terça-feira, 13 de outubro de 2009

A vergonha do ENEM

É “PRA CABÁ”

Que vergonha! Quando imaginaria estar quebrando todos os rigores gramaticais do nosso tão imaginativo léxico camoniano tomando como título palavras que só cabem no lamentável fluxo de poucas e erradas palavras usadas pela maioria de nossos jovens!?

Mas, de verdade, não tem expressão mais lídima do que essa para descrever a barbaridade, a estupidez e a desfaçatez como foi tratado o problema sobre o cancelamento das provas do ENEM (3 e 4 de outubro).

Têm alguns “abençoados” que reclamam e protestam quando afirmamos que este governo não é sério. Pois, diante de tantos e de tantas formas desqualificadas de como tratar a coisa pública, devo dizer: É muito mais do que “não sério”. É degradante. É lamentavelmente cômico. É tragicamente engraçado. É triste ver um país onde o que deveria ser o ministério mais sério, depois da saúde, o da Educação, tendo pessoas que tratam o sonho de nossos jovens como se algo fútil fora.

Ainda não sei se riem às nossas custas ou de nossas custas. Estariam rindo de si mesmos na maior cara dura, sem o menor pudor? Ou se acham únicos paladinos de um índice intelectual que não suspeitam, ao mínimo, que possamos ser tão “inteligentes e perspicazes” quanto eles?

Não é possível. Quem sabe, acreditam que somos um bando de imbecis, desarvoradamente imberbes que qualquer tonto nos engana com a maior das facilidades!?

Será que somos extraterrenos? Será que estamos vivendo em outra galáxia onde as coisas que acontecem em nosso Brasil não merecem a menor consideração, mormente quando o assunto é pertinente à Educação?

Posso, como fiz diante de meus alunos, logo após o anúncio do cancelamento das provas do Enem (3 e 4 de outubro), dizer, pelo menos, o que sinto, sem ser mais uma vez malhado pelos pungentes aficionados deste governo e outros que jazem no túmulo da ignorância e que se despertam quando alguém se insurge contra algo e o barulho os acorda?!

Para quem vive a realidade cotidiana de nossos alunos que se preparam com ardor para atingir o sucesso e a aprovação no vestibular no Curso que sonham realizarem-se profissionalmente, sabe o quanto sofrem e o quanto isso atrapalha seu emocional num momento em que tudo pode avacalhar seu melhor resultado.

Comentei com nossos alunos e professores que a data do Enem 2009 não estava correta. Era possível fazê-lo, em outros anos, em qualquer mês depois de julho, ou mesmo antes de julho. A finalidade precípua era a verificação e avaliação do aprendizado dos alunos, principalmente, os concluintes do Ensino Médio. Com a atual finalidade, qual seja a de servir como vestibular para muitas Universidades ou parte do Vestibular de algumas ou como forma de preenchimento de vagas remanescentes em outras, o valor e a dimensão do Enem deveria ter outra conotação, respeito e tratado com maior responsabilidade.

Como poderia se pensar em dar esse dimensionado valor e abrangência para o Enem sendo a data de 03 e 04 de outubro, inicio do quarto bimestre letivo em todas as escolas do nosso Brasil!? Essas datas não permitiriam contemplar os alunos concluintes do Ensino Médio, pois não teriam visto nada, no quarto bimestre, dos conteúdos constantes de cada disciplina.

Então, permitam-me pensar que não tendo coragem e ousadia de trocar a data, porquanto ficaria mal para os organizadores, viram se na contundência de inventar um acontecimento que pode tornar-se a mais esfarrapada farsa, a da descoberta de uma prova que vazou.

Vejamos o que o Sr. Ministro Fernando Haddad afirmou numa entrevista no programa “Bom Dia Brasil” da Rede Globo, do dia 01 de outubro, quinta feira: “O Ministério da Educação dispõe de "um banco de itens" com "uma nova prova elaborada" para ser aplicada em substituição à avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que seria realizada no fim de semana, mas foi cancelada por causa de fraude revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo”. E mais: Segundo o ministro, “as questões do banco de dados foram preparadas para esse tipo de eventualidade”.

Sintam nessas palavras o que deixa como suspeita: “Os indícios são fortes de que houve a subtração de um exemplar. Chegou ao nosso conhecimento, por uma jornalista do jornal O Estado de S. Paulo, uma descrição do que ela foi capaz de ver, nas mãos do criminoso, e a equipe técnica do MEC foi à sala-cofre do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e constatou que a descrição que ela fazia correspondia a alguns itens da prova", contou o ministro. "Nós não vimos o material", disse Haddad, "até porque ele não o entregou para a jornalista, mas, diante da evidência, não nos resta outra opção a não ser adiar a aplicação da prova e reformulá-la, porque essa prova impressa está comprometida." Começa falando em indícios e conclui falando em evidências.

Patética é a forma como o Ministro se refere ao problema(?) causado para mais de 4 milhões de estudantes: “Assegurou que não haverá consequências para os estudantes inscritos. Quem está inscrito permanece inscrito. Basta aguardar a nova data e usar o tempo que ganhou em função desse incidente para continuar estudando normalmente, como se fosse fazer a prova daqui a algumas semanas".

No Jornal Nacional, da última quinta feira, foi noticiado pelo Ministério da Educação que as novas provas do Enem custarão ao cofres públicos, R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais).

Sem comentários...

Quem estará se importando com dispêndio de dinheiro gasto pelos pais e pelos próprios alunos que pagaram antecipadamente Hotéis, viagens e outros translados até os locais das provas? Quem se importará com o dinheiro gasto por eles pagando cursinhos de preparação específica para o Enem? Quem se importará com o emocional abalado de tantos candidatos que espreitando a chegada da realização das provas debruçaram sobre os livros e apostilas buscando algum reforço a mais? Não será muito mais arrasador o preço pago pelo atropelamento do emocional em detrimento do que poderiam ter ganho com mais dias para a realização das provas? Quem já foi postulante a uma vaga numa Universidade pela via do Vestibular sabe o que significa mais 30, 40 ou 45 dias de espera como previu o Sr. Ministro.

Bom dia e melhor semana é o mínimo que posso desejar a todos os estudantes do Brasil que se sentiram prejudicados.


Benê Cantelli é professor da Rede Objetivo lecionando Geo-Humana e Econômica alem de Filosofia.

Lançou em Julho de 2009 o livro “Nos piores momentos os melhores encontros”.


Contato: cantelli@terra.com.br


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Nossas crianças

Para os amigos no Dia da Criança


Não te trouxe
nenhum doce
nem presente
nenhum enfeite
nenhuma lembrança
que fosse.
Quero ter
as mãos vazias
para o abraço
um grande abraço
maior que a noite
melhor que o dia.
Alice Ruiz


Que a criança que existe em nós sempre se encontrem para brincar.

Meu abraço carinhoso.



domingo, 11 de outubro de 2009

Procura-se...


Procura-se algum lugar no planeta
onde a vida seja sempre uma festa
onde o homem não mate
nem bicho nem homem
e deixe em paz
as árvores na floresta.

Procura-se algum lugar no planeta
onde a vida seja sempre uma dança
e mesmo as pessoas mais graves
tenham no rosto um olhar de criança.

Roseana Muray



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Superação

E a gente reclama quando um sapato aperta....


Perdão


Às vezes uma pessoa de quem gostamos nos machuca, como um animal ferido que morde porque está sentindo dor.

Perdão é a nossa capacidade de continuar lá...

...mesmo que a nossa ferida ainda não tenha parado de sangrar.


Aprenda a perdoar e descubra a sua capacidade de curar.


Patrícia Gebrim, In Falando de Amor

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sem rumo


Sempre a oscilação entre bolsas recheadas de inutilidades e o caminhar ao vento, sem lenço ou documento. Sempre a teimosia em arrumar malas cinco minutos antes da partida. Sempre esse nomadismo entre o cá e o lá, sem chão que me defina. As travessias de lugar nenhum para nenhum lugar. E ainda sempre os caminhos frágeis, sem atalhos, direções, pontos de fuga e pontos de ônibus... destino incerto na linha da palma.

Os meus pés me conduzindo - sempre - pelas veredas entre o oito e o oitenta, sem nunca optarem pelo bom senso. Nunca as decisões coerentes (ao menos nos momentos precisos). Nunca realizadas vontades além das infames. Nunca a alternativa correta assinalada, uma organização eficiente das estantes, a medida certa do sal no arroz, o vestido bonito para o encontro de era-uma-vez. Constante, apenas essa velha inconstância.

Carina de Luca

domingo, 4 de outubro de 2009

Vertigem


Um amigo que investe no otimismo social como esperança disse que eu devia ficar feliz porque existem pessoas que defendem a Amazônia, as crianças famintas e os touros. Minha insatisfação seria fruto de melancolia e vaidade. Eis uma verdade. Conheço pessoas que fazem o bem no mundo e hoje lembrarei uma delas. Para a medicina antiga, a melancolia e a vaidade são a dupla face do vazio sem cura que corrói a alma humana. Lembrando das lições de Machado de Assis (aquele mesmo que Glauber Rocha, no seu delírio ridiculamente datado, pensava estar ultrapassado nos anos 60) e seu defunto filósofo Brás Cubas, talvez eu já esteja contagiado pela vertigem que marca algumas almas.

Concordo com o defunto filósofo: alguns são devorados pelo Inexplicável.

Viver na vertigem não é necessariamente uma forma de melancolia, pode ser apenas uma forma intensa de viver. Não creio na possibilidade de explicar o essencial da experiência humana. Escolho viver com o Inexplicável.

Leio que agora os éticos de plantão desejam boicotar a Espanha por conta das touradas. Não gosto de touradas, só estive em uma. Acho que sou pé frio porque o touro se deu bem e o toureiro saiu de maca. Seria esta uma tourada eticamente correta? Não conheço nenhuma estatística sobre quantos toureiros saem de maca das touradas, por isso não tenho nenhuma opinião "científica" sobre o assunto. Mas acho que deveríamos ir com calma e não nos metermos na vida cultural dos espanhóis de forma tão vulgar.

Que tal boicotar o Carnaval porque ele pode ser visto como uma fábrica de abortos? Ou como um festival de doenças venéreas (prefiro este termo a grifes como "doenças sexualmente transmissíveis") e infidelidades?

Entre matar crianças e touros, ou maridos e esposas, quem é a vítima mais dramática?De novo, nada sei sobre estatísticas que quantifiquem a relação entre o Carnaval e abortos ou crimes passionais, logo esta minha modesta opinião não é tampouco uma opinião "científica". Podem desprezá-la tranquilamente e ir ao Carnaval.

Há algo de histérico nessas manias éticas. Mas minha dúvida é mais essencial. Ela está ligada ao que o poeta russo Brodsky diz no seu monumental ensaio "Aula Inaugural": "Hoje vou lhes falar de algo que vocês vão seguramente encontrar na vida: o mal". O mal, caro leitor, é mais urgente do que a mania ética.É ridícula a tentativa de alguns antropólogos dizerem que o mal não existe apenas porque viajam (quando viajam) para pequenas ilhas distantes do Pacífico. Ou pequenos povoados na Amazônia. Confundem sutilezas da maldade com inexistência do mal. Existem cegos por excesso de informação (ou seria de estatísticas?) e não só por escassez. E acho que o mal também é parte do Inexplicável do qual fala nosso defunto filósofo.Usei este ensaio no meu curso de mestrado e doutorado na Escola Paulista de Medicina em 2008. O curso era sobre o mal e faz parte de um projeto do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp de introduzir as Humanidades na formação de profissionais da área da saúde.

Entre minhas alunas mais atentas estava uma psicóloga. Inteligente, bonita e comprometida com a vida. O mal era um assunto que a interessava. Seu nome era Renata e ela foi, em meados do segundo semestre, brutalmente assassinada. Não há como justificar sua morte. Renata pesquisou em seu mestrado a dura tarefa que é falar da morte para pacientes terminais. Sua dedicação nos dá esperança, a forma como morreu nos tira. Esta é uma forma da vertigem.

Psicólogos são profissionais da vertigem e mergulham em sua escuridão. As sombras que recolhem não são apenas aquelas de seus pacientes, mas também das almas a sua volta. Frequentam as fronteiras do humano. Muitas vezes abrem as portas do inferno. Tocam em inseguranças e vazios ancestrais que permeiam as relações para além de toda explicação estatística. A literatura, na sua vocação de narrar a efêmera eternidade do humano, nos ensina aqui mais do que qualquer ciência, que apenas banaliza o mal.Aqueles que amam a Renata sofrem diante do medo que, afinal, nesta pontual história, o mal tenha vencido. Neste primeiro ano novo sem ela, continuarão a cotidiana tarefa de arrancar sentido das horas que passam. Espero que ela, uma profissional da contemplação do amor, do medo e da sombra, esteja agora entre outros que também se dedicaram ao bem neste mundo.


Luiz Felipe Ponde, luiz.ponde@grupofolha.com.br


Recebi, por e-mail, sem data.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Credo

De tal modo é,

que eu jamais negá-lo poderia:

sou agarrada na saia da poesia!

Para dar um passeio que seja,

uma viagem de carro avião ou trem,

à montanha, à praia, ao campo,

uma ida a um consultório

com qualquer possibilidade, ínfima que seja, de espera,

passo logo a mão nela pra sair.

É um Quintana, uma Adélia, uma Cecília, um Pessoa
ou qualquer outro a quem eu ame me unir.


Porque sou humano e creio no divino da palavra,
pra mim é um oráculo a poesia!
É meu tarô, meu baralho, meu tricô,
meu I- ching, meu dicionário,

meu cristal clarividente,

meus búzios,
meu copo com água,

meu conselho,

meu colo de avô,
a explicação ambulante para tudo o que pulsa e arde.
A poesia é síntese filosófica, fonte de sabedoria,

e bíblia, dos que, como eu, crêem na eternidade do verbo,
na ressurreição da tarde e na vida bela.

Amém

Elisa Lucinda, In A fúria da beleza


Escola Lucinda de Poesia Viva

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Poema feminista

Imagem: Abellán Dia de Praia


Amigas,
Livres e dignas,
Anti-sexistas,
Antipatriarcais,
Coração não tem dono,
Pois, vocês
Não são adornos,
Bichinhos,
Bonecas,
Fantoches,
Nem marionetes.

Vocês podem ter,
Sim, proprietários
Amorosos,
Pois corações têm Amantes,
Mas nunca Senhores.

Seus corações amam,
Logo, tem Amados,
Amados-Amantes,


Amantes-Amados,
Mas nunca arrogantes,
Nem tiranos,
Nem prepotentes,
Nem Soberanos
(Pois Iguais),
Nem déspotas,
Nem Generais
Mandantes
Unilaterais,
Nem Juízes
Parciais,
Nem violentos,
Nem agressores,
Nem "cabeças"
(Pois parceiros,
Amáveis cúmplices),
Nem algozes
Cruéis,
Nem Brutamontes
Duros,
Pois são flores,
São rosas,
São Mães,
São esposas,
São carinhosas,
São pacifistas
Antibelicosas,
São trabalhadoras,
São Filhas,
São Pessoas,
São Irmãs,
São Avós,
São Netas,
São Cidadãs,
São Tias,
São Sobrinhas,
São gentis,
São Primas,
Não são feras,
São eco-lógicas,
São mais carinho,
São mais afetos,
São mais sentimentos,
São mais compaixão,
São mais tolerância,
São mais condescendência,
São mais perdão,
Sem perder a sabedoria,
Dos momentos
Das firmezas
E das energias.

São militantes,
Educadoras
Anti-preconceitos,
Femininistas,
E tem, como aliados,
Os masculinos
Anti-machistas
Na sua luta
Pela autonomia,
Pelos direitos
Iguais femininos,
Na Vida,
Nos Trabalhos,
Às Felicidades,
E nos Amores,
Sabem melhor
Das dores
Das lágrimas
E da gargalhada,
São, do Amor,
Sacerdotisas,
Muitas, por tudo isso,
São pela social
Justiça,
Da Igualdade
Radical
E da vera Solidariedade,
São democratas
Socialistas
E comunistas,
Como Rosa
Luxemburg,
Vera Zasulicht,
Alexandra
Kollontay,
Nadezhda
Krupskaya
(Nadja),
A Educadora
De quem Lênin
Foi marido,
Olga
Benário,
Pagu
E constelações
Outras.

Gabriel da Fonseca



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Engolindo sapos....

Imagem daqui


Eu calo
tu calas
eles pisam em nossos calos...
Ricardo Mainieri


Verbo e substantivo*

Calo.
Calas.
Cala.
Calamos.
Calais.
Calam.


E assim, os CALOS doem
INSUPORTAVELMENTE.
Na alma.


*Dedicado aos que praticam o exercício cotidiano do "Engolir Sapos."

Edna Lopes



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Oração poética...

Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
Miguel Torga

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Lembrancinha do tempo



Desde pequena,
a poesia escolheu meu coração.
Através de sua inconfundível mão,
colheu-o e o fez
se certificando da oportunidade
e da profundeza da ocasião.
Como era um coração ainda raso,
de criança que se deixa fácil levar pela mão,
sabia ela que o que era fina superfície clara até então,
seria um dia o fundo misterioso do porão.
Desde menina
a poesia fala ao meu coração.
Escuto sua prosa,
quase toda em verso.
Escuto-a como se fosse ainda miúda e depois,
só depois, é que dou minha opinião.
Desconfio que minha mãe me entregou a ela.
A suspeita, a desconfiança pode ter sido fato,
se a mão materna, que já aos onze
me levou à aula de declamação,
não for de minha memória uma delicada ilusão.
Desde pirralha e sapeca
a poesia, esperta, me chama ao quintal;
me seqüestra apontando ao meu
olho o crepúsculo,
fazendo-me reparar, dentro
da paisagem graúda,
o sutil detalhe do minúsculo.
Distingue pra mim a figura do seu fundo,
o retrato de sua moldura
e me deu muito cedo a loucura
de amar as tardes com devoção.
Talvez por isso eu me
entrelace desesperada às saias
dos acontecimentos,
me abrace, me embarace às suas pernas
almejando detê-los em mim,
querendo fixá-los, porque sei que passarão.
A poesia que desde sempre,
desde quando analfabeta das letras
ainda eu era
me freqüenta, faz com que eu escreva
pra trazer lembrança de cada instante.
Assim até hoje ela me tenta e se tornou
um jeito de eu fazer durar o durante,
de eu esticar o enquanto da vida
e fazer perdurar o seu momento.
Desse encontro eu trago um verso como
um chaveirinho trazido de um passeio a uma praia turista,
um postal vindo de um museu renascentista,
um artesanato de uma bucólica vila,
uma fotografia gótica de uma arquitetura de convento,
uma xicrinha,
um pratinho com data e nome do estado daquele sentimento.
É isso a poesia: um souvenir moderno,
um souvenir eterno do tempo.

Elisa Lucinda

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Fábula da vida real

Fábula que aconteceu mês passado, em plena vida real no Park Bom Estacionamento, no Largo do Machado:

Um motorista, ao chegar com seu carro, foi abordado por um dos atendentes.

- O senhor não estacionou aqui no dia 25 de maio, às 17h02, para uma palestra nas salas de conferências? - perguntou o funcionário.

Diante da resposta afirmativa, ele continuou:

- O senhor botou R$ 50 no balcão e esqueceu aqui. Está guardado com o gerente.


Para quem anda necessitado de esperança no ser humano, um alento.


Fonte: Blog do Ancelmo Góis


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Clarinha e Joaquim

Em Janeiro postei uma chamada sobre a Clarinha, um bebê que nasceu com paralisia cerebral e estava em campanha para ir à China para um tratamento com células tronco.

Vejam a evolução:





Caso queiram sabem mais sobre seu tratamento e os resultados até o momento:

http://www.umrealporumsonho.com.br/blog



Este é o Joaquim que também está precisando de nossa ajuda para ir à China.




http://www.meninosonho.blogspot.com/