domingo, 5 de julho de 2009

Manchas de infância

Foto: Paulo César Coelho Júnior


“apalpar manhãs”

sonhei que estava enamorado pela palavra antigamente.

eu sorria muito nesse sonho – fossem gargalhadas. aproveitei a ponta desse sorriso e fiz um escorrega. deslizei. tombei no início de uma manhã.

pensei ver duas borboletas mas [riso] eram duas ramelas. peguei nas duas: o peso delas dizia que eu estava acordado. [a partir do tom amarelado das ramelas é possível apalpar manhãs].

então vi: nos dedos, na pele do corpo por acordar, estavam manchas muito enormes: eram manchas de infância

gosto muito desse tipo de varicela.

Ondjaki, In Materiais Para Confecção de Um Espanador de Tristezas

2 comentários:

Georgia disse...

Regina querida, lindo gostei.

Beijos

AMARIS disse...

Que lindo este texto...!!!
Damáris