Eu já fui amorosa e cálida. Tive até um diário água-com-açúcar com cadeado. Eu agora sou tão apaixonada que abro pernas e pingo sangue diariamente na lira dos meus tantos anos. Beatriz Escorcio Chacon
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida,pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.Não estou aqui pra que gostem de mim.Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra. A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venha com meios-termos,com mais ou menos ou qualquer coisa.
Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...
Eu acredito é em suspiros,mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis,em alegrias explosivas, em olhares faiscantes,em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.
Eu acredito em profundidades.
E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.
Blogagem Coletiva proposta pela Ester do Esterança.
A Inclusão pela música : Harmonia Enlouquece
O projeto “Convivendo com a Música” nasceu no Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro há mais ou menos 9 anos, através do desejo de oferecer um espaço onde os sujeitos envolvidos pudessem vivenciar diversas atividades sonoras musicais, dando lugar à expressão, à criatividade e à comunicação, sendo coordenada pelo psicólogo e musicoterapeuta Sidnei M. Dantas. Trata-se de uma atividade aberta a todos da instituição, sejam usuários ou técnicos, pessoas que, afetadas pela música e pela poesia, encontram-se uma vez por semana para ouvir, cantar, tocar, compor e, sobretudo, estabelecer um contato rico em sentimentos e emoções através da matéria sonora.
Através dessas composições, fala-se da história de vida dessas pessoas e, dessa forma, pretendemos vê-las compartilhadas e valorizadas.
O grupo “Harmonia Enlouquece” emerge como desdobramento de tais encontros, dando corpo e voz aos nossos “delírios musicais”, com canções próprias e interpretações do cancioneiro popular.
1º CD
Música: Sufoco da Vida
Show do projeto Loucos por Música - Evento realizado em maio de 2007 no Vivo Riocom a participação de Zelia Duncan, Gilberto Gil, Cidade Negra e Harmonia Enlouquece. Apresentação de Elisa Lucinda
2º CD
Ensaio do Conjunto – Eu, componentes do Harmonia, alunos do 4º ano do Curso de Formação de Professores do Colégio Heitor Lira
Costumo formar um grupo de alunos e leva-los para conhecer o projeto, participar do ensaio e com isso desmistificar a idéia do transtorno mental como algo muito perigoso.
Normalmente eles voltam com uma outra visão da “loucura”, conscientes de que a arte, o convívio com a família, o tratamento hospital dia são passos importantes para a cura ou para uma melhor convivência com a doença.
“Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão".Nise da Silveira
Blogagem Coletiva organizada pela Ester do Esterança.
“As escolas têm que esquecer a idéia de que o aluno tem que se adaptar a ela. Pelo contrário, elas devem tornar-se o meio mais favorável para o aluno, dando-lhe recursos para enfrentar desafios”. Claudia Werneck:
Em nossa escola, Colégio ESC/PRESC/Soldadinho de Chumbo, a inclusão já acontece muito antes de se falar em inclusão.
Há 30 anos já incluíamos crianças com deficiência auditiva severa, paralisia cerebral e deficiência mental importante dada a garra e a coragem da mentora desta entidade: Profª Aída Gonçalves Ferreira e sua companheira de trabalho Carmen Delmás que sempre acreditaram no potencial do ser humano independente de qualquer coisa. Há 20 anos, Profª Aída foi abençoada com uma netinha com grandes dificuldades em vários níveis e então toda a experiência já obtida anteriormente foi ampliada e depois disso, nossa escola passou a receber com mais interesse e devoção, crianças e jovens com necessidades especiais e faz realmente a inclusão.
Os ditos “normais“ interagemde modo encantador com todos os alunos de necessidades especiais e vice - versa. Preocupamo-nos apenas em dar suporte aos professores e manter na turma os portadores de necessidades especiais em número suficiente para que o professor cumpra sua “missão” da melhor forma possível! Temos conhecimento de tudo? Com certeza não, mas buscamos, procuramos soluções para que cada ser humano, independente de qualquer coisa seja feliz e realizado dentro de sua realidade.
Podemos atender a todos? Também não! Trabalhamos com nossas possibilidades reais até porque dentro de uma turma dita normal eu tenho um numero máximo de alunos com necessidades especiais.
Quando comecei a escrever, lembrei de dois casos que penso sejam interessantes de ser relatados: Um rapaz, hoje com 27 anos, deficiente auditivo severo, que tocava na banda da escola. Hoje sabemos como conseguem, mas na época apenas experimentamos, insistimos, acreditamos. O outro que hoje tem 20 anos, Síndrome de Down, que nos impulsionou a continuar a inclusão, pois ao chegar na antiga 4° série iria mudar de escola para uma especial, e seria admitido na turma de acordo com a idade e não com o conteúdo apreendido e ao avaliarmos junto a sua família, ele iria passar a ter um conteúdo da antiga2ª série quando já tinha competência de 4ª ! Reunimo-nos e decidimos abraçar a causa já que numa escola especial iria receber menos estímulos de seus potenciais e menos conteúdo que já tinha recebido em nossa escola!
Hoje este rapaz terminou o Ensino Médio e trabalha como jardineiro na Petrobrás. É uma pessoa independente, feliz e capaz de seguir a sua vida. Exerce a cidadania e está inserido no mercado de trabalho.
Existem muitos outros relatos! Para exemplificar apenas: Síndrome de Turner, Nefrótica, TDAH, Síndrome de Aspenger, Paralisia Cerebral, Dislexia, Autismo dentre outros.
Podemos garantir que o crescimento não se dá apenas na pessoa com necessidades especiais, mas cada profissional que abraça esta causa cresce em todos os níveis e se sente muito gratificado e feliz.
Como conclusão, deixo a seguinte observação: Basta acreditar no potencial de cada um (aluno e educador), auxiliar a família a fazer o mesmo pois o que mais os pais de crianças com necessidades ouvem é o não ( Não pode, não vai conseguir , etc. - e acabam acreditando nisso ) , agir, procurar soluções através dos recursos possíveis pois o caminho se descobre caminhando, profissionalismo, e o mais importante dos ingredientes: O AMOR. Sem ele nada somos!
Maria Alice G. Ferreira, Professora, Psicopedagoga, Arteterapeuta, Coordenadora do Ensino Fundamental I do Colégio ESC/ Soldadinho de Chumbo e Diretora da PRESC – Educação Infantil do Soldadinho de Chumbo e mãe da Mestra Anny Elisa, PC gravíssima e Microcefálica-alice1958@globo.com
"Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre. Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida!" Milton Nascimento - Fernando Brant
Meus amigos sabem que estou contando os dias para chegada da minha filha que está há 3 meses nos Estados Unidos fazendo intercâmbio. Ela retorna domingo, dia internacional da mulher. Claro que dedicarei esse dia para lamber a cria, dar-lhe muitos abraços, muitos beijos, apertar muito suas bochechas (ela diz que estão cheinhas, rsrs).
Antecipo uma pequena homenagem às mulheres que admiro que fazem e/ou fizeram parte da minha vida.
Mamãe
Dindinha Ruth
Minha filha, Anna Clara
Mulheres que admiro pelo histórico de vida. Lutadoras e vencedoras!
Cleyde Prado Maia
Georgete
Beth
Alice
Amigas que de virtuais passaram para reais.
Lisete
Damaris
Amigas, ainda virtuais, que tenho um carinho especial.
Maria Thereza
Vanya
Mônica, amigairmã, tão presente na minha vida.
Minha grande mestra Nise da Silveira
Rompeu regras estabelecidas e humanizou o atendimento aos pacientes afirmando que o que cura é a alegria e a falta de preconceitos.
A todas vocês meu abraço muito carinhoso pelo exemplo de mulher!
“(...) Já podaram seus momentos, desviaram seu destino, seu sorriso de menino tantas vezes se escondeu, mas renova-se a esperança, nova aurora a cada dia, e há que se cuidar do broto pra que a vida nos dê flor e fruto...” Milton Nascimento
Depois de uns arranhões nas minhas prateleiras eis que desperto lembrando de Darcy Ribeiro:
"Tentei alfabetizar as crianças e salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu".
“Hoje sei que nenhum canto se encontra arrumado e que certos sentimentos são papéis amarrotados fáceis de alisar, outros são pergaminhos inquebráveis que não sei decifrar atravessados todos eles por sinais contrários que me distraem.”
Ana Viana, in Mundo Entretecido, Edições Colibri, 1997