quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
1ª Camisa do Fluminense
De inspiração inglesa a pioneira camisa do Fluminense
Football Club foi adotada oficialmente em 17 de outubro de 1902, menos de três
meses depois de sua fundação. Esporte fino, o colarinho, a gola e o punho
traziam botões para ajustar o caimento. Completavam o uniforme calção branco,
meias pretas e boné cinza, com lista horizontal preta. Para o chamado primeiro
time, um privilégio: seus bonés eram cinza e branco, com o escudo do clube – F.F.C.
– acima da viseira. Sua estréia oficial se daria dois dias depois contra o Rio Football
Club. Goleado por 8 a 0, o adversário não chegaria a completar um ano de existência.
De branco e cinza, o Fluminense jamais conheceu derrota.
Fonte: Revista Tricolor/Brahmeiro Futebol Clube
*A relíquia encontra-se na sala de troféus nas Laranjeiras
**Mantida a grafia original
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
O Lugar Escuro
Em O Lugar Escuro, Heloisa Seixas narra uma história real, a
sua própria, entrelaçada com um pesadelo familiar. Todas as fases da lenta
degradação de uma mente comprometida são descritas de forma minuciosa e
assustadora neste livro que, de tão fantástico, às vezes parece ficção, ou
"uma espiral assombrada", como define a escritora. Mas quem já
conviveu com pessoas afetadas pelo mal de Alzheimer sabe que a realidade é
assim - uma sucessão de memórias perdidas, um vazio que vai tomando tudo, uma
realidade fugidia, em que o doente se transforma no avesso de si mesmo. Como
quem procura pistas para sair de um labirinto, Heloisa Seixas reproduz essa
trajetória, que nos assusta e atrai, com sua dose diária de estranhamento e
loucura. Das raízes familiares, num casarão da Bahia, à vida no Rio dos anos
dourados, Heloisa faz uma viagem ao passado de sua mãe, esquadrinhando a mente
que aos poucos se estilhaça. O Lugar Escuro é um relato corajoso - narrativa
catártica que tem o poder de emocionar, e também de aproximar o leitor desse
cotidiano que massacra um número cada vez maior de pessoas e que é a principal
causa de demência entre idosos no Brasil e no mundo.
O Lugar Escuro
Heloisa Seixas
Editora Objetiva
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
A casa materna
Casa da minha infância
Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna.
As grades do portão tem uma velha ferrugem e o trinco se encontra num lugar que
só a mão filial conhece. O jardim pequeno parece mais verde e úmido que os
demais, com suas palmas, tinhorões e samambaias, que a mão filial, fiel a um
gesto de infância, desfolha ao longo da haste.
É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando
as mãos filiais se pousam sobre a mesa farta do almoço, repetindo uma antiga
imagem. Há um tradicional silêncio em suas salas e um dorido repouso em suas
poltronas. o assoalho encerado, sobre o qual ainda escorrega o fantasma da
cachorrinha preta, guarda as mesmas manchas e o mesmo taco solto de outras
primaveras. As coisas vivem como em preces, nos mesmos lugares onde as situaram
as mãos maternas quando eram moças e lisas. Rostos irmãos se olham dos
porta-retratos, a se amarem e compreenderem mudamente. O piano fechado, com uma
longa tira de flanela sobre as teclas, repete ainda passadas valsas, de quando
as mãos maternas careciam sonhar.
A casa materna é o espelho de outras, em pequenas coisas que
o olhar filial admirava ao tempo em que tudo era belo: o licoreiro magro, a
bandeja triste, o absurdo bibelô. E tem um corredor à escuta, de cujo teto à
noite pende uma luz morta, com negras aberturas para os quartos cheios de
sombra. Na estante junto à escada há um Tesouro da juventude com o dorso puído
de tato e de tempo. Foi ali que o olhar filial primeiro viu a forma gráfica de
algo que passaria a ser para ele a forma suprema da beleza: o verso.
Na escada há o degrau que estala e anuncia aos ouvidos
maternos a presença dos passos filiais. Pois a casa materna se divide em dois
mundos: o térreo, onde se processa a vida presente, e o de cima, onde vive a
memória. Embaixo há sempre coisas fabulosas na geladeira e no armário da copa:
roquefort amassado, ovos frescos, mangas-espadas, untuosas compotas, bolos de
chocolate, biscoitos de araruta - pois não há lugar mais propício do que a casa
materna para uma boa ceia noturna. E porque é uma casa velha, há sempre uma
barata que aparece e é morta com uma repugnância que vem de longe. Em cima
ficam os guardados antigos, os livros que lembram a infância, o pequeno
oratório em frente ao qual ninguém, a não ser a figura materna, sabe porque
queima às vezes uma vela votiva. E a cama onde a figura paterna repousava de
sua agitação diurna. Hoje, vazia.
A imagem paterna persiste no interior da casa materna. Seu
violão dorme encostado junto à vitrola. Seu corpo como que se marca ainda na velha
poltrona da sala e como que se pode ouvir ainda o brando ronco de sua sesta
dominical. Ausente para sempre de sua casa materna, a figura paterna parece
mergulhá-la docemente na eternidade, enquanto as mãos maternas se fazem mais
lentas e as mãos filiais ainda mais unidas em torno à grande mesa, onde já
agora vibram também vozes infantis.
Vinícius de Moraes
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Rosemberg
Trilhava um caminho de alegria, generosidade e afetividade
faziam parte do seu cotidiano.
Sorriso franco de quem sabia aonde ir.
Vento no rosto e olhar refletindo a luz da esperança...
Então, repentinamente escureceu.
Berg,
Ontem revi muitas fotos suas, das micaretas com a Clara, das
festas de aniversário da Clara, do trabalho na “Oficina do Papai Noel”, das
festas das crianças soropositivas, em todas elas o seu sorriso se fazia
presente.
Sua alegria será sempre a nossa lembrança.
Meu afeto e minha saudade.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Gigantes da Lira, o bloco poético
Em criança, criada no subúrbio, freqüentava junto a minha
família o bloco do Boizinho. Reunião de famílias que levavam suas crianças a
pular ao som de marchinhas acompanhando os passos do boi.
Na adolescência, trabalhando e estudando, passei a preferir os
bailes dos clubes.
Quando do nascimento da Clara passamos a viajar no período
de carnaval.
Em 2002 meu irmão, Sergio, fundou o bloco “A Toca de Don
Ratão” que desfilava pelas ruas do Condomínio Palm Beach em Praia Seca.
Acompanhei o bloco durante 6 anos, posteriormente não me
motivei mais a pegar estrada, enfrentar engarrafamentos, conviver com os
espertinhos que furam as filas para trafegar pelos acostamentos.
Em 2008 acompanhei pela primeira vez o Gigantes da Lira,
bloco fundado 1m 1999 pela Sra. Yeda
Dantas que dá voz ao personagem Dr. Giramundo.
Escusado de dizer do meu encantamento. O verdadeiro carnaval
de “antigamente”,
Famílias reunidas, crianças fantasiadas, músicas lúdicas,
algumas marchinhas antigas, sem contar a famosa homenagem a Dona Elizabeth,
momento que a Banda toca Carinhoso em serenata abaixo de sua janela. Momento de
lágrimas que rolam ao meio de purpurinas, confetes e serpentinas.
Este ano dona Elizabeth não estava lá e sua janela vazia foi
motivo de carinhas tristes e perguntas que ficaram no ar.
Esse é o carnaval que precisa ser resgatado.
Como disse a Yeda, na abertura do desfile, o Gigantes da
Lira é poesia, é lúdico é encantamento.
Que nossas crianças possam conviver durantes muitos anos com
essa alegria que resgata o valor das famílias na participação das atividades
lúdicas de seus filhos.
Parabéns Yeda por ter contribuído com a alegria do carnaval
de Laranjeiras.
Parabéns aos integrantes e organizações do bloco pelo
espírito de solidariedade e organização.
Parabéns para nós que ficamos um pouco mais esperançosos que
algo nesse país pode ser saudável sem que nossos governantes dêem seus palpites
com o objetivo a curto ou longo prazo de privatizar também o carnaval de ruas.
domingo, 27 de janeiro de 2013
A maior tragédia de nossas vidas
Ouço o depoimento de uma adolescente, que conseguiu se
salvar da tragédia em Santa Maria, afirmando que os seguranças da boate não
permitiram que as pessoas saíssem antes de pagar a conta.
Que mundo é esse? Corpos sendo queimados, vidas de jovens se
interrompendo brutamente e a conta sendo prioridade no momento?
Mundo cão!
A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS
Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.
Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.
Fabrício Carpinejar
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Para minha filha, parceira, companheira e amiga
Meu desejo de dar à luz a uma menina era tão grande que ao
fazer as ultra-sonografias não quis saber o sexo do bebê que aguardava. Pensava
que se fosse um menino a frustração seria grande e assim esperava a surpresa
para o momento do nascimento.
Mas já me comunicava com ela. Deitada no sofá conversava com
aquele serzinho que se formava pedindo para que mexesse do lado direito se
fosse uma menina e do lado esquerdo se fosse um menino.
Durante nossas conversas enquanto eu acariciava a minha
barriga ela mexia do lado direito. A certeza de que a Clara estava a caminho ia
se fazendo presente.
No dia 15 de Janeiro de 1990 ela chegou. Ao contrário da
maioria das mães não verbalizei que era linda ou coisa parecida. Disse para o
Léo: “Ela parece uma velhinha”.
Lembro da Dra. Rosa, minha obstetra, no dia seguinte ao seu
nascimento dizendo que aquele parto foi cercado de uma vibração muito positiva
e que algo lhe dizia que seríamos grandes amigas.
Nesses 23 anos de convívio, de troca de aprendizagens, posso
afirmar que aprendi mais do que ensinei. Minha vida tem o antes e o depois da
Clara.
Obrigada filha por iluminar com a sua alegria o meu caminho.
Obrigada por colaborar para que eu me tornasse uma pessoa
melhor.
Que o “azul” seja a paleta predominante no colorido do seu
novo ano.
Feliz aniversário!
Para não esquecer nosso código: “Eu te amo daqui a lua dez
vezes ida e volta”.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Palhaço Palito
Ano de 1995 procurávamos uma atração para a Festa do Dia das
Crianças no Hospital Infantil do Fundão.
Uma amiga entrou em contato com o Palhaço Palito para saber
sobre seu cachê. Quando ele foi informado do objetivo da festa prontamente
concordou em participar sem que fosse necessário qualquer pagamento para sua
apresentação.
Nessa época realizávamos a festa em um pequeno espaço da
entrada do hospital.
Ele chegou e foi se arrumar no auditório. Depois de
caracterizado de palhaço, com maquiagem e seus devidos adereços, me chamou para
saber um pouco sobre as crianças.
Quando informado que eram crianças soropositivas, que
algumas brincadeiras não poderiam ser realizadas, pois eram muito frágeis quis
saber mais sobre os efeitos da doença.
À medida que eu relatava o estado das crianças as suas
lágrimas misturavam-se com sua maquiagem.
Minha filha, então com 5 anos, espantada perguntou-me:
“Mãe, palhaço chora?”
Essa imagem do Palhaço chorando guardo na minha memória
afetiva com muito carinho.
Hoje, Dia do Palhaço, deixo registrada minha admiração e
eterna gratidão por levar alegria e proporcionar muitas risadas para nossas
crianças e para as crianças que ainda existem em nós.
Obrigada, Palhaço Palito!
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
1º de Dezembro – Dia Mundial de Combate à AIDS
Durante muitos anos
convivendo com crianças soropositas assisti a muitas mortes. Tempo em que não
existiam os famosos coquetéis.
Embora esse final fosse
esperado, pois se encontravam em estado terminal o falecimento dessas crianças
sempre foi motivo de grande tristeza.
Hoje a sobrevida é maior e
aquela aparência esquálida não mais se apresenta.
Essas perdas, cujos rostinhos
ainda fazem parte da minha memória afetiva, além do sofrimento empático
deixaram ganhos na minha maneira de encarar a vida.
Agradeço a oportunidade de
ter aprendido grandes lições desses seres tão especiais.
No Dia Mundial de Combate a
AIDs, minha solidariedade aos portadores de HIV e minha gratidão à amiga
Elizabeth Martins que iniciou o trabalho voluntário junto às crianças soropositivas
do Hospital Infantil do Fundão e me levou a conhecer e me engajar em um mundo
completamente diferente daquele em que vivia.
Dante, Cecília, Amanda,
Valéria, Paulinho e tantas crianças que se foram.
Dezenove anos tentando
amenizar o sofrimento e ajudar na melhoria de condição de vida dessas crianças.
Resistimos bravamente a nos
tornarmos uma “ONG”, nosso trabalho de formiguinha sempre deu certo e
partidárias do velho ditado: “Em time que está ganhando não se mexe”, há
dezenove anos estamos juntos.
Minha saudade ao amigo “Paulo
Palavrão” grande colaborador do nosso trabalho, que após a sua partida nossas
festas perderam o brilho emanado da sua alegria.
Minha saudade, também, da
amiga Marilucia e do amigo André Filho que partiram vitimados por esse vírus agravado
ao vírus da ignorância e discriminação em uma época que o paciente soropositivo
era visto como um indivíduo perigoso à sociedade.
Nesse dia agradeço
especialmente ao jovem Rosemberg Neto um dos nossos colaboradores no serviço
pesado, transportando para o caminhão os presentes das crianças, carregador dos
sacos do Papai Noel, garçom das crianças e pau para toda obra nas nossas
festas.
Hoje, nosso jovem encontra-se
internado em estado grave, vítima de uma meningite.
Daqui enviamos de volta toda energia positiva e alegria que durante anos ele transmitiu as nossas crianças.
Daqui enviamos de volta toda energia positiva e alegria que durante anos ele transmitiu as nossas crianças.
Volta logo, Rosemberg, o
mundo precisa muito de você.
Regina Coeli Carvalho
Lembrando sempre que a prevenção é o melhor remédio.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Maracanã, Fluminense e o presente significativo
Na adolescência frequentei com assiduidade o Maracanã..
Dia de jogo do Fluminense encontrava a saudosa amiga Dalva e
partíamos serelepes, devidamente paramentas com nossas camisas listradas de
verde,grená e branco em direção ao estádio.
Ao caminhar pela rua em que morava percebia um olhar de
admiração de um senhor morador da localidade. Com o passar do tempo
discretamente ele dizia ao me ver passar: “Viva o Flu”. Um dia fui abordada por
ele que me entregou um cartão com a recomendação de que eu estava de posse de
uma raridade. Ele tinha jogado pelo Fluminense antes mesmo do meu nascimento.
Guardo esse cartão com muito carinho e já está destinado
coma “herança” para uma pessoa especial torcedora do Fluminense.
São esses presentes que não são comprados em lojas, mas que
chegam embrulhados de afeto que marcam pelo significado da oferta.
Regina Coeli Carvalho
Publicado no Recanto das Letras em 22/11/2012
Código do texto: T3998591
Código do texto: T3998591
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Eu e (alguns dos) meus homens
Eu e (alguns dos) meus homens
Li Platão pra saber que não quero amores platônicos e que a
vida real não está no mundo sensível, idealizado.
Aristóteles me ensinou que a metafísica de um relacionamento me seduz mais que a própria química ou o físico.
Descartes me deu a deixa do “gozo, logo existo”.
Quando Sartre me disse que o inferno era o outro, descobri também um paraíso ali.
E Nietzsche matando Deus, me deu permissão pra pecados deliciosos.
(A Igreja me ensinou a pecar).
Hegel era um chato.
Maquiavel me deu estratégias que não usei, não gosto de jogos de sedução, " canso, logo desisto"( Descartes de novo!).
Kant me ensinou que ser racional pode ser bem mais prático que romântico.
Schopenhauer me fez entender sobre a vontade insaciável que nos provoca o tédio.
Já me deitei com Kierkegaard.
Freud me apresentou Édipos, homens que me namoravam porque não podiam casar com suas próprias mães.
Wittgneistein eu abandonei antes de tentar entender.
Heidegger me falou da angústia que nos recolhe e renova.Aprendi muito sobre a autenticidade com ele.
Derrida desconstruiu tudo. Pra Foucault, sexo era phoder!
Mas foi um poeta, Manoel de Barros, que açucarou meu coração com açucenas.
Aristóteles me ensinou que a metafísica de um relacionamento me seduz mais que a própria química ou o físico.
Descartes me deu a deixa do “gozo, logo existo”.
Quando Sartre me disse que o inferno era o outro, descobri também um paraíso ali.
E Nietzsche matando Deus, me deu permissão pra pecados deliciosos.
(A Igreja me ensinou a pecar).
Hegel era um chato.
Maquiavel me deu estratégias que não usei, não gosto de jogos de sedução, " canso, logo desisto"( Descartes de novo!).
Kant me ensinou que ser racional pode ser bem mais prático que romântico.
Schopenhauer me fez entender sobre a vontade insaciável que nos provoca o tédio.
Já me deitei com Kierkegaard.
Freud me apresentou Édipos, homens que me namoravam porque não podiam casar com suas próprias mães.
Wittgneistein eu abandonei antes de tentar entender.
Heidegger me falou da angústia que nos recolhe e renova.Aprendi muito sobre a autenticidade com ele.
Derrida desconstruiu tudo. Pra Foucault, sexo era phoder!
Mas foi um poeta, Manoel de Barros, que açucarou meu coração com açucenas.
Marla de Queiroz, in Flores de Dentro
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Onde está Joana?
Pedido da Lenore, mãe da Joana:
Sejam minhas pontes, me ajudem a descobrir!!!!
É muito triste nada saber sobre minha JOANA.
Maiores informações: Desaparecidos do Brasil
"Todos nós somos construtores dessa ponte que anula distâncias". Mia Couto
Que possamos ser pontes na busca por Joana.
Que possamos ser pontes na busca por Joana.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Operação Asfalto Liso??????
Enquanto o Sr. Eduardo Paes propaga as grandes obras da cidade, fotografei da minha janela um pequeno trecho da Rua das Laranjeiras, rua de acesso ao Cristo Redentor.
A obra de arte é fruto da Operação Asfalto Liso,tão alardeada
pelo nosso prefeitinho.
Isso porque estamos bem perto do Palácio Guanabara, sede do
Governo do Rio de Janeiro.
Imaginem nos cantões da cidade.
SOMOS UM RIO: maquiado e remendado.
sábado, 3 de novembro de 2012
Obrigada, Heleninha
Durante muitos anos o dia 3 de novembro era dedicado a minha
mãe.
Usava meus poucos dotes culinários para preparar seu bolo de
aniversário.
Casa sempre cheia. Filhos, noras, genros, netos, bisnetos,
amigos e quem mais chegasse.
Seu coração e disponibilidade para o outro estavam sempre
abertos do tipo “sempre cabe mais um”.
Com ela aprendi a dividir e multiplicar afetos e
principalmente o valor da gratidão.
Obrigada, Heleninha, por tudo que você deixou marcado em
mim.
Feliz aniversário onde quer que você esteja.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Use suas armas sem moderação
Imagem de autoria
desconhecida*
Encontrei essa foto em uma postagem no facebook, fui
pesquisar a autoria, mas não consegui saber quem a produziu.
A linguagem não verbal que a foto destaca nos mostra o nosso
poder de denunciar e cobrar das nossas autoridades o que nos incomoda ou nos
causa indignação.
Nossas armas são as máquinas fotográficas, as câmeras dos
celulares, nossas vozes e gritos através das redes sociais.
Hoje somos milhões a usar a internet e através dela nos
tornamos fiscais dos desmandos, das falcatruas, das injustiças.
Use suas armas sem moderação.
Regina Coeli Carvalho
Para nossa reflexão:
”Aprendi com o tempo que não bastava apenas ficar indignada com injustiças.
passei a participar de protestos, passeatas e eventos contra homofobia, violência, maus tratos aos animais e tudo aquilo que mancha a dignidade.
”Aprendi com o tempo que não bastava apenas ficar indignada com injustiças.
passei a participar de protestos, passeatas e eventos contra homofobia, violência, maus tratos aos animais e tudo aquilo que mancha a dignidade.
Partir para a ação
pacífica é uma atitude democrática e valiosa.”
Anita Costa Prado
*Quem souber a
autoria da foto solicito a gentileza de me enviar o autor.
Publicado no Recanto das Letras
Regina Coeli Carvalho em 01/11/2012
Código do texto: T3964413
Classificação de conteúdo: seguro
Código do texto: T3964413
Classificação de conteúdo: seguro
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Seu Jorge, Negro Drama e o Racismo na nossa cara.
Foto: Nana Moraes
Negro drama,
Entre o sucesso e a lama,
Dinheiro, problemas,
Inveja, luxo, fama.
Entre o sucesso e a lama,
Dinheiro, problemas,
Inveja, luxo, fama.
Negro drama,
Cabelo crespo,
E a pele escura,
A ferida, a chaga,
A procura da cura.
Cabelo crespo,
E a pele escura,
A ferida, a chaga,
A procura da cura.
Trecho de Negro Drama, Racionais Mc’s
Brunorico em seu relato-desabafo emocionante nos mostra o
drama do negro, a alienação do carioca e o racismo que bate na nossa cara.
"Ignorância que cega e individualiza os seres cercados
em seus condomínios..."
Leia: Salve Jorge!
Aqui: Sentimento Crítico
sábado, 20 de outubro de 2012
Joanna Marcenal
Joanninha,
Infelizmente não
a conheci em vida, mas aprendi a lhe amar através das suas fotos, das histórias
contadas pela sua mamãe. Pela sua garra em permanecer em coma durante 26 dias
para que a verdade pudesse vir à tona.
Mundo cruel esse
em que você viveu durante cinco anos, onde pessoas maltratam crianças para se
vingarem da rejeição.
Falsos profetas
pregam a paz, mas seus comportamentos diabólicos denunciam suas mentes
perversas.
Pessoas que se
acham poderosas são cúmplices de crimes hediondos, porém todos trazem na testa
a marca da tortura.
Hoje é seu
aniversário - uso o presente, pois você permanece VIVA no coração de todos
que lhe amam! Faz 8 anos que você nasceu para trazer alegria para família
Marcenal.
Nessa cartinha,
segue meu compromisso em lutar por JUSTIÇA independente de qualquer ameaça ou
dificuldade que surja no caminho.
Joanna Marcenal,
hoje você é a filha de todos que querem acreditar na imparcialidade dos que
fizeram o juramento de exercer com dignidade e independência defendendo a Constituição,
os direitos humanos, a justiça social e a boa aplicação das leis.
Nós continuamos
a lutar por um mundo mais digno e humano, por uma sociedade ética e um poder
judiciário que sacie a fome e a sede de justiça.
*Das 8 faixas colocadas no Rio de Janeiro essa eles não conseguiram arrancar.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Atenção seu prefeito o Largo do Machado está precisando de uma limpezinha!
O Prefeito Eduardo Paes,aquele que está se sentindo, precisa dar um passeio pelo Largo do Machado.
Esse vazamento já fez aniversário.
Tão preocupado com as obras para a Copa e Olimpíadas e esquecendo que a cidade não precisa ser maquiada para os turistas, necessita ser boa para quem paga impostos.
Esse vazamento já fez aniversário.
Tão preocupado com as obras para a Copa e Olimpíadas e esquecendo que a cidade não precisa ser maquiada para os turistas, necessita ser boa para quem paga impostos.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Professor...
Professor
Um dia, alguém se propôs a trabalhar na construção de vidas.
Estudou Psicologia, Filosofia e as melhores técnicas de comunicação. Passou
minutos, horas, dias, observando o comportamento de todas as faixas etárias do
ser humano. Sentiu-se vocacionado e, atendendo aos apelos do coração,
inscreveu-se na batalha de frente da luta milenar contra o analfabetismo.
Armado de pouquíssimos recursos materiais postou-se de peito
aberto, levando flechadas municipais, estaduais, federais.
Alguém especializou-se nas oficinas do ser humano e
candidatou-se a reformar conceitos e valores da educação mal orientada.
Inscreveu-se no concurso da vida, não se importando em sacrificar o próprio
corpo na concorrência desleal de convênios, convenções, tratados e dissídios.
Alguém fez-se alheio às dificuldades, tendo plena certeza
delas. Saiu disposto a questionar leis, portarias, resoluções e regimentos. Nos
desmaios da sobrevivência, impôs-se.
Alguém foi nomeado, designado, empossado para o exercício do
magistério. Não se perdeu no labirinto do caminho e nem se assustou com o
fantasma da exigência impossível. Saiu a procurar o aluno perdido nas balas
perdidas da guerra civil.
Alguém convive com a distância, com a fome, com a injustiça,
com a carência e a canseira. Contudo ensina gerações a acreditar no futuro, a
ter fé e não se deter.
Para um ser assim tão especial, só um nome poderia
identificá-lo: professor.
Ivone Boechat – Revista Mundo Jovem, outubro/2007.
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