sábado, 3 de janeiro de 2009

Amada Amanda

Por ocasião da postagem “Um anjo que por mim passou”, recebi um e-mail da Solange, mãe da Amanda, que reproduzo abaixo, com sua autorização.

Olá Regina,

Recebi uma mensagem muita linda com o título Um anjo que por mim passou do Médico Oncologista Rogério Brandão, pesquisei na internet e achei o seu blog.

Bem sei o que esta menina viveu, abaixo narro a história de minha filha que foi publicada na Revista UMA edição janeiro de 2007, de minha autoria por Gisela Rao.

Tomara Regina que este médico oncologista não tenha a mesma prepotência dos médicos que cuidaram de minha filha Amanda, que os levou ao orgulho ao ponto de não reconhecerem uma recaída de leucemia de alto risco, com consequências graves que deixou minha filha tetraplégica aos oito anos. Vivenciamos tudo isto diariamente nos hospitais de câncer infantil, as crianças são muito mais fortes do que os adultos, nos ensinando a não desistir diante de tribulações que parece não ter fim. Se você tiver o contato deste médico, se possível, me informe por favor.

Um Feliz 2009 com muita saúde e Paz!!!

Solange e Amanda

Brasília-DF

É difícil atravessar esta vida sem alguns dissabores.....esse é o custo de viver*. Analisando a passagem do tempo, fico relembrando quando minha filha, Amanda, tão linda, foi diagnosticada com leucemia aos cinco anos. Isso aconteceu em fevereiro de 2000 e ouvir a notícia causou um grande choque. Eu não entendia o porquê de uma enfermidade tão grande em uma criança que nada fez de mal para ninguém. *O importante não é o que acontece, mas como você reage, você cresce...quando não perde a esperança, nem diminui a vontade e nem perde a fé*. Meu marido e eu choramos, nos lamentamos por tudo aquilo, fiz promessas, novenas, mas tenho a certeza de que DEUS curou a minha filha nessa época, não por merecimento nosso, mas por misericórdia, era uma chance para a gente virar pessoas ainda melhores. Em fevereiro de 2002, perdi meu marido num terrível acidente. Outro desvio de uma vida que não estava nos planos que tínhamos feito, o de "envelhecermos juntos", ver nossos filhos crescerem, nossos netos, etc. Amanda já com sete anos, retornando para a escola com mais saúde, uma alegria no meio dessa turbulência que tive que viver. Um ano e cinco meses se passaram e quando tudo voltava ao "normal" minha filha teve uma recaída, e a leucemia, de estado grave passou a gravíssimo por causa do diagnóstico tardio. Ela contraiu infecção hospitalar, que afetou os pulmões, e foi transferida para a UTI de outro hospital, mas infelizmente tudo se complicou. Por erro médico (aguardando reparação e comprovação na Justiça), ela sofreu uma parada cardiorespiratória de 30 minutos, lesando seu cérebro por completo. Eu questionava o porquê de DEUS permitir novamente tudo isso em minha vida, na vida de minha filha, que já tinha feito a lista de Natal com a relação de brinquedos que ela desejava ganhar, que fazia planos para sua festa de aniversário de nove anos....Sua infância foi tolhida, mas estamos crescendo na fé, olhar para trás com saudades, não com amargura no coração, buscando o perdão para aqueles que involuntariamente e/ou descaso não cumpriram com o seu papel que DEUS designou para cada um. Quando foi diagnosticada realmente a tetraplegia eu me recordava daquele filme - Uma Janela para o Céu-, baseado em fatos reais, em que a personagem fica tetraplégica. Sua mãe teria que realizar tudo por ela, até mesmo algo simples como pentear os cabelos. Ali estava eu fazendo tudo igualzinho àquele filme. Deixamos para trás os deveres escolares, as brincadeiras de apostar corrida, as conversas na hora das refeições..., mas não deixamos para trás a certeza que crescemos quando superamos e valorizamos os caminhos que estão por vir. Acreditar que existe milagres, e que este DEUS maravilhoso nos sonda diariamente e deixar que Ele nos use e dizer eis aqui a minha vida Senhor - usa-me, Transforma-me Senhor. *Fazemos disso um degrau de fé para subir mais na vida.

Sei agora que minha filha Amanda, hoje com treze anos, veio para mudar a minha vida e a vida de todos que passariam por nós. Aprender com essa imensa dor, com as grandes perdas, que o valor da saúde é muito mais importante, aprendi também que devo agradecer mais do que pedir. Hoje Amanda é minha força diária, não é fácil vê-la assim, mas sei que tudo isso passará, não olhar para trás, não desistir é a meta, viver o presente com sabedoria e louvar por tudo isto em nossas vidas, as promessas de DEUS serão cumpridas e o futuro pertence a ELE, e um dia ela estará escrevendo seu próprio testemunho dizendo "EU SOU AMANDA, DIGNA DE SER AMADA.

Solange Maria Barbosa de Souza




Amanda em 2003


Amanda na sua 1ª comunhão em 2006 já tetraplégica



3 comentários:

Max disse...

Parabéns D. Solange, com essa postura a sra. nos mostra que a fé nos ajuda a enfrentar as dificuldades da vida.

Patrícia disse...

Que Deus maravilhoso te abençõe e a sua linda filha!
Com certeza ele tem planos para cada um de nós. Ele ama muito vc e sua querida filha.....
Fiquem com Deus

Vanessa Oliveira disse...

Que emoção ler esse relato! Meu coração está aos pulos e se pudesse neste exato momento daria três abraços: o primeiro nessa escritora fera, de alma generosa que é você, Regina Coeli Carvalho e que nos proporcionou conhecer a história dessa menina cheia de garra que é a Amanda; segundo, abraçaria Dona Solange, essa mãe guerreira e cheia de fé que, nos mostra que o amor supera todas as coisas; e terceiro, daria um abraço bem apertado na Amanda que é, sem sombra de dúvidas, um grande presente de Deus. É nesses momentos que vemos o quanto os nossos problemas são pequenos perto de algumas coisas que outras pessoas passam. Linda relato, lindo texto. Beijo no coração.