sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Encontro com o Outro

”O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio.

Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade.

O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo.

É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma.

Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.”

Carta de Hélio Pellegrino para Fernando Sabino

2 comentários:

Lisete de Silvio disse...

Que belo texto...

Ter as maõs vazias..

Beijos

Rodrigo Andreiuk disse...

poxa, muito bom os texto do blog..este e do nilton bonder sãó ótimos.
se tiver um tempo, escute meu trabalho tb
sou pianista
www.rodrigoandreiuk.com