna imagens filmadas com sua mãe e reconstituições feitas com a atriz Laura Cardoso.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Botox na alma


Li que um grupo de alunos da Universidade Estadual de São Paulo organizou uma competição batizada de “rodeio das gordas”, cujo objetivo era o ataque às colegas obesas durante um evento esportivo com cerca de 15 mil universitários.
Os nossos futuros profissionais se organizaram através de uma comunidade do Orkut com regras pré-estabelecidas para o ataque: o “peão” se aproximaria das mais gordas e as agarraria como nas arenas. Em competições futuras, essas performances seriam premiadas: aquele que ficasse mais tempo em cima das meninas ganharia uma caneca e um abadá.
Uso muito uma frase do Padre Zezinho quando participo de encontros com pais: “Há muitos jovens vazios, porque há poucos adultos transbordando.”.
Que formação tiveram esses universitários nas suas famílias? Estamos falando de uma elite que freqüenta uma Universidade Estadual - já que sabemos que pobre vai mesmo para as particulares. 

Estar acima do peso padrão estabelecido pela sociedade de “normais” não é politicamente correto.
Leio, hoje, que o Conselho do MEC quer censurar Monteiro Lobato. Segundo a coordenadora de ações afirmativas da UFMG, o livro “Caçadas de Pedrinho” é preconceituoso com Tia Nastácia. Um historiador afirma que a recomendação para não distribuir “Caçadas de Pedrinho” é fruto de uma interpretação politicamente correta.
Ora, todos nós sabemos que Lobato reproduzia uma sociedade da época, onde empregados eram negros e que expressões usadas naquele período eram de uso corriqueiro na sociedade.

O que é então o politicamente correto?
A caça às gordas?
Os dólares na cueca?
Um deputado federal eleito (que deverá elaborar leis e fiscalizar atos do Poder Executivo) pedir “auxílio” a mulher para redigir um texto para provar que sabe escrever?
Será que esse mesmo conselho foi que indicou o filme “Lula, o filho do Brasil” para concorrer ao Oscar como filme estrangeiro?
Millôr Fernandes é que tem razão quando afirma com seu constante bom humor: “Tanta plástica no rosto, no seio, na bunda e ninguém aí pra inventar uma plástica no caráter”.
É disso que nossa sociedade precisa: botox na alma.
Regina Coeli Carvalho
Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2010
Código do texto: T2587803

Alguns esclarecimentos....


Ando meio afastada do mundo dos blogs. Estive durante algum tempo passando por um problema nas duas mãos que me impedia de digitar com freqüência.
Durante esse período visitava alguns blogs, mas nem sempre com condições de postar comentários.
Aos poucos fui retornando minhas postagens, pois esse é um espaço onde reúno textos, poesias, notícias que me agradam. Funciona, para mim, como um arquivo.
Não faço social em blog. Deixar um comentário qualquer para receber a visita de volta não faz parte dos meus princípios.
Estive pensando em dar um tempo nesse espaço. Porém, em respeito aos meus poucos leitores, porém fiéis, que nem sempre deixam comentários por aqui, mas geralmente me retornam por e-mail, resolvi continuar com o mesmo, mas sem o compromisso de datas para escrever.
Agradeço aqueles que me ajudaram a divulgar o Caso da Joanna Marcenal. A corrente foi grande e juntamente com o blog do caso chamamos atenção da mídia e a justiça resolveu comparecer.
Aos que ignoraram o pedido agradeço também, pois me deixaram  livre para não atender aos pedidos de votar em livros, votar em poesias e coisas do gênero.
O Canteiro Terapêutico continua por lá, fornecendo pensamentos para alguns que deixam passar um tempo para posta-los em seus blogs.
E a vida continua....

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Para Helena, no seu aniversário

 Hoje é aniversário da minha mãe. Embora ela não esteja fisicamente mais aqui, continuam comigo, nas minhas lembranças, seu cheiro, seu carinho, sua maneira de me olhar, seu cuidado, nossa sintonia, nossas afinidades, nosso bem querer.
Houve um momento que você, mãe, se tornou minha filha, e eu cuidei de você como você cuidou de mim. Por esta razão você nunca partiu, carrego você comigo e hoje lhe agradeço por tudo que me fez ser.
Minha saudade.

Os que nunca partem
Eu me lembro que quando era muito jovem, ouvia os adultos comentarem: fulano partiu. Esta era a forma que eles achavam menos sofrida de falar que alguém havia morrido, principalmente quando estavam perto de crianças. Era um jeito delicado que eles tinham de citar a morte sem que ela parecesse tão chocante.
Cresci e comecei também a falar assim - fulano partiu - acabei achando menos dolorido, menos violento se referir à morte dessa maneira.
Quando se diz que alguém morreu, dá a impressão que se acabou, desapareceu e imaginar que alguém que queremos bem acabou ou desapareceu pra sempre é terrível. Dói mil vezes mais do que precisar enfrentar a sua própria ausência.
Partiu já é diferente, dá uma sensação de que em algum ponto da vida nos reencontraremos com essa pessoa querida novamente. Fica mais fácil imaginar que ela viajou, uma viagem sem data pra voltar, mas com retorno garantido.
Enfim, descobri recentemente, que existe uma outra categoria dentro desse universo. São aqueles que nunca morrem e, portanto, jamais partem. São aqueles que embora desapareçam de nossas vistas, eternamente se fazem presentes em nossa memória e nosso coração.
Os que nunca partem são as pessoas que nortearam nossos dias, colocaram um significado importante neles e deixaram uma marca tão profunda em nós que não importa onde estejam, porque ao nosso lado, de alguma forma, sempre estarão.
Morrer, partir, são coisas simples, coisas do dia-a-dia. Acontece toda hora, em todo lugar, com todas as pessoas.
Os que nunca partem e os que nunca passam pela dor de assistir alguém querido partir são os felizardos dessa vida.
Dores momentâneas, saudades e ausências à parte, felizes daqueles que amaram alguém nessa vida a ponto de jamais deixá-los partir de seus corações.
Se quando eu me for, por desígnio de Deus, uma única pessoa não me deixar partir me guardando dentro do seu peito, eu direi que valeu a pena ter passado por aqui e que minha estada nessa vida não foi em vão.
Mas enquanto ainda estou por aqui, só tenho a dizer que dentro de mim moram pessoas que nunca deixei que partissem verdadeiramente, assim, como não deixarei que partam, jamais, algumas que ainda estão por aqui.
Os que nunca partem são aqueles que descobriram o segredo de brilhar na terra, mesmo antes de chegarem ao céu e se tornarem estrela.
Silvana Duboc

domingo, 31 de outubro de 2010

Minha Bandeira


Minha bandeira
O verde da minha esperança amarelou de desilusão.
O branco manchou de sangue com tanta corrupção.
O azul está desbotado porque os sonhos
estão calados, encurralados, adiados,
Aguardando a próxima eleição.*

*Próxima eleição em 2014, porque nessa sonho existe não.
Regina Coeli Carvalho

sábado, 30 de outubro de 2010

Em tempos de eleição....

...É bom lembrar:

Só de sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro.

Do meu dinheiro, do nosso dinheiro, Que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós. Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz. Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó E dos justos que os precederam: “Não roubarás”. “Devolva o lápis do coleguinha”. “Esse apontador não é seu, minha filha”.

Pois bem, se mexeram comigo, Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, Então agora eu vou sacanear: Mais honesta ainda vou ficar!

Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” E eu vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez”. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. E eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal”. E eu repito: “Ouviram? IMORTAL!”

Sei que não dá para mudar o começo Mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

Elisa Lucinda

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Nick Vujicic, Um ser iluminado


Se você ainda tem alguma coisa que lhe incomoda, na sua aparência, nas gordurinhas a mais, nas ruguinhas que vão aparecendo com o tempo, nas manchas senis, no seio pequeno, na bunda que não está dentro dos "padrões nacionais", no vestuário antiquado precisando dar uma repaginada, na dor da unha do pé, enfim nos calos existenciais, perca uns minutinhos do seu tempo e assista o Nick.
Depois me conta o que achou.


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Revisitando Drummond

Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos
de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade, In Sentimento do Mundo, 1940

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O livro que virou leite....

São os braços que trabalham e as mãos que dividem, que certamente vão erguer um mundo mais digno e justo.

Citei em algum texto o trabalho com crianças soropositivas que realizo há 18 anos.
Helena de Paula, escritora lá do Recanto, fez contato comigo se disponibilizando a ajudar a campanha de alguma forma.
Trocamos e-mails e enviei alguns dados sobre o trabalho realizado.
Recebi, no dia 14, um exemplar do seu livro “Moinhos de Vento”, para que eu o transformasse em alguma forma de benefício para as crianças do projeto.
Vendi o livro para um amigo por R$100,00 e com esse valor comprei 25 sacos de leite em pó que irão reforçar a doação deste mês.
Registro meu agradecimento e meu carinho, na certeza de que quando fazemos algo de bom para o outro, o principal beneficiado somos nós.
Caso você queira adquirir o livro da Helena, é só clicar aqui.
Aproveito a oportunidade para enviar meu abraço, meu carinho, minha admiração para Elizabeth Martins, que está aniversariando hoje, amiga que iniciou o trabalho junto às crianças soropositivas. Querida, com você e através de você pude crescer como pessoa e aprender continuamente.
Meu afeto para Helena, Beth e meu amigo “anônimo” que adquiriu o livro com um preço superfaturado.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Justiça: Caso Joanna Marcenal


Caso Joanna Marcenal, mais um dos casos de impunidade nesse nosso país.
Conto com a sua ajuda para nos ajudar a divulgar.


Texto retirado do Blog, com autorização do uso da imagem.

Pegue o selinho ao lado  e leve para seu blog.

Em  breve organizaremos uma blogagem coletiva.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um desembargador chamado Totó...

Eram 14h30 de quarta-feira quando o desembargador Antonio Carlos Malheiros, de 59 anos, agachou e encarou a garota Alexandra, de 6, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. "Você consegue ler o que está escrito aqui?", ele perguntou, apontando o crachá, que balançava pendurado no avental colorido. "É Antonio...", respondeu a menina, com voz tímida. "Sim, querida, é Antonio. Mas você vai me chamar diferente." O magistrado, então, fez uma pausa teatral, tirou do bolso um nariz de palhaço e anunciou, sorrindo: "Vai me chamar de Totó". A criança riu até se dobrar.

Antonio Carlos Malheiros, professor de três universidades, coordenador da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), presidente por dois mandatos da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, coordenador nacional de campanha do Conselho Nacional de Justiça. E também, nos momentos de maior simplicidade - quando "realmente nos tornamos nós mesmos", nas palavras dele próprio -, o Totó. "Não é simples, bonito? É natural, apelido que gosto e no qual me reconheço."

Um carinhoso apelido que serve, principalmente, para se aproximar. Desde 1997, o desembargador é contador de histórias voluntário da Associação Viva e Deixe Viver, que treina leitores para crianças internadas em 87 hospitais do País. No caso de Malheiros, quem ouve a experiente voz todas as semanas são crianças do Emílio Ribas - a maioria, portadora de HIV. "Esqueço tudo quando estou com o livro aberto no colo, contando histórias que ajudam a enfrentar horas difíceis. E, geralmente, termina em gargalhadas."

Nem sempre foi assim. Nas primeiras histórias que leu, Malheiros chegou a ser advertido pelas enfermeiras. Diziam que ele lia Peter Pan "como se pronunciasse votos num julgamento". "Terminei a primeira história, olhei para a criança e vi cara de choro. Pensei: "não vai dar certo"", lembrou, bem-humorado. "Mas as crianças se estouraram de rir quando, sem querer, chutei a mesa e derrubei uma montanha de bacias de metal. Foi assim, desajeitado, que percebi que era preciso naturalidade. Com as crianças, aprendemos a simplificar."

Na rua. "Precisaria de dias de 80 horas", diz o desembargador, que nasceu e sempre viveu no Jardim Paulista, zona sul da capital. Para entender o porquê, basta passar parte do dia com ele. Além dos 50 votos de sessões de julgamentos semanais, há palestras - na quarta-feira passada, em Mirassol, a 450 quilômetros da capital -, eventos como a comemoração dos 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, espremida em 25 minutos no meio da agenda, aulas nas faculdades e, para terminar, o voluntariado. "Melhor momento do dia."

Serviços voluntários, aliás, acompanham Malheiros desde os 13 anos, quando ingressou num grupo do Colégio São Luís que visitava moradores de rua. Foi no percurso entre as Praças da Sé e da República, no centro, que conseguiu quebrar as primeiras "barreiras de preconceito" - algo que, diz, "todo juiz deveria fazer". "Magistrado tem de sentir o gosto, o cheiro dos problemas antes de decidir. Tem de ir à rua, conhecer sua comunidade. Não pode ficar encastelado, imaginando que lida apenas com papel."

Episódios de sua vida mostram que não fala da boca para fora. No fim dos anos 1970, o jovem advogado ia tanto às ruas depois do expediente que, certa vez, chegou a dormir num banco da Praça da Sé. "Estava cansado demais, depois de um dia de trabalho. Cochilei por uma hora no meio de um grupo de 15 adolescentes. Acordei sobressaltado, com o preconceito gritando." Pulou do banco e apalpou todos os bolsos. Mas tudo estava lá. E o que viu ao redor o impressionou. "Os 15 garotos deitavam num círculo em volta do banco. Quando me despedi, disseram que era para me proteger. Senti vergonha e, ali, caiu parte do preconceito."

Algo semelhante ocorreu quando passou a visitar, como voluntário da Pastoral da Saúde, doentes do "Hospital da Aids", como era conhecido o Emílio Ribas nas décadas de 1980 e 1990. "Ali, desenvolvi o conceito de família formada pelo afeto, que virou dissertação de mestrado." A ideia surgiu quando cuidava de um cantor homossexual portador de HIV, em estágio terminal - sob os olhos do voluntário, ele morria, mas sua mãe negava-se a entrar no quarto, pois não o tinha "perdoado por ser homossexual". "Então, entrou no quarto um homem engravatado e beijou a testa do rapaz com carinho. Eu olhei para a mãe, para o rapaz e me perguntei: "Qual dos dois é sua família?" Caiu outro preconceito", contou. "Entender o sofrimento ajuda a decidir. Vira parte da formação pessoal e profissional."

Senhor diversidade. A forma como Malheiros trata as pessoas o credencia, entre amigos, a receber outro apelido: "Senhor Diversidade". "É sempre um sorriso no rosto, oportunidades concedidas, o apoio estampado na cara", conta o publicitário Valdir Cimino, seu parceiro na contação de histórias. "É referência em sua área, mas nunca deixa de dar "bom dia" ao porteiro, ao faxineiro, ao paciente."

Lembra palavras que Malheiros repetiu em dois momentos, na quarta passada. "Olhar de igual para igual requer simplicidade. Seja decidindo um julgamento ou contando histórias, fazendo voz de gago, vestido de palhaço."


Obrigada Mimi pelo envio. A leitura desta reportagem é um alento no meio de tantas notícias ruins.

sábado, 16 de outubro de 2010

Professar...

Em criança gostava muito de brincar de professora. Colocava meus bonecos sentados e como eram poucos, completava a “turma” com garrafas de refrigerantes. Assim tinha uma classe numerosa. Vivia cercada de papéis, quadro negro, apagador, giz e lápis de colorir.
Tínhamos um amigo da família que um dia me deu um caixote muito grande, acho que era de transportar bacalhau, e ali eu fiz a minha escola.
Ao completar o ginásio já tinha vontade de ser psicóloga e cursar o antigo curso normal não me daria embasamento para fazer o vestibular para Psicologia. Optei por fazer o curso científico e não me formei em professora primária.
Durante a minha graduação, fiz matérias pedagógicas para poder tirar a licenciatura em Psicologia.
Comecei, ainda no 4º ano, a lecionar para turmas de Formação de Professores.
Profissão que sempre exerci com muito prazer. Aprendi muito com meus alunos, minha memória afetiva guarda lembranças que marcaram momentos especiais da minha vida.
Em 1981, passando por um momento delicado da minha vida, vendo meu 1º casamento, que só tinha 3 anos, começando a desmoronar, andava triste, mas procurava não passar esse sentimento em sala de aula.
Naquela época tinha vontade de ganhar um ursinho, assunto que nunca havia comentado com alguém, pois após o expressar do meu desejo o presente poderia chegar, mas não teria graça, gostaria de ganha-lo porque achava um presente fofo.
Dia de aniversário, chego à sala de aula e encontro uma festa surpresa, alunos prepararam um livreto com dedicatórias em páginas individuais e acompanhado desta relíquia, o presente: O urso tão desejado.
Não preciso dizer que chorei horrores de emoção. Como podiam aquelas meninas de 15, 16 anos, terem tanta sensibilidade, perceberem o meu momento, momento que precisava de colo, de acolhimento?
Como adivinharam o presente que durante anos eu sonhei em receber?
A cada dia me apaixonava mais pelo processo ensino-aprendizagem, pela troca com o outro, pelo ensinar e aprender.
Tive um amigo, Carlos, professor de Literatura que a cada vez que eu chegava à sala dos professores falando meus projetos, comentando as aulas, o desempenho dos alunos, ele dizia que eu tinha “orgasmos pedagógicos” e todos riam dessa minha motivação, que para alguns, era exacerbada.
E assim durante 31 anos trabalhei com Formação de Professores. Há dois anos me aposentei no Estado, não sentia mais motivação em preparar professores para atuar em turmas de 1ª a 4ª séries que não tinham amor à profissão, que não chegavam ali por um ideal e sim através de um sistema de matrículas que encaminha o aluno para a escola mais próxima de sua residência. Fui me decepcionando e não queria ser cúmplice num sistema de ensino capenga, sem valores, sem ideais.
Penso que o Professor deveria chamar-se PROFESSAR.
Professar idéias,
Professar paixão pelo outro,
Professar o respeito pelo aluno,
Professar o sentimento da gratidão,
Professar o amor pela profissão.
Obrigada a todos os alunos que passaram na minha vida profissional, hoje muitos são meus amigos pessoais, que me fizeram CRES- SER!

Registro meu carinho especial para amigos professores pelos quais nutro uma profunda admiração:
Aída Gonçalves Ferreira, Anna Maria Lima, Denise Feresin, Elka Carvalho, Filipe Couto, Geni dos Santos, Georgete Lopes, Jaqueline Moulin, Jayme Nunes, Luana Siqueira, Maria Alice Ferreira, Maria Lucia, Marília Soares, Miriam Sofiatti, Nilce Aguilera, Mônica Paiva, Roberto Leal, Silvio Ferreira, Valdelice Gomes, Vilme Lobianco.

E aos meu mestres inesquecíveis:
Dra. Nise da Silveira , Professor Antonio Soares Malveira , Professora Maria das Graças, Professor Helio Alonso, Professor Julio , Professora Vilma Longo e Tia Alba, minha 1ª professora.

Publicado no Recanto das Letras em 15/10/2010
Código do texto: T2558783


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Revisitando Artur da Távola

O encontro e a ocupação do próprio espaço implica a descoberta (tranqüila ou dolorosa) do que é realmente nosso e do que é dos outros e ficou preso dentro de nós. Aí está uma das descobertas fundamentais do ser humano.
Descobrir e ocupar o próprio espaço é encontrar a verdade existencial: no bom e no ruim que tenhamos. É ocupar com material próprio tudo o que somos e fazemos. É encontrar e seguir o próprio destino. Não o destino, no sentido fatalista. Mas o destino no sentido da destinação profunda do que somos, fazemos e queremos.
Artur da Távola, In Alguém que já não fui.

sábado, 9 de outubro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Marlowa e a Família Carvalho

Conheci as ilustrações da Marlowa através de uma pesquisa de imagens no Google.
Imediatamente me identifiquei com seu traço delicado e sua percepção da vida recheada de gentileza e afeto.
Fiz contato com ela solicitando usar suas ilustrações nas fotomontagens do blog.
Trocamos correspondências e encomendei um quadro que retratasse minha família.
Enviei-lhe algumas características nossas e me dei de presente de aniversário.


Sobre a autora
Marlowa Pompermayer Marin, iniciou suas atividades artísticas em Caçador (SC), sua cidade natal. Aperfeiçoou-as no Instituto de Desenho do Paraná, em Curitiba. Mas foi mesmo em Chapecó, onde teve a oportunidade de muita atuação, formando a artista que é hoje. Sua trajetória é composta de várias exposições individuais e coletivas no Brasil e também no exterior. Foi aprovada recentemente na Sociedade dos Ilustradores do Brasil.

“Em meus desenhos e pinturas estão inseridos o dia-a-dia, a imensidão das pequenas coisas. Gostaria que a minha produção tivesse uma íntima relação com o encantamento de viver.
Nesta singela referência à vida, tento inscrever um pouco da pureza que cada ser carrega consigo em sua essência.
No fundo este é o meu desejo de tornar o mundo um pouco melhor: é um convite para olharmos para nós mesmos e para o “universo” que nos circunda como um presente, que Deus nos outorga, valorizando-o, compreendendo-o e desfrutando-o.”


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sobre livros, presentes e Clara...

Vocês devem dizer que sou uma mãe babona. Assumo: Sou!
Esses foram os presentes de aniversário que ganhei da Clara.
Melhor que os presentes foram as dedicatórias.
Melhor que tudo isso, é ser a mãe da Clara.

Essa história está diferente – dez contos para canções de Chico Buarque, Organização Ronaldo Bressane

Dedicatória:
Das paixões que carrego porque você me fez assim: livros e Chico.

Quis te presentear com o que cheire à nossa relação, com o que vem dos laços que se formaram em nós.

Que aqui tem o que há de você em mim em você. Diante das diferenças, esbarramos em muitas semelhanças.
E é nelas que nos fazemos inteiros para seguirmos.

Com todo o meu amor de hoje, que você não se canse de sempre ganhar livros.
Se eu pudesse, compraria uma biblioteca.
Um dia eu escrevo um e será presente.
Por enquanto, Feliz aniversário!
Te amo!
Anna Clara
06/09/2010

O amor esquece de começar, Fabrício Carpinejar

Dedicatória:
“A tristeza às vezes é
Uma alegria que nasce
Sob um acaso de um disfarce
E é isso que a vida é.”
Fernando Pessoa

Os encontros são feitos de confortos e desconfortos. Estar disposto a encontrar o outro é abrir-se ao destino, para a troca.
Nem sempre ela nos oferece o que mais desejamos, mas como aprender com o que nos surpreende para, ainda assim, fortalecer o laço?

Tenho feito o melhor de mim para que você esteja feliz. Quero que saiba que te amo muito, independentemente dos pequenos desencontros. Te amo pelas diferenças. Que assim se faça, disponível, a nossa caminhada diária.
Feliz Aniversário!
Clarinha

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Caio Fernando Abreu

Foto retirada do Google de autoria desconhecida

Tenho o maior orgulho de ser contemporânea de Caio Fernando Abreu.
Comecei a ler seus contos ainda adolescente e o encanto foi de imediato. Li todos os seus livros e o último escrito pela Paula Dip, li quase que a metade durante uma viagem para Portugal. Não conseguia parar a leitura embora o sono se fizesse presente.

Hoje, 12 de Setembro, Caio faria 62 anos.

Deixo minha saudade neste trecho de sua obra:
“(...) há pequenos agostos embutidos no entremeio dos doidos setembros.”
Caio Fernando Abreu

*Programei a postagem para o dia 12 e só hoje observei que havia colocado o ano de 2011, por isso não foi publicada no dia.