sábado, 28 de maio de 2011

Um mais um é sempre mais que dois


Na 5ª feira fizemos uma panfletagem em todo o Rio de Janeiro. Foram distribuídos 20.000 panfletos em vários bairros da cidade.
Estivemos com um grupo em frente à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, onde Cristiane Marcenal foi recebida pela Comissão de Direitos Humanos para ser informada dos procedimentos tomados pelo grupo.
Recebemos apoio da população mostrando solidariedade ao nosso grito por justiça.
Fomos procurados por algumas pessoas com relatos de casos semelhantes, felizmente sem o final infeliz que teve a Joanninha.
Alguns funcionários do Tribunal de Justiça passaram por lá para dar seu apoio à causa e prestar solidariedade a Cristiane e sua dor.

Se você ainda não assinou a petição clique aqui, lembrando a canção de Beto Guedes: “Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois”.

Ana Maria Braga mostrou no seu “Mais Você” como é a rotina da mãe de Joanna Marcenal, um ano após ter sido arrancada de seu convívio para nunca mais voltar.

 Depoimento completo do Caso Joanna Marcenal
Cristiane Marcenal Ferraz fala na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado do RJ ( ALERJ), no dia 08/04/2011.

Parte I
Parte II
Parte III

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Homem chora?

Assistindo a história “O menino Nito” lembrei da música Um homem também chora do Gonzaguinha.

Destaco duas estrofes que relacionadas à história nos confirma que homem chora que todo ser humano precisa de afeto e se reprimimos nossas lágrimas elas vão gritar de alguma forma.

Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas...

Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura...

Gonzaguinha , Um homem também chora.

O Menino Nito


Veja também: Lágrimas recalcadas

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mafalda sempre antenada ....

...também adquiriu o “Coisas de Amor Largadas na Noite”
Foto: Maara Cavalcant


Em 28 de março de 2010 postei sobre o recebimento do Coisas de Amor Largadas na Noite, livro gostoso, em formato diferente e cheio de charme, do André Gonçalves.

Caso você ainda não tenha adquirido, pode solicitar pelo e-mail andrepiaui@hotmail.com

André está fazendo cartazes com poesias do Coisas . Você escolhe o poema e ele confecciona o cartaz, é só dar um click aqui: www.ideiasinc.wordpress.com

Em breve, Pequeno Guia das Mínimas Certezas.




terça-feira, 17 de maio de 2011

Minha primeira vez

Tenho seis afilhados, mas madrinha de livro é a 1ª vez.

Dedicatória carinhosa do Kelmer

Dá uma passadinha lá no Blog do Kelmer adquira seu exemplar antes que esgote.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O grito da Educação Brasileira!

A canção da vida


“E quando tudo me aborrecer de verdade, quando eu ficar cansada de minhas neuroses e manias, quando as pessoas estiverem demais distraídas, a paisagem perder a graça, a mediocridade instalar seu reinado e anunciarem o coroamento da burrice – vou espiar o letreiro que fala de uma riqueza disponível para qualquer um, e que botei como descanso de tela no meu eternamente ligado computador: 
Escute a canção da vida.”
Lya Luft, A riqueza do mundo

Essa é a canção da minha vida:



domingo, 15 de maio de 2011

Chega de Excelências, senhores!!

Arranjei um tempinho para classificar meus arquivos. Encontrei esse artigo que salvei em algum momento e esqueci de dividir essa pérola com meus poucos leitores.
Embora o artigo tenha sido escrito há alguns anos é material para as antigas, as atuais e as futuras gerações.
Cidadania é isso. Ninguém nasce com títulos. Títulos se adquirem, mas não devem mudar a postura ética e moral de ninguém.

Chega de Excelências, senhores!!

Em 13/6 , um juiz do Paraná desmarcou uma audiência porque um trabalhador rural compareceu ao fórum de chinelos, conduta considerada "incompatível com a dignidade do Poder Judiciário".

Não muito antes, policiais do Distrito Federal fizeram requerimento para que fossem tratados por "Excelência", tal qual promotores e juízes.

Há alguns meses, foi noticiado que outro juiz, este do Rio de Janeiro, entrou com uma ação judicial para obrigar o porteiro de seu condomínio residencial a tratar-lhe por "doutor".

Tais fatos poderiam apenas soar como anedotas ridículas da 

necessidade humana de criar (e pertencer a) castas privilegiadas. No entanto, os palácios de mármore e vidro da Justiça, os altares erguidos nas salas de iência para juízes e promotores e o tratamento "Excelentíssimo" dispensado às altas autoridades são resquícios diretos da mal resolvida proclamação da República brasileira, que manteve privilégios monárquicos aos detentores do poder.

Com efeito, os nobres do Império compravam títulos nobiliárquicos a peso de ouro para que, na qualidade de barões e duques, pudessem se aproximar da majestade imperial e divina da família real.

Com a extinção da monarquia, a tradição foi mantida por lei, impondo-se diferenciado tratamento aos "escolhidos", como se a respeitabilidade dos cargos públicos pudesse, numa república, ser medida pela "excelência" do pronome de tratamento.

Os demais, que deveriam só ser cidadãos, mantiveram a única qualidade que sempre lhes coube: a de súditos (não poderia ser diferente, já que a proclamação não passou de um movimento da elite, sem nenhuma influência ou participação popular).

Por isso, muitas Excelências exigem tratamento diferenciado também em sua vida privada, no estilo das famosas "carteiradas", sempre precedidas da intimidatória pergunta: "Você sabe com quem está falando?".

É fato que a arrogância humana não seduz apenas os mandarins estatais. A seleta casta universitária e religiosa mantém igualmente a tradição monárquica das magnificências, santidades, eminências e reverências. Tem até o "Vossa Excelência Reverendíssima" (esse é o cara!).

Somos, assim, uma República com espírito monárquico.

As Excelências, para se diferenciarem dos mortais, ornam-se com imponentes becas e togas, cujo figurino é baseado nas majestáticas vestimentas reais do passado. Para comparecer à sua presença, o súdito deve se vestir convenientemente. Se não tiver dinheiro para isso, que coma brioches, como sugeriu a rainha Maria Antonieta aos esfomeados que não podiam comprar pão na França do século 18.

Enquanto isso, barões sangram os cofres públicos impunemente. Caso flagrados, por acaso ou por alguma investigação corajosa, trata a Justiça de soltá-los imediatamente, pois pertencem ao mesmo clã nobre (não raro, magistrados da alta cúpula judiciária são nomeados pelo baronato).

Os sapatos caros dos corruptos têm livre trânsito nos palácios judiciais, com seus advogados persuasivos (muitos deles são filhos dos próprios julgadores, garantindo-lhes uma promiscuidade hereditária), enquanto os chinelos dos trabalhadores honestos são barrados. Eles, os chinelos, são apenas súditos. O único estabelecimento estatal digno deles é a prisão, local em que proliferam.

A tradição monárquica ainda está longe de sucumbir, pois é respaldada pelo estilo contemporâneo do liberal-consumismo, que valoriza as pessoas pelo que têm, e não pelo que são.

Por isso, após quase 120 anos da proclamação da República, ainda é tão difícil perceber que o respeito devido às autoridades devia ser apenas conseqüência do equilíbrio e bom senso dos que exercem o poder; que as honrarias oficiais só servem para esconder os ineptos; que, quanto mais incompetente, mais se busca reconhecimentos artificiais etc.

Numa verdadeira República, que o Brasil ainda há de um dia fundar, o único tratamento formal possível, desde o presidente da nação ao mais humilde trabalhador (ou desempregado), será o de "senhor", da nossa tradição popular.

Os detentores do poder, em vez de ostentar títulos ridículos, terão o tratamento respeitoso de servidor público, que o são. E que sejam exonerados se não forem excelentes!

Seus verdadeiros chefes, cidadãos com ou sem chinelos, legítimos financiadores de seus salários, terão a dignidade promovida com respeito e reverência, como determina o contrato firmado pela sociedade na Constituição da República.

Abaixo as Excelências!

Fausto Rodrigues de Lima, promotor de Justiça do Distrito Federal
Folha de São Paulo, 16 de julho de 2007, caderno Tendências/Debates, página A3

sábado, 14 de maio de 2011

Delicadas, as amizades


"Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?”
 “Quanto de verdade suporta um amigo?”
 “Aliás, o que é a verdade?", já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.
"Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade nossa com a verdade do amigo?"
São muito delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.
Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável.
Mas amizade, convenhamos, é coisa humanamente frágil. E a gente pensa que ela está aí para sempre. Mas não tem a durabilidade centenária das sequóias, que ficam se alongando e nos ofertando sombra acima de tudo. Às vezes, as amizades são essas orquídeas, carentes de um tronco alheio onde se alimentar e florescer.
A gente pensa que amizade é coisa só de seres humanos. Não é. Os animais curtem amizades; alguns, o amor, e outros chegam à paixão extrema por seus donos. E, no entanto, amigos, alguns cães se mordem, quase se arrancam às orelhas num ou noutro embate, às vezes por uma cadela no cio, às vezes por nada.
Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com o excesso, às vezes excessivo. Claro, também se perde amigo pela escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela fala mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala ou escreve uma coisa, o outro ouve outra coisa. Se não der para desentortar a frase ou o ouvido alheio, a amizade fica torta.
Diz o apóstolo Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.
- Será assim a amizade?
Até hoje não ficou muito clara a diferença entre amor e amizade. Mesmo porque muito amor termina se metamorfoseando em amizade; uma amizade pode virar amor, e podemos inimizar a quem amamos e nos esforçamos por ser amigo de quem nos despreza. De resto, para matizar ainda mais as coisas, os franceses costumam falar de "amizade amorosa", algo parecido com que aqui há tempos se chamou de "amizade colorida”.
Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?
Não há amizade assim solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.
Deveríamos então criar um manual, algo assim como "Amizade, modo de usar?". Ah, sim! mas isso já existe, está, lá naquele best-seller Como fazer amigos e influenciar pessoas. Está?
Drummond tinha razão, uma triste razão, é verdade, ao dizer que as pessoas deveriam manter entre si a mesma relação que entre si mantêm a ilha e o continente, certo distanciamento e uma não muito estouvada confraternização.
Mas aí a amizade vira algo pouco tropical, e como Thomas Merton dizia que nenhum homem é uma ilha, o que fazer com os que não têm a fleuma mineiro-britânica e não suportam viver num frio ou morno relacionamento?
Há pilotos que pousam pesados Jumbos com uma suavidade angelical, e por isso merecem aplausos.
Há médicos que fazem incisões profundas para manter o outro vivo.
Como dizer o que se deve dizer sem sangue ou náusea?
Um dia um ex-amigo me disse: "No princípio tentei te imitar, depois resolvi te destruir.”
Tive de me proteger.
Quem, como José Martí, dirá que "cultivo a rosa branca em junho e em janeiro para o amigo sincero que me dá sua mão franca, e para o cruel que me arranca o coração com que vivo, nem cardo ou urtiga cultivo, cultivo a rosa branca"!?
Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os que no poder não estão. Neste caso não se pode nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo. Retornarão algum dia?
Neste caso, como dizia Neruda, os de então já não seremos os mesmos.
Há vocacionados para amizade. Têm um dom natural. Árvores copadas onde se reúne o rebanho. Quando você vê, está todo mundo ali ouvindo, curtindo ou simplesmente estando.
Qual o grau de resistência de uma amizade? De um metal podemos dizer: derrete-se a tal ou qual temperatura.
São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes se desmancham no ar.
Affonso Romano de Santanna

Para que a amizade não se desmanche no ar transparência nas relações é o melhor caminho.
Infelizmente alguns calam e fogem do confronto. Outros ficam com suas “verdades” sem procurar ouvir a “verdade” do outro.
Tenho que concordam com o autor, amizades são delicadas.
Regina Coeli Carvalho


terça-feira, 10 de maio de 2011

Engano, descaso ou falta de comprometimento?


Recebi esse relato por email, como o texto estava sem autoria fui verificar a veracidade dele. Foi escrito pelo médico anestesista Eduardo Raia.
Se um médico passou por uma situação inacreditável como essa imaginem como nós, ignorantes dos procedimentos médicos, estamos expostos.
Há cinco anos perdi um irmão vítima de negligência médica e a dor da perda é ainda maior por sabermos que uma vida poderia ser salva se houvesse mais comprometimento por parte dos profissionais que dele “cuidavam”.  
 
RELATO DE UM SOBREVIVENTE

Bom, aqui estou eu vivo e saudável graças ao meu bom Deus que com toda a certeza deste mundo estava ao meu lado, ou melhor, estava comigo em seus braços e aos seus anjos da guarda enviados, Marcello Vianna, Márcio Ananias e Cláudio Vieira, todos muito responsáveis por eu estar aqui agora escrevendo esta história.
Estava eu internado, sendo hidratado para tentar expelir uns cálculos que estavam impactados em meu ureter quando um auxiliar de enfermagem da Casa de Saúde São José colocou uma solução de 50 ml de soro fisiológico com uma medicação chamada Nexium que serviria para proteger meu estômago. Não era o Nexium que estava ali dentro. Era ali, naquele momento, que começaria a pior experiência que eu passei em toda a minha vida, a de morrer, de saber que ia morrer sem nada poder fazer, de saber do que estava morrendo e não poder avisar aos meus anjos que me socorriam, de morrer tão jovem e cheio de sonhos...
Uma sucessão de erros iniciados na farmácia da Casa de Saúde, que liberou uma droga de uso restrito em centro cirúrgico para um andar de enfermarias, passando pela diluição sem conferência pela enfermagem, culminou na administração de uma droga chamada Nimbium em minha veia. O Nimbium é um relaxante muscular derivado do curare, usado em anestesia geral para paralisar os músculos, permitindo ao cirurgião um relaxamento muscular adequado à realização de cirurgias. Portanto, quando administrada sozinha, esta droga, produz paralisia de todos os músculos do corpo, inclusive os responsáveis pela respiração, mantendo a pessoa imobilizada, porém consciente de tudo.
Agora, vocês podem imaginar o que eu, um anestesiologista, conhecedor profundo dos efeitos desta droga, senti. Minha vida foi-se indo, sem forças para respirar, sem forças para avisar aos meus anjos, que ainda atônitos me davam os primeiros socorros de suporte a vida, sem ter a menor idéia do que havia acontecido. Com toda a minha força e alegria de viver, lutei contra esta droga, que por alguns segundos me venceu.  Porém, graças a uma máscara e um ambú salvador, que demorou a chegar porque o carrinho com o equipamento de ressuscitação do hospital estava com suas rodas quebradas e se desprendendo, ressurgi respirando por força das “ambuzadas” salvadoras do Cláudio Vieira, um amigo, pai, irmão, companheiro de trabalho que lutava ali pra me salvar. Juntei todas as minhas forças, porque graças à “presença de espírito” do Marcello Vianna que estava ao meu lado quando se iniciou a administração da droga, a mesma foi interrompida por ele, permitindo que apenas uma pequena quantidade tenha realmente entrado em minha veia.  Consegui então, verbalizar com muito esforço aos meus outros dois anjos (Márcio Ananias e Cláudio Vieira) a palavra: “curare... foi curare...” e desta forma receber o tratamento definitivo.
O mais impressionante de tudo isto, é que naquele momento a Casa de Saúde estava recebendo um certificado internacional de Acreditação Hospitalar, e eu ali, morrendo por um erro grosseiro de toda uma estrutura hospitalar que estava sendo certificada internacionalmente por sua excelência em atendimento hospitalar, que ironia não? Curiosamente neste dia, folgas de funcionários haviam sido canceladas, número de cirurgias diminuídos para que não se repetissem as cenas que eu vi na semana anterior, de pacientes e acompanhantes sentados no chão da recepção de tão cheio que o hospital estava. Tudo isso para que os acreditadores tivessem uma boa impressão do hospital.
Mas o que aconteceu? O que levou a tantos erros? O que pode levar um funcionário da farmácia a liberar uma medicação errada? O que pode levar uma farmacêutica permitir que isso aconteça? O que levou um auxiliar de enfermagem experiente a diluir e administrar uma droga errada? Que a Acreditação canadense me responda. Que o excesso de burocracia ou “burrocracia” que a tão falada Acreditação prega, me responda. Que bom que possam responder a mim e não aos meus herdeiros... Será que não estamos vivendo um momento de excesso de papéis? São tantos termos, formulários, protocolos, fichas que os profissionais de saúde têm que preencher que no momento mais crucial, no momento em que deve haver mais concentração, no momento em que se deve cuidar do paciente, separar e diluir as medicações, estes profissionais estão esgotados mentalmente, sendo passíveis de erros tão grosseiros que podem determinar o fim da vida de um ser humano. Que segurança hospitalar é essa pregada onde papéis são mais importantes do que os seres humanos?
Muitos me perguntam o que eu vou fazer, outros me afirmam “você vai processar né”, porém, o que eu realmente vou fazer, com o tempo, todos saberão. Todavia, eu que sempre lutei pela ética, pela boa prática médica, pela lisura em todos os campos da vida, que critiquei os que se omitiram por covardia, eu, que sempre levei o lema “não me assusta os gritos dos homens maus, mas sim, o silêncio dos homens de bem”, não posso me calar, tenho que lutar e exigir mudanças. Não é possível se administrar uma medicação e simplesmente dar as costas para o paciente. Porque o enfermeiro não leva a prescrição até o quarto, não a lê para o paciente e prepara a diluição na frente do paciente? Isso não aumentaria a segurança? Não seria isso excelência hospitalar? De uma coisa eu tenho certeza, mudanças profundas precisam ocorrer, porque o que aconteceu comigo não pode acontecer mais. A medicina e a assistência ao paciente precisam de uma reformulação profunda de seus conceitos, visando à maior atenção a quem de direito: pacientes e profissionais de saúde em detrimento ao lucro e a papelada burocrática.
Encerro aqui muito feliz por estar vivo e bem, agradecendo a Deus por tudo em minha vida e a todos meus amigos e parentes por fazerem parte da minha vida.

Eu amo todos vocês...
Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2011.
EDUARDO RAIA




segunda-feira, 2 de maio de 2011

Brincadeiras Rimadas



Ela faz brincadeiras rimadas para alegrar a criançada.
Eu, com um longo caminho percorrido, me alegro e percebo nessa menina que suas rimas são mimos que acalantam a criança que habita em mim.

Ela é a Cristiane Muniz e está aqui em : Brincadeiras Rimadas



domingo, 24 de abril de 2011

Das travessias....


Na religião judaica o Pessach é a festa que celebra a saída dos judeus do Egito, da escravidão para a liberdade.

Em 2009 publiquei uma mensagem na qual o Rabino Marcelo Rittner fazia uma comparação entre dois acontecimentos semelhantes, porém distanciados por 49 anos.

 “14 de novembro de 1960:
Ruby Bridges, uma menina de seis anos de idade, foi levada à escola em Nova Orleans, EUA, por uma escolta de policiais federais.
A menininha foi pesadamente insultada e ameaçada de morte por uma multidão enfurecida. Assistiu às aulas sozinha: as demais crianças foram mantidas em casa pelos pais.
Ruby Bridges era negra - esse era seu crime.”

“5 de janeiro de 2009:
Uma menina negra de sete anos de idade, Sasha, foi levada à escola por sua mãe, Michele. Agentes do Serviço Secreto a escoltaram, mas apenas por um motivo: seu pai, Barack Obama, era o novo presidente dos Estados Unidos.”

O Pessach é a festa que comemora a travessia da saga de Ruby Bridges para a saga de Sacha Obama.

O Pessach será, um dia, a festa de toda a humanidade. (Baseado numa mensagem do Rabino Marcelo Rittner)

51 anos após o episódio vivenciado por Ruby Bridges, ainda nos deparamos com discriminações raciais, intolerâncias religiosas, preconceito contra as diversidades, crimes bárbaros, injustiças sociais, nos lembrando a cada momento que os homens parecem estar retrocedendo no seu caminhar.

No Cristianismo, a Páscoa, palavra originada de Pessach no hebraico, celebra a Ressurreição de Cristo após sua morte.

Independente da religião professada ou do nome que se dê, que esta data seja um momento de reflexão e de avaliação das situações de “morte” que precisamos transpor para situações de vida, conscientes de que fazemos parte de um todo e esse todo está no interior de cada um de nós.

PAZcoa é vida!

E a construção de uma nova vida se faz na busca de um mundo próspero, pleno, poético e plural.

Publicado no Recanto das Letras em 22/04/2011
Código do texto: T2924117

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cuide bem do seu leão


Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu.

Outro dia, tive o privilégio de fazer algo que adoro: fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos.  Gosto disso. São raras as chances que temos de escutar suas histórias e absorver um pouco de sabedoria das pessoas que já passaram por grandes experiências nesta vida.

Depois de uma almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios. Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele: "Pois é. Empresário, hoje, tem de matar um leão por dia". Sua resposta, rápida e afiada, foi: "Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele".

Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha surpresa, pois me disse: "Deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você".  Segue mais ou menos o que consegui lembrar da conversa:

"Pierre, existe um ditado popular antigo que diz que temos de "matar um leão por dia".  E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão. A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase.

Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão. Afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?

Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado!
A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente.
Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar o Paulo, que hoje é nosso diretor geral.

Este "fracasso" me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão? Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão". Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha a ver com a história?

Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse: "É. Pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma. Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci de dar um leão para cada, que era o mais importante. Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser.

Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele. Que a metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão, em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele."

Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades. Para crescer, ser mais forte, e "me virar" nesta selva em que vivemos.

Pierre Schurmann

sábado, 9 de abril de 2011

Naíma

Recebi por e-mail uma prosa-poética-depoimento da minha querida ex-aluna Patrícia Sodré. Linda e  emocionante, no decorrer da leitura re-vivi minha gravidez, minhas conversas com a Clara, momentos só nossos, laços de mãe e filha.
Respondi a Patrícia e solicitei autorização para dividir no blog essa delicadeza de con-tato.
compartilhando esse momento, amigas/amigos! pra quem tá perto, pra quem tá loonge, pra quem tá junto!...
algumas coisas que aprendi, venho aprendendo, [outras confirmando]...durante a gravidez, algumas sobre a naíma, sobre a vida:

usar sutiã é importante nesse momento. pensar antes de falar também. nem tudo é para ontem. o enjoo faz parte, pessoas desagradáveis também. mas ambos passam. aprendi a comer melhor. voltei a fazer exercícios. leitura é fundamental. sim, o mundo é um moinho e sempre há chances para delicadeza. observar é necessário. ouvir também. falar nem sempre, pense, pense... faz bem! é preciso separar o que é principal do que é acessório. vida é movimento. viver é arte de encontrar. reencontrar também. qualquer gesto de carinho é grandioso. música pra Naíma é fundamental. pra mim também. filho não é extensão do ego dos pais. não são complemento da personalidade dos pais. não são objetos. eles são sujeitos.em 6 meses aprendi o que é amor de verdade. naíma é uma flor que fura o asfalto, quebra o tédio. esse amor é de amor e não de vaidade ou de conveniências. [re] aprendi a me emocionar. o "vamos além" é lei pra vida. respirar é vital. massagear a barriga também. cantar pra naíma faz bem pra nós. ela, de fato, já reconhece as pessoas. ficar na mesma posição por muito tempo não é legal.o eunós dessa vez é sem vírgula. tem muita gente ruim nesse mundo. mas gente amáveis também. eu não sou barriga de aluguel. família é fundamental. mãe não é porta bebê. mãe é mãe. é mulher também. cada um sabe do seu joio e do seu trigo. a puc é realmente distante da minha casa rs. tento tornar o percurso mais divertido o possível. os nervos ficam sim a flor da pele, carência aperta também. eu não sei que força é essa que leva o barco pra outros lugares. aí tudo que aparentemente era grandão, fica pequetito. ser boba não combina comigo. a maternidade ilumina, envolve e guia. mãe passa o dia esperando "sinais" da filha. um chute, um movimento. tem horas que parece que nada vai dar certo. ela mexe e isso já é "mãe, já deu certo". o início da gravidez é uma fase boa. mas a partir da vigésima semana tudo cresce mais. o banho é um momento único. o processo para dormir também. deitar, conversar, cantar "junto" com ela. aprendi também que é melhor evitar falar coisas ruins. sempre que tiver em ambientes pesados é bom pensar no lilás.seguir para frente é o caminho. oração é fundamental. dar gargalhada também. ficar em casa é bom. sentir a água bater na barriga também. óleo de amêndoas é o melhor amigo das grávidas. o sol também. naíma vai se sentir mais a vontade com pessoas que ela já conhece. já pensava nisso, a Dri confirmou. ela mexe. a barriga coça muito. o peito também. naíma mexe bastante [não só chutes] em ambientes calmos ou que eu esteja "calma". ela gosta quando eu tô deitada. isso é bom rs. ela gosta de tambores. e duas cantoras caboverdianas. canto peixe vivo, lembro da minha vó. canto sempre pra ela. música relaxa e revitaliza mãe e filha. eu queria contar histórias, mas ainda não comecei rs. reparei que ela gosta da voz da sônia, professora. as pessoas às vezes são invasivas. nem todo mundo eu deixo que toque na minha barriga. ela é filhote de leoa. aprendi que não é bom esperar, depender dos outros. o barco pode tá no mar, mas a cada um tem seu comando. às vezes é bom ir sem saber pra onde, mas é bom escolher também. eu gosto de surpresas. tive várias nesse período. gravidez é emoção. se emocionar é parte mais legal. nem tudo é pra ontem ou pra amanhã, mas tem coisas que, impreterivelmente, são pra hoje. cada dia é um dia. e único. nunca na vida dei tanta importância pro presente, pro agora. esse meu agora tá muito bonito. tá porque me achei nele. eu gosto quando perguntam "como vocês estão?". o "faz parte" é para fracos. é sempre bom rever pessoas. outras a vida leva pra longe. a vida tem acertado em que ela leva. naíma agradece. naíma é presente divino. renovo minha alma todo dia. o pai dela me reinventa sem saber. pensar no amanhã, fazer planos é importante. responsabilidades fazem parte. mas seguir suave, se fortalecer no hoje é muito bom. ninguém substitui ninguém. minha mãe é uma grande mulher. ela nasceu pra ser avó. não é bom omitir fatos. canjica é bom pro leite. é melhor evitar o suco do bandejão. realmente o negócio de sentar no garfo ou na colher funciona. meus sonhos têm sempre um significado. fazer lista do chá de bebê leva tempo. organizar a casa também. dinheiro na mão é vendaval. naíma na barriga é amor.conversar com grávidas é muito bom. ficar com crianças também. sempre quando danço seguro a barriga rs. filho não é troféu. adoramos as reuniões do Gecec. desejos de comer coisas diferentes fazem parte da gravidez. o que causou enjoo no início, causa agora. tem hidratante que nem posso sentir o cheiro, por exemplo. sim, eu gosto muito quando perguntam "como vocês estão?". tem um amigo que sempre faz isso. me emociona sempre. é bom evitar o "deixa pra próxima vez...". saber que tem uma mulher aqui dentro, me fortalece. naíma tem momentos quase que "certos" para se mexer. quando ela tá sentada, fico com falta de ar e com dor na bexiga. de fato, grávida faz xixi toda hora. os seios ficam escuros. o rosto mais redondo. aprendi a ter paciência. aprendi que realmente cada um tem seu tempo. a vida também tem. tempo de plantar, tempo de colher, tempo de festa. percebi que não sei lidar com instabilidades emocionais alheias. [re] aprendi que tudo é processo. cada um tem seu tempo, mas tem gente que exagera rs. agora, mãe sou muito mais mulher e forte. sei bem o que quero. e não é bom acumular tarefas, conversas. ir além é preciso. comer fígado uma vez na semana é bom. ser mulher é ótimo. rio e mar quando se encontram, sai de baixo. pororoca, eu sou. gosto de encontros verdadeiros e de pessoas de verdade. desejo que Naíma faça suas próprias escolhas. definitivamente eu não sou barriga de aluguel. é bom levar naíma pra sentir o mar. os acessórios são acessórios. falar da minha filha me emociona. chorei algumas vezes. anotar tudo o que acontece é muito bom. fotografar também. crianças adoram falar com a "barriga".amizade é fundamental... muitas coisas... muitas coisas... de felicidade... é infinito...

Patrícia Sodré

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Carta enviada à imprensa por Cristiane Marcenal




 “SENHOR, o meu coração não se elevou nem os meus olhos se levantaram; não me exercito em grandes matérias, nem em coisas muito elevadas para mim”. Certamente que me tenho portado e sossegado como uma criança desmamada de sua mãe; a minha alma está como uma criança desmamada. (Salmos 131:1-2)
 
Termina uma semana em que o Judiciário do Rio de Janeiro nos deu, a nós, população brasileira narizes de palhaço!

Chamaram-me após para entregar-me pessoalmente as calças largas e o colarinho que não será jamais branco.

Nesta semana fui convocada a estar com o Ministério Público para tratar sobre a mudança da tipificação do crime cometido contra a Joanna, minha filha de 5 anos, e a revogação da soltura. 
Pois bem, a promotora do caso disse-me não estar convencida que o André foi omisso no socorro à Joanna. Que o melhor seria que meu defensor, assistente de acusação do processo, não recorresse porque iria até o STJ e isso demoraria cerca de 6 anos. Inclusive disse que meu defensor, na verdade, não poderia fazer isso. (Era o momento da entrega das calças de palhaço). Pediu-me que eu me conformasse pelo crime de tortura seguida de morte que dá entre 10 e 20 anos de reclusão mais 1/3 da pena por ser filha dele, e saída com 2/5 da pena, portanto 4 anos. Tinha convencimento de que era o melhor. 

Intruiu-me que o Juiz Alberto Fraga tem por hábito soltar prisioneiros mesmo e o Dr. Guilherme Schilling prender. Perguntei então porque trocaram os juízes. Ela calou-se (provavelmente não sabe a resposta). E que a promotora Ana Lucia Melo e o promotor que com ela havia assinado a denúncia inicial só tinham assinado por assinar. Ao que retruquei: a Dra. Ana Lucia lhe disse isso? “Não o outro promotor.”

Fui até a central de inquéritos averiguar a decisão leviana (que só naquele momento tomava ciência) havia sido feita. O Promotor Dr. Marcio Nobre, coordenador, atendeu-me e disse que não costumam trabalhar assim lá. Instruiu-me a pedir a meu assistente de acusação que recorresse. É direito de todos!!!(Ué acabo de ouvir outra coisa de uma promotora).

Recorri ao processo, uma vez que, a promotora já havia entregue suas alegações finais porque disse ter pressa neste processo (?????) O Juiz manda soltar o André com argumentação de 5 páginas.  Ele pede para prendê-lo de novo num parágrafo. Só falta o,,, “por favor,se não for incômodo”!No tocante à prisão preventiva do réu (...) vem interpor RECURSO EM SENTIDO ESTRITO contra a mesma, com fundamento no artigo (...) DO CPC. 

Na nova denúncia considera que “com emprego de violência física e psicológica, a intenso sofrimento físico e mental, COMO FORMA DE APLICAR CASTIGO PESSOAL.” A intenção do André fora exercer castigo pessoal. Quem castiga assim seus animais de estimação? Quanto mais filhos. 

Na argumentação do Dr. Alberto Fraga, ”com efeito, o depoimento prestado por Vivian Ribeiro Gonçalves de Oliveira em sede policial (...), que o quadro de Joanna era bom” só faltou dizer que o nome usado foi o de Maria Eduarda e não o da Joanna. Será que estão os réus com problemas de esquecimento e confundiram as filhas? E em outro trecho: “André chegou a marcar consulta com neuropediatra para dia 16.07 na clínica São Bernardo (..)”. Por que então não a levou ou consultou o pediatra dela Dr. Vanderlei Porto, testemunha do processo, uma vez que André já sabia disso e inclusive levara as outras filhas ao consultório dele?  A Vanessa também foi paciente de Dr. Vanderlei quando criança e já de longa data sabe que no receituário dele constam TODOS os telefones onde pode ser encontrado durante dia e noite, porque está lá o telefone da CASA dele. E existem no processo da Vara de Família MUITOS receituários do Dr. Vanderlei. Mesmo que não quisesse me procurar, como de fato não fez, poderia achar o pediatra visto que Joanna padecia da doença há mais de 15 dias - vide queimadura. 

Em outro trecho “O médico José Eduardo Ferreira de Figueiredo afirmou (...) uma paciente imunodeprimida é possível evolução em 3 ou 4 dias”. Este mesmo médico diz em seu relato que o pai informa que a Joanna estava há 24h desacordada e neste período sugou apenas três mamadeiras.

Os B.O.s do processo falam de agressão física (neste ponto cumpre destacar que é inegável a animosidade entre o réu e a Sra. Cristiane Cardoso Marcenal (...) não só a mim, aliás, contra mim nem existe no processo, foi declinado por influência de uma outra Juíza, mas isso é outra história que ainda contarei. Existem registros de agressão contra a 1° mulher, Gleide de Abreu Marins, (que consta, inclusive como argumentação da negativa do último pedido de soltura do André pelo Dr. Guilherme Schilling), contra a Vanessa e outras pessoas que não sei quem são, e é óbvio à Joanna em 2007 como todos já sabem.

Ainda há Folha de Antecedentes Criminais dele em que consta 26 vezes a imputação pelo mesmo crime.
A residência fixa está sendo leiloada então agora a residência será o Tribunal, é isso que vão alegar porque é funcionário público?

Para arrematar ele declara: quando consta no processo, na denuncia inicial do MP este artigo “As declarações constantes na reportagem de fls. 02-i e fls. 02-J são insuficientes para demonstrar que, uma vez solto, André (...) irá causar qualquer mal injusto e grave àqueles que depuseram em seu desfavor”. Palavras de André na coletiva em papel timbrado do MP: “Eu vou perseguir as pessoas que me caluniaram e difamaram judicialmente, civil e criminalmente. Inclusive a faxineira que trabalhou três dias como diarista na minha casa. Nós nunca tivemos babá”. Detalhe: uma das testemunhas de defesa do André, Maria Nazaré, apresentou-se no interrogatório ouvido por Dr. Alberto Fraga como babá das três crianças. Teve ou não teve babá?

Quem de nós não sabe ler? 

O juiz Alberto Fraga minimizou todas as provas contra André. Já vimos isso no processo da vara de família com as psicólogas e juíza.

Agora sim farei EU minhas alegações finais.

Palavra de Juiz não se discute CUMPRE. 

Por isso a Joanna foi entregue linda, andando, saudável no fórum de Nova Iguaçu por decisão da Dra. Claudia Nascimento Vieira. Por isso permaneceu só 52 dias na casa do pai mantendo-se mais 26 em coma. Na casa do pai foi amarrada pés e mãos como ele mesmo confessou, deixada sobre um tapetinho assim Ó, com fezes e urina, camisa regata, calcinha, num closet de chão de granito em pleno inverno de Julho, enquanto ele sai de casa com as outras duas filhas, por estar de férias e orienta a babá a deixar Joanna ali para não sujar os lençóis porque Vanessa iria brigar. Você trataria assim seu animal de estimação? Sem contar a humilhação de fazer xixi e cocô nas calças na frente de duas irmãs mais novas porque o pai não a quis socorrer.

Segundo o novo convencimento do MP ele não quis matá-la quis castigá-la. Se quisesse por torturador que é, teria torturado a mim e ficaria por conseqüência com a filha logo após a minha morte, ele era o pai. Detalhe que as pessoas parecem esquecer: a criança torturada, de 5 anos era filha dele, não só minha. O judiciário manda-me mais uma vez o recado: CUIDADO! Nós podemos e fazemos o que queremos por nossos funcionários.

Ele trabalha na sala ao lado do cartório do 3º Tribunal de Júri onde corre o processo.

MAS EU NÃO VOU DESISTIR. Não tenho pressa. Se o processo durar 6 anos como sugeriu Dra. Carmen Eliza eu espero. A minha filha não volta mais pra casa. Eu já perdi 24 kg porque não consigo sentar-me à mesa para comer porque há um lugar vazio. No trajeto da escola meus filhos perguntam quando ela vai vir pra escola. No guarda-roupas muitos brinquedos e objetos pessoais me lembram que minha filha se foi. Na sala seu sofá preferido está vazio. No carro não há mais três cadeiras de crianças. Na são três beijos pra dormir, nem três ao acordar. Não sinto seu cheiro. Não tenho seu abraço. NUNCA MAIS terei. 

Por que pressa? A Promotora Elisa Pittaro foi DURAMENTE penalizada por arquivar o processo de maus tratos. Ela era professora dele na EMERJ e me ameaçou em público de denúncia por homicídio. Disse que eu “tomaria duas denuncias lá em Nova Iguaçu”. Agiu ajudando-o, defendendo-o e falando em cadeia nacional, no programa da Ana Maria Braga sobre documentos sigilosos aproveitando-se do cargo público de confiança que possui. Já recebeu sua punição administrativa, agora só falta a criminal.  Este documento eu não posso exibir (punição administrativa); é segredo!!!!(fale baixo, senão todos saberão).

Mas a queixa-crime está em andamento num processo já iniciado.

No Habeas Corpus pedido alguns desembargadores se deram por impedidos por trabalhar com ele. Daí se manifesta o MP através de Delma Moreira Acioly. De novo a mesma história?

O Dr. Guilherme Schilling é rapidamente afastado do processo e surge outro só na fase de interrogário dos réus, o que dá a esse último Juiz o direito da pronúncia e alegações finais. O Dr. Alberto Fraga o solta e de novo, novo Juiz, agora o titular da Vara Dr. Murilo Kielling. Já andam me intimidando da forma mais tiririca do mundo. 

 Dizem que sou corajosa, na verdade, sou a única pessoa que pode salvar a memória da Joanna e a única mãe que ela tem. O amor pode tudo.

 “Tudo pode, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (I cor 13:7).

 * As letras em azul às palavras do pai em entrevista coletiva.

** As letras em vermelho referem-se às transcrições feitas dos referidos documentos.

*** Os documentos acima relatados encontram-se em:

Cristiane Cardoso Marcenal Ferraz

Mais informações: Caso Joanna Marcenal

Assine o abaixo-assinado aqui.



Obs: Hoje, Cristiane Marcenal relatou a história de sua filha Joanna Marcenal para a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.
Queremos acreditar que arbitrariedades serão apuradas e que a faixa que cobre os olhos de Têmis – Símbolo da Justiça – signifique realmente a imparcialidade.

“Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.” George 0rwell, in 1984


quarta-feira, 6 de abril de 2011

O Terapeuta do Olhar


Vezenquando visito meus livros antigos, há sempre um novo olhar sobre alguma leitura feita há muito tempo. Semana passada estive folheando o “Espelho Mágico”, 1º livro que li do Dr. José Angelo Gaiarsa.
A leitura dos seus livros me deu um novo olhar em direção ao processo terapêutico, diferente de grande parte da aprendizagem no período universitário.
Os vídeos são de 2008, Dr. José Ângelo Gaiarsa faleceu em Outubro de 2010, mas seus ensinamentos estão vivos na prática psicoterápica de muitos dos seus admiradores.





“Amar o outro é a 1ª condição de liberdade. Para amar é preciso aceitar-se a si próprio e depois aceitar o outro”. José Angelo Gaiarsa

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Medo o fantasma que nos espreita


Quando criança, ao ouvir uma canção popularmente conhecida como “Churrasquinho de Mãe”, me escondia para chorar com medo de que acontecesse o mesmo com a minha mãe. Lágrimas e soluços rolavam, mas depois de me recompor, voltava às brincadeiras.

Outros medos foram se apossando de mim, ainda bem pequena a morte da menina Taninha foi um marco para instalar-se em mim o medo dos desconhecidos. Havia a sensação de que qualquer pessoa que se aproximasse poderia me roubar dos meus pais.

Hoje tenho medo dos pais que matam seus filhos, da justiça que julga segundo suas conveniências, dos políticos que legislam em causa própria, da censura que devagarzinho está voltando, da forma como nos querem calar.

Tenho medo de deixar de me indignar.


28/03/2011, após saber da revogação da prisão do pai de Joanna Marcenal


Publicado no Recanto das Letras em 29/03/2011
Código do texto: T2878044

Livre-se

Foto minha: Idosa na roda
Evento Largo do Machado
26/03/2011

Livre (se)
Livre-se da sua inteligência, se ela não faz ninguém sorrir, se é incapaz de te fazer sentir o gosto bom da simplicidade. Livre-se do bom senso, se não tem bom humor. Do bom gosto, se não tem bondade. Se desfaça do seu lado crítico, se ele te prende numa opinião quadrada sobre as coisas que estão te cercando e não te permite um novo olhar sobre aquilo que está mudando. Livre-se da lógica, se não dá brilho aos seus olhos, se não deixa cor na sua boca, se não enfeita o mundo; e seja a incógnita que dança na poça, que canta na chuva, que beija o absurdo. Seja profundo.
Eliza Moreno