quarta-feira, 30 de abril de 2008

DANÇA

D eixe-se solto...
A nda, libera!
N o ritmo lento
C ole seu corpo
A o meu, que te espera!

Flor ♥

PAULO GOMES E A PAIXÃO PELO FLUMINENSE

Nas minhas andanças pelo Orkut descobri a comunidade FLU Memória – Museu Tricolor. Trabalho maravilhoso desenvolvido pelo Paulo Gomes que resgata, através de fotos, a memória do Fluminense. Já são 262 fotos postadas.

Minha curiosidade levou-me a indagar como surgiu esse laço do Paulo com o Fluminense, sendo ele lá da Bahia.

Transcrevo para vocês o relato do Paulo:

“Assim como Nelson Rodrigues, eu também sou um Tricolor de várias vidas e encarnações passadas. Sempre me senti assim. Já nasci Fluminense. Anos 70 eu guri, descobri o futebol através do Flu. Quantos craques! : Rivelino, Manfrinni, Edinho, Samarone, Paulo César, Carlos Alberto Torres, Pintinho, Doval!

Que me perdoem os adeptos dos demais clubes, mas é inegavelmente o Fluminense o detentor da história mais rica, mais abundantes de glórias, craques e ídolos.
Há muito que sou um colecionador de fatos e fotos da vida tricolor. E agora com essa ferramenta fantástica que é a internet, me senti na obrigação de compartilhar com os demais companheiros e companheiras de paixão. A FLU MEMÓRIA - MUSEU TRICOLOR é um espaço garantido no Orkut onde as histórias, as biografias e homenagens aos grandes personagens, as fotos raras de inesquecíveis momentos estão sempre presentes.
Um lugar obrigatório para os amantes do Tricolor mais querido do Mundo e da arte do futebol.
Espero que vocês conheçam e participem desse nosso ponto de encontro com a História, com a glória e com o Fluminense".

FLU Memória – Museu Tricolor

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42394915

FLU Memória fotos

http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15363670049756420931

Parabéns menino pela sua sensibilidade e seu trabalho digno de um grande historiador.

Calorosas Saudações tricolores!

Meu afetuoso abraço.


SARAU LITERÁRIO

Ontem foi a comemoração do aniversário do amigo poeta JL, no Bar das Quengas, com um Sarau Literário.

Serginho do Cavaco no teclado, Nivaldo Costa declamando Fernando Pessoa, JL, Glorinha Gaivota, Nádia e Eurídece declamando suas poesias e Ray Cenna apresentando uma performance inenarrável!

Parabéns ao JL e aos amigos poetas pela noite agradável que nos proporcionou.

segunda-feira, 28 de abril de 2008


Dia da Sogra, 28 de Abril

Registrando meu carinho especial pela minha sogra, Olga, sempre presente com seu ombro acolhedor e sua generosidade.


Para Sergio, meu irmão


“Respeito mútuo é uma postura pessoal que nasce bem antes do encontro dos dois: vem desde a geração, vem da família original, vem dos modelos da casa paterna, tem sementes imponderáveis na constituição psíquica de cada um". Lya Luft

E hoje, meu irmão, agradeço-lhe pelo respeito que existe entre nós, pelo cultivo dos valores que recebemos dos nossos pais, pelo seu desprendimento e pela sua presença sempre tão forte na minha vida.

Obrigada!

Te amo!

Regina Cœli Carvalho

C A R R E T E L

Carretel de linha dez
mas tem de ser dos grandes
daqueles que não tem fim
que a linha desenrola
pelo céu infindamente
e eu menino
bem pequenino
vôo com a pipa
que é viva
irriquieta passarola
a me transportar
pelo espaço
corpo e mente
transformado
para além da terra
para novo lugar
sempre pleno de emoção
assim como se possível
criar asas
meu inquieto coração.

JL


28 de Abril – Aniversário do amigo poeta JL

Não importa quantos aniversários você já comemorou, dentro de você mora uma criança.

Deixe que a voz dessa criança lhe ajude a desenterrar o encantamento que pode tornar sua vida muito mais colorida.

Feliz aniversário, amigo!

Meu abraço carinhoso.

Regina Cœli Carvalho

domingo, 27 de abril de 2008

Precisa-se de loucos

De loucos uns pelos outros! Que em seus surtos de loucura espalhem alegria; com habilidades suficientes para agir como treinadores de um mundo melhor, que olhem a ética, respeito às pessoas e responsabilidade social não apenas como princípios organizacionais, mas como verdadeiros compromissos com o Universo.

Precisa-se de loucos de paixão, não só pelo trabalho, mas principalmente por gente, que vejam em cada ser humano o reflexo de si mesmo, trabalhando para que velhas competências dêem lugar ao brilho no olhar e a comportamentos humanizados.

Precisa-se de loucos de coragem para aplicar a diversidade em suas fileiras de trabalho, promovendo igualdade de condições sem reservas, onde as minorias possam ter seu lugar, em um ambiente de satisfação e crescimento pessoal, independente do tamanho do negócio, segmento ou origem do capital.

Precisa-se de loucos visionários que, além da prospecção de cenários futuros, possam assegurar um novo amanhã, criando estratégias de negócios que estejam intrinsecamente ligadas às estratégias das pessoas.

Precisa-se de loucos por novas tendências, mas que caminhem na contramão da história, ouvindo menos o que os gurus tem a dizer sobre mobilidade de capitais, tecnologia ou eficiência gerencial e ouvindo mais seus próprios corações.

Precisa-se de loucos poliglotas que não falem inglês, espanhol, francês ou italiano, mas que falem a língua universal do amor, do amor que transforma, modifica e melhora, pois, palavras não transformam empresas e sim atitudes.

Precisa-se simplesmente de loucos de amor; de amor que transcende toda a hierarquia, que quebra paradigmas; amor que cada ser humano deve despertar e desenvolver dentro de si e pôr a serviço da vida própria e alheia; amor cheio de energia, amor do diálogo e da compreensão, amor partilhado e transcendental.

As organizações precisam urgentemente de loucos, capazes de implantar novos modelos de gestão, essencialmente focados no ser, sem receios de serem chamados de insanos, que saibam que a felicidade consiste em realizar as grandes verdades e não somente em ouvi-las.

Madalena Carvalho

Para João Guilherme

Quisera, como eu quisera,

Poderes mágicos eu ter

Restituir para você a

Esperança que a vida levou.

Hoje, quando você chegou

E de mim se aproximou

“Tia me dá um dinheiro pro pão?”

Senti a fome de carinho,

Do aconchego do lar,

De ter alguém pra lhe dar a mão.

De repente, num instinto maternal

Sua cabeça acariciei e você

Espantado a mim perguntou:

“Tia você não tem medo de mim?”

Ah! Menino franzino

Com você pude enxergar

Quantas vezes nossa violência

Está nos gestos, na omissão, no olhar.

De conversa em conversa

Nós dois na lanchonete

Bebendo coca-cola e

Você comendo um “burgão”

E seria só a fome do pão?

Quisera, como eu quisera

Resgatar sua auto-estima

Devolver-lhe seu nome original

Não ser mais o menino de rua

Voltar a chamar-se João.

Regina Cœli Carvalho
08/03/07


As mulheres que marcaram a minha vida

Minha mãe, Helena, que aos 39 anos, com 4 filhos crescidos descobriu-se grávida. Orientada a fazer um aborto, pois naquela época, na idade dela a gravidez era vista como algo muito perigoso. Mamãe, então, disse Sim! para a vida. Contrariando a corrente de que mulher naquela idade geraria filho “ com defeito”, eu nasci.

Uma infância com algumas dificuldades pois éramos 5 filhos, cresci e desenvolvi-me com ajuda da outra mulher da minha vida: Ruth.

Minha dindinha estava sempre com minha mãe, ajeitando minhas asas para eu voar. Ajudou-me muito financeiramente, mas ajudou-me mais psicologicamente, transmitindo-me valores, carinho, atenção e dedicação.

Outras mulheres foram passando pelo meu caminho, deixando seus rastros; minha irmã, minhas primas, minhas tias.

Aos 35 anos fui mãe e em plena maturidade outra mulher cruzou meu caminho para que aprendêssemos juntas: Anna Clara.

Com milha filha aprendi a vivenciar o amor na sua forma mais completa, o amor que ouvia falar: o amor incondicional.

Para essas mulheres peço as bênçãos de Deus.

Mamãe e dindinha recebam a minha saudade e as minhas vibrações de harmonia.

Minha filha receba o meu agradecimento por me permitir ser uma pessoa melhor depois que você nasceu.

Regina Cœli Carvalho
01/02/07


"Só é saudável em nós aquilo pelo que não somos especificamente nós mesmos: são nossas aversões que nos individualizam; nossas tristezas que concedem um nome; nossas perdas que nos fazem possuidores de nosso eu. Só somos nós mesmos pela soma de nossos fracassos."

Cioran, in Breviário da Decomposição

arte: Veleiros, Artur Bispo do Rosário

Laço,
com meus braços,
teu afago.
Tens vaga para o abraço meu?

Recolho-te,
vago,
vazio,
despedaçado
de vãos afagos.

Quero-te,
pleno,
meu.

Ivy Wyler


Assim são as imagens poéticas:
elas têm o poder de ir lá no fundo da alma,
onde moram os esquecimentos.
E quando um desses esquecimentos acorda,
a gente sente um estremeção no corpo.
Essa é a missão da poesia:
recuperar os pedaços perdidos de nós.

Rubem Alves

“Quem nunca esteve sentado, cheio de medo,
diante da cortina do seu coração?”

Rainer Maria Rilke


Inevitável é a dor
mas nem por isso há de ser de sofrimento o cenário
Inevitável é a sucessão das horas
mas o calendário traz em si a cura de todas as dores
ao mudar os dias, os sons, as cores.

Para cada esperança desmentida
abre-se outra janela
e uma fatia nova de vida se mostra
plena de possibilidades
de sofrer ou ser feliz,
de mostrar-se perene
ou fugaz como riscos de giz
nos muros da cidade.

A vida se apresenta às vezes solene e majestosa
outras vezes simples e banal como a prosa
sem compromisso numa mesa de bar
Mas nem por isso ela deixa de estar presente
lado a lado compartilhando a nossa solidão.

A idade, além de cabelos brancos,
traz, se não a sabedoria,
ao menos algum treinamento
nas artes de viver
e nos permite perceber
que nada é assim tão urgente
há que dar tempo ao tempo
pois o simples fato de estar vivo
é muito mais que suficiente.

Sergio Pontalti

sábado, 26 de abril de 2008

Canteiro da Regina



No canteiro, senhora,
tem verbo, nome, prosa.
Versos brotam, tem hora.
Sem hora correm palavras,
protestos, vozes chorosas,
sorrisos, quadras melodiosas.
No canteiro, tem hora do rango,
laranja ou abobrinha,
vírgulas, entrelinhas.
No canteiro, senhora,
vista a luva, pegue a pá,
abra a terra, semente vingará.
Há, por certo, a colheita,
reflexão, refeição feita
como verdura fresca
fortalece coração bravio.
Este, senhora, será seu plantio,
canteiro de verso e prosa,
onde, sem espinho, prolifera
rara e generosa rosa.
Não é senhora?

Damáris Lopes Vieira, 26/04/2008

Minha doce amiga, amei!

"Se acaso você não possa me carregar pela mão, menina branca de neve, me leve no coração". Ferreira Gullar (Cantigas para não morrer, do livro Toda Poesia)


Brinde

Hoje eu quero brindar
Brindar a vida
Brindar o amor
A nossa amizade
A natureza em flor
Brindar
a quem tem sorte
A quem escapou da morte
Brindar a quem tem coragem
E partiu para uma viagem
Brindar a quem é ousado
E até ao sossegado
Quero brindar a quem tem paz
A quem luta e é capaz
Um brinde a quem diz não
Aos corruptos e aos hipócritas
Um brinde a quem é sensível
E ajuda ao seu irmão
Um brinde a felicidade
Um brinde também a saudade
Um brinde a quem diz sim
Um brinde a você e a mim!

Denise Pires

Fernando Pessoa - Tribalistas

"Regra é da vida que podemos e devemos, aprender com toda a gente. Há coisas da seriedade da vida que podemos aprender com charlatães e bandidos, há filosofias que nos ministram os estúpidos, há lições de firmeza e de lei que vêm no acaso e nos que são do acaso. Tudo está em tudo.
Em certos momentos muito claros da meditação, como aquele em que, pelo princípio da tarde, vagueio observante pelas ruas, cada pessoa me traz uma notícia, cada casa me dá uma novidade, cada cartaz tem um aviso para mim.
Mas passeio calado é uma conversa contínua, e todos nós, homens, casas, pedras, cartazes e céu, somos uma grande multidão amiga, acotovelando-se de palavras na grande procissão do destino"

(Fernando Pessoa - Livro do Desassossego - fragmento 357)

E foi na procissão do destino que nos encontramos e estamos juntos solidificando uma amizade que nasceu na comunidade Fernando Pessoa e hoje se fortalece no nosso cantinho.



"Não quero saber como as coisas se comportam.
Quero inventar comportamento para as coisas".
(Manoel de Barros)

Prefiro você
A essa noite insone
Ao telefone.
Prefiro você
A esse sorriso abstrato
Do retrato.
Prefiro você
A esse
pensamento fixo,
prolixo.
Prefiro você:
Presente desembrulhado
Ao meu lado.

Simão de Miranda


"A mente, fique sabendo, adora passagens secretas e alçapões."

Irvin D. Yalom, Quando Nietzsche chorou

Durante a vida... que eu sobreviva!

Não se sabe quanto tempo eu irei viver... Mas que seja suficiente...

O suficiente para eu ter força de vontade para superar os obstáculos cada vez mais difíceis.

O suficiente para eu sofrer todas as transformações necessárias...

Que eu possa curtir minha infância na adolescência e que me deixem pensar como um adulto.

Que seja suficiente para eu nunca esquecer da criança que existe em mim.

O suficiente para eu tomar muitos sorvetes;

Para "zoar" muitos carnavais;

Para ir em ao menos mais uma edição do "Rock in Rio - Por um mundo melhor", ou arrumar oportunidades para ficar na corcunda do meu pai...

O suficiente para viajar e conhecer o novo, nem que seja através de livros.

O suficiente para brincar de boneca sempre que sentir saudades;

Para falar sozinha...

Para ser eternamente inocente, mas que eu tenha tempo suficiente para aprender que nem todo mundo é inocente.

Que me deixem viver...

O suficiente para aprender e ensinar.

O suficiente para sentir a neve e ver o pôr-do-sol na praia ao menos uma vez.

O suficiente para dar muitas risadas, tirar muitas fotos e fazer muitas dietas;

Para dar muitos pulos de alegria e surpresa;

Para sentir a lágrima escorrer, pois acima de qualquer tristeza, vem a felicidade de poder viver.

O suficiente para andar muitas vezes na chuva, e pegar vários resfriados...

O suficiente para fazer ao menos algumas "molecagens"...

Para esquecer por alguns momentos o mundo no qual vivo e tentar sorrir;

Para ouvir muitas vezes meu pai falar: " - Ganha-se pouco mas diverte-se muito..."

Para ter várias crises de gargalhadas com a Ju e com a Renatinha, vários programas com o pessoal da igreja e compartilhar muitas besteiras com a Ana Rita...

O suficiente para dividir chocolate e emprestar meus macaquinhos da kipling para o Dani, contar meus segredos pro Dedé, ficar impressionada com a "adolescente" Mariana, de 5 anos, brigar com o Ramon e controlar as namoradas do meu padrinho (pretendo ser sua madrinha de casamento, logo, eu tenho que aprovar a esposa...)...

O suficiente para namorar todo mundo que tiver vontade, beijar muuuuuito...

O suficiente para ir em, ao menos, mais umas 700 festas;

Para escutar muita música, porque sei que meu estilo ainda vai variar bastante.

O suficiente para curtir várias turmas diferentes, gente nova...

O suficiente para ir a shows de rock, nem que seja só para conhecer os "fãs" da música.

O suficiente para ter a pele trocada várias vezes, depois de dias de praia.

O suficiente para aparecer ao menos uma vez na TV;

Para conseguir ligar para a rádio e mandar um ''alô'' para as minhas amigas... mesmo que elas não escutem...

O suficiente para quebrar ao menos uma parte do corpo...

Para fazer ao menos uma vez um "strip-tease" em frente ao espelho.

O suficiente para sonhar demais, porque aquele que vive sem sonhar não vive, apenas existe.

O suficiente para brigar com meus pais, ficar de nariz em pé e depois ver que eles têm razão.

O suficiente para dançar em 15 anos, ir à muitas formaturas e bailes de fim de ano.

O suficiente para me apaixonar e me desiludir várias vezes;

Para tirar notas vermelhas e ver que não é o fim do mundo.

O suficiente para andar de moto, de navio, de avião, e, quem sabe, num transatlântico.

O suficiente para sofrer ao torcer pelo Brasil por muitas copas...

O suficiente para ver meu país ganhar ao menos uma medalha de ouro olímpica.

O suficiente para ver as conseqüências do governo do Lula;

Para ver o Brasil progredir;

O mundo melhorar ;

A fome diminuir.

O suficiente para ser mãe, ver meus filhos bem-educados, felizes e me orgulhar deles.

O suficiente para engordar a cada Páscoa que passa.

O suficiente para, aos poucos, crescer profissional e pessoalmente;

Para ser cúmplice de quem eu amo.

Que eu tenha tempo suficiente para...

SER FELIZ...

E que eu vá embora de acordo com a vontade de Deus, e não com a do mundo.

Porque o que eu quero é muito para mim mas é pouco para os outros. Só quero ser feliz sem interferir na vida de ninguém.

Se todo mundo pensasse assim, reinaria a paz, a felicidade e a realização geral.

Mas tudo bem. Deus dará o tempo suficiente para que cada um aprenda e, um dia , o mundo seja como Ele quer.

É tão simples...

Anna Clara Carvalho

10/05/03

Escrito pela minha filha, na época com 13 anos, após a morte da adolescente Gabriela Prado Maia e do episódio com a estudante Luciana, que vítima de bala perdida ficou tetraplégica.

Ao meu Pai

Tantas vezes sinto meu pai em mim.
Seu jeito de debruçar na janela
Ainda não acredito no fim
Parece que ainda remexe panela
-Mãe tem alguma coisa pra mim?
Era o jeito dele, bem sei
Jeito que está em mim...herdei

E tudo coisa de um segundo
E vi ruir todo meu mundo
Mas sinto meu pai em mim
Eu
sinto seu cheiro...jasmim
Está presente, na verdade nos encontramos
Na forma de falar mansa,
Na forma como caminhamos
Na paciência de quem nunca se cansa

Jurema

"Os loucos são considerados comumente seres embrutecidos e absurdos. Custará admitir que indivíduos assim rotulados em hospícios sejam CAPAZES de realizar alguma coisa comparável às criações de legítimos artistas que se afirmam justo no domínio da arte, a mais alta atividade humana. Antes que se procurasse entendê-los, concluiu-se que tinham a afetividade embotada e a inteligência em ruínas. Hoje está demonstrado que, mesmo após longos anos de doença, a inteligência pode conservar-se intacta e a sensibilidade, vivíssima."

Nise da Silveira

sexta-feira, 25 de abril de 2008


O anúncio quando é bem feito
Criado com muito jeito,
Convence mãe, filho ou pai.
Se o anúncio disser com arte
Que vá a esta ou àquela parte,
Garanto que você vai!
Do poema "Anunciando" de Bastos Tigre

"Que eu faça um mendigo sentar-se à minha mesa, que eu perdoe aquele que me ofende e me esforce por amar, inclusive o meu inimigo, em nome de Cristo, tudo isto, naturalmente, não deixa de ser uma grande virtude. O que faço ao menor dos meus irmãos é ao próprio Cristo que faço. Mas o que acontecerá, se descubro, porventura, que o menor, o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar?"

Carl Gustav Jung, volume XI, parágrafo 520



Retalhos



R asga o tempo que se refaz, tardiamente
E ntre a noite e o dia, preso a ciclicidade
T raz a paixão diante do ato reprimido
A ssim como o coração que tarde, arde
L entamente neste vendaval servindo Marte
H oje sem ontem, sem amanhã, esprimido
O lvidando a tradição e toda a magia
S ão os avessos, são retalhos de almas sem guias.


Onde estão os demônios e os santos de outrora?
Quem ensinará o canto que acalma a impaciência
Abraçará a causa da nossa ausência de disciplina?
Protegerá contra a ira que autodestroi a essência
Cavará revelando o âmago de nossas fraquezas
Diminuindo nossa ânsia diante de tantas incertezas
Ensinará à semente, germinando, a esperar o fruto
Antes que os vermes antecipem seu próprio luto.


Maria Rita Pereira

Foto: Anna Clara Carvalho

Da minha amiga Lisete

Hoje não penso em tristezas,
meu coração foi reintegrado
e tenho sua posse.
Hoje tudo está claro,
o calor com brisa amena,
meus filhos, sei que estão sãos,
minha casa, fronteira estabelecida.
Hoje caminho leve,
quase nem toco o chão,
nada me incomoda,
nem lembranças, nem nostalgias.
Hoje sou aquela que,
só às vezes, me visita.

Lis

Da minha doce amiga Mel

Quero sempre ser criança

Quero voltar a ser criança
Que não perde a esperança
Viver na corda bamba
Fazendo lambança

Quero voltar a brincar na praça
Fazer mal criação e pirraça
Com a bola quebrar vidraças
Gritando :-Não fui eu foi a Graça!

Quero os amigo verdadeiros
Demorar debaixo do chuveiro
Tocar a campainha do porteiro
Sair correndo pelo desfiladeiro

Quero brincar de casinha
Para as bonecas fazer papinha
Dormir na casa da amiguinha
Porque a dela é melhor que a minha

Quero na terra brincar
Fazer castelos e sonhar
As bolinhas de gude jogar
Na amarelinha pular

Quero muitas histórias aprender
Faz de conta era uma vez poder ler
Muitos livros absorver
Poemas e trovinhas escrever

Agora uma boa notícia vou dizer
Adulto só cresce por fora
Pois na alma pode ser
Criança a qualquer hora

Mel


Da minha "chefa", amiga, Rejane


Todo mundo contesta:
vira testa-de-ferro.
Atesta que sabe,
não sabe de nada...

Todo mundo se testa,
porque todo mundo é texto.
Só texto, contexto, relato.

A história do mundo
é a história de cada ato:
maltrato, contrato, retrato.

Cada pessoa é letra,
ipsis litteris, literalmente.

Textualmente não há non sense...
só sentimento, sensatez, alma
e desacato.
Jamais desafeto...

Só nascimento, nascedouro, nascituro,
nascente, fonte, foz, água.

Então, se não nascem pessoas,
mas surgem infinitos sentidos...

Se todo mundo declamasse,
mas de perto não declinasse...

Ah, nada melhor que a ânsia
que não reverbera em enjôo.
Ai de mim se não fosse a distância
que me obriga anotar, registrar, escrever!
Para quem está perto, eu vou dizer O QUÊ???

Rejane Alves



Foto: Anna Clara Carvalho

"Pensamentos, como cabelos, também acordam despenteados."

(Caio Fernando Abreu, Pequenas Epifanias, Lição para pentear pensamentos matinais)

Meus pensamentos amanheceram desgrenhados após ler essa reportagem:

DO_MAL.COM

Juliana Tiraboschi


Nas últimas semanas, fui uma jovem deprimida à beira do suicídio. Também fui um pedófilo buscando pornografia infantil, uma menina ingênua assediada por homens mais velhos em chats e uma garota anoréxica procurando dicas para emagrecer. Não, leitor, não estou sofrendo de múltipla personalidade. Esses personagens fictícios me acompanharam durante uma investigação sobre o que acontece de pior nas redes de relacionamento da internet.

Ninguém nega que sites como Orkut, Myspace e Facebook, além de fóruns e listas de discussão, são ferramentas sensacionais de comunicação. Mas há quem use esses sites para aprender a construir bombas e violar mercadorias. Para disseminar intolerância e violência. Ou incentivar comportamentos perigosos como anorexia e suicídio. A facilidade para discutir em grupo coisas sombrias levanta uma questão: onde termina a liberdade de expressão e onde começa o crime? Além da lei, outra questão: o que fazer?

(....) Leia a reportagem na íntegra:

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG82628-7855-201,00-DOMALCOM.html

Onde estão os valores éticos?

quinta-feira, 24 de abril de 2008


Sem Fantasia

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus

Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer

De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

Chico Buarque

*Foto: Anna Clara Carvalho

*Poesia da minha querida amiga Damáris

Paralelas


Vai-me, em distante aconchego,
Dito de minh’alma por seqüela,
Este doído amor que em segredo
Carrega
no frágil colo, vital paralela.

Assim, em angustia que acompanha
Ao bordar do futuro o proposto
Fazer com as paralelas a façanha:
Encontrá-las mesmo contra-gosto.

Ao se beijarem pois, as retas
Desmistificando a tola geometria
Digo-te: alcançou o coração a meta
Viver supremo, no ângulo da poesia.

Damáris Lopes
Milágrimas


Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre
Alice Ruiz e Itamar Assumpção


A todos...
a todos trato muito bem
sou cordial, educada, quase sensata
mas nada me dá mais prazer
do que ser persona non grata
expulsa do paraíso
uma mulher sem juízo,
que não se comove com nada
cruel e refinada
que não merece ir pro céu,
uma vilã de novela
mas bela, e até mesmo culta
estranha, com tantos amigos
e amada, bem vestida e respeitada
aqui entre nós
melhor que ser boazinha e não poder ser imitada
Martha Medeiros


“Sou uma mulher madura que às vezes anda de balanço. Sou uma criança insegura que às vezes anda de salto alto." Martha Medeiros

AVESSO
pode parecer promessa
mas eu sinto que você é a pessoa
mais parecida comigo
que eu conheço
só que do lado do avesso

pode ser que seja engano
bobagem ou ilusão
de ter você na minha
mas acho que com você eu me esqueço
e em seguida eu aconteço

por isso deixo aqui meu endereço
se você me procurar
eu apareço
se você me encontrar
te reconheço

Alice Ruiz

*Foto: Anna Clara Carvalho

quarta-feira, 23 de abril de 2008



O Caso do poema roubado

Quem poderia adivinhar o que havia dentro do pacote que apareceu no sítio?

Há coisa de dois ou três meses apareceu, no portão do sítio, um pacote grande, embrulhado num saco de lixo preto. Ninguém viu quem trouxe. Amanheceu e estava lá. Assim que foi notado, ficaram todos da casa, bípedes e quadrúpedes, muito cabreiros com a sua presença. Nos dias de hoje, ninguém vê com confiança ou simpatia pacotes grandes, embrulhados em sacos de lixo pretos.

Os cachorros cheiraram e latiram, os gatos mantiveram distância, o Dirceu olhou de longe, cutucou com uma vareta, chamou Mamãe. O conteúdo parecia ser duro, sólido, como madeira. Não era nada morto, com certeza. E não parecia ser bomba, muito embora ninguém da família tenha a mais remota idéia de como seja uma bomba, salvo pelo que se vê no cinema e nos desenhos animados.

Finalmente, depois de mais cutucadas e de muita hesitação, o pacote foi trazido para dentro, e aberto com o cuidado que a desconfiança recomendava. Quando o conteúdo se revelou, surpresa total: quem poderia imaginar que um poema roubado há 30 anos voltasse ao lar daquela maneira?!

Quando o sítio ficou pronto, em princípios dos anos 60, uma das primeiras providências dos meus pais foi espalhar pelo jardim e pela floresta uma dúzia de poemas. Papai os selecionava, Mamãe os pintava em tabuletas e ambos escolhiam juntos, com capricho, as árvores e os cantinhos onde seriam expostos. Passear pelo sítio era como entrar numa pequena antologia sentimental.

Com o tempo, as tabuletas foram sumindo. Algumas queimaram junto com as suas árvores nos incêndios que, há alguns anos, eram comuns na região e que, apesar dos esforços do pessoal lá de casa, eventualmente atingiam partes do terreno. Outras foram vítimas do tempo. A maioria, porém, desapareceu sem deixar vestígios.

O poema devolvido chama-se "Casa antiga", foi escrito em 1964 por minha madrinha Cecília Meireles e dedicado a Nora e Paulo Rónai:

Forrarei tua casa já tão antiga
Com um papel que imita as paredes de tijolo.
Ficará tão lindo como se estivéssemos na Holanda.

Forrarei tua casa assim, mas por dentro,
De modo que, longe de todas as vistas,
Será como se estivéssemos ao ar livre, no jardim.

E deixarei uma parede quebrada ? não uma porta, não uma janela:
Uma parede quebrada por onde passe um ramo de goiabeira
Carregado de flores e vespas.

Parecerá que estamos sonhando,
E estamos sonhando mesmo,
E parecerá que estamos vivendo,
E a vida não é mesmo um sonho impossível?

Dentro do pacote, junto com a tabuleta, veio um bilhete escrito em letra pouco cultivada, na folha arrancada de um caderno. Dizia o seguinte: "Quando era menino achei este quadro lindo, pelo poema. Peço perdão por ter roubado este quadro. Hoje me converti a Jesus e sinto necessidade de devolvê-lo. Sinto-me envergonhado pela minha atitude. Mais era só um menino. Peço perdão a Deus e a vocês. E que vocês também consigam perdoar."

Não havia nome, assinatura, nada. Ficamos com muita pena, pois teríamos gostado de conhecer e abraçar o menino antigo que roubou o poema e o homem correto que o devolveu, passados tantos anos. Mal sabe ele que nos deu um presente muito maior do que o que levou: um mundo onde crianças roubam poemas e adultos os devolvem é um mundo de beleza e de esperança.

(Cora Ronái, O Globo, Segundo Caderno, 04.01.2007)