sábado, 6 de junho de 2009

Os labirintos espelhados e Helio Pellegrino

Imagem daqui

Vago por labirintos espelhados,
Feitos de duros bronzes e de prantos,
Ando por descaminhos tais e tantos
Que seus desvios geram destroçados

Clarões de perdição, alcatilados
Declives enganosos, e mais quantos
Desconcertos couberem na alma, e espantos

Desfilando vertigens, e enforcados

Gritos que assomam, pedras proferidas

Como calhaus de noite, e maldição

Porejando da boca, e desferidas

Perguntas de asas rotas – sim e não

Ceifando córneas, ossos e feridas –

E a dor do cravo assassinado na mão.

Hélio Pellegrino

Poema escrito no Regimento Caetano de Farias, em 22/2/1969, quando Hélio estava preso, acusado de líder comunista pela ditadura militar. O poema consta do livro “Minérios domados, ed. Rocco, 1993. In, Hélio Pellegrino, Lucidez Embriagada, organização Antonia Pellegrino.

Um comentário:

vivian disse...

Esse livro já está na minha lista de desejos.
Já conhecia um texto dele através de você, e fiquei curiosa para conhecer sua obra.
Bom dia querida.