quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Adoção, um ato de nobreza!



Assisti a poucos dias uma reportagem interessante com pessoas que foram adotadas e numa delas estava uma brasileirinha de São Paulo.

Ela estava indo ao Brasil pela primeira vez desde que fora adotada aos 4 anos por um casal alemão. Com a morte da esposa, o pai resolveu deixá-la num orfanato e dá-la para adoção. O caso é que ele tinha outros filhos maiores e nenhum parente por perto. Os pais adotivos, logo cedo, contaram para a menina que ela fora adotada. Ela cresceu sabendo logo a verdade.

Agora com 17 anos ela desejou conhecer o Brasil e os pais arranjaram até um interprete para ela. Ela queria saber do pai e dos seus outros irmãos. O interprete teve muito trabalho em achar o pai dela. Ela visitou o orfanato onde esteve e ficou ali brincando com algumas crianças enquanto esperava a responsável do orfanato localizar sua papelada. Depois de alguns dias de espera ela conseguiu saber onde morava sua família biológica. Vocês podem imaginar a emoção daquele pai? Dos irmãos que agora até filhos já tinham? E a emoção dela? Eu mesma não agüentei e chorei.

Ela os abraçou carinhosamente. Pediu uma foto da mãe e ela mesma creio eu, se viu ali naquele retrato, tão parecida com sua mãe. O pai tinha uma única foto dela, com 4 anos de idade. E ela trazia outras fotos que seus pais adotivos tinham tirado dela logo assim que eles a adotaram.

Ela quis saber onde a mãe havia sido enterrada. Foi até lá e ficou muito triste em ver que no lugar havia somente uma cruz com um número e nada mais. Ela chorou, levou flores e agradeceu por ela ter nascido. Não havia na voz dela nenhum rancor por ter sido adotada. Pelo contrário: Ela transmitia uma calma enorme, uma paz, uma felicidade.

Ao retornar à Alemanha ela resolveu aprender Português. Diz que quer voltar para visitá-los e se comunicar com a sua família.

Fiquei pensando nas crianças que o Brasil tem nos orfanatos esperando para ser adotadas. Não é nem por falta de pais não. Mas porque a burocracia é grande demais.

Adotar uma criança é um sentimento de nobreza e quem chega para adotar também já viveu parte de uma história muito triste ou pela perda de filhos ou por saber que uma das partes do cônjuge não pode ter filhos.


A fila de espera nos corredores da burocracia é enorme e apesar de vários sites e ONGs agirem na área, sei que há blogueiros que gostariam de tocar nesse assunto até mesmo por serem pais adotivos.

Dácio e eu estreitamos os nossos pensamentos e idéias. Ele no Brasil e eu aqui na Alemanha;)

Como já estou há uns bons anos fora, ele me enviou um link me colocando a par do mais recente projeto aprovado na câmara sobre Adoção que foi encaminhado ao Senado para revisão.

Geórgia, Saia Justa- Ano III

http://saia-justa-georgia.blogspot.com/2008/10/adocao-um-ato-de-nobreza.html


Um comentário:

Georgia disse...

Regina, o Dacio e eu agradecemos o apoio e a chamada por aqui para a participacao.

Um abraco, valeu.